Tribuna do Leitor

Os prejuízos que jamais serão ressarcidos!


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Uma avalanche de lama e detritos cobriu a cidade mineira de Mariana matando dezenas de pessoas e desabrigando milhares de moradores que perderam tudo, moradia, pertences e documentos. Da noite para o dia eles tiveram suas vidas jogadas à lama literalmente. Ainda há desaparecidos e as vitimas podem aumentar esta estatística inicial.

O rompimento de barragens da Samarco - empresa do grupo Vale do Rio Doce e da BHP empresa australiana, além da destruição das casas em Mariana, das mortes provocadas ainda vai destruir muita coisa rio abaixo. O avanço da lama ultrapassou 600 quilômetros e desaguou no oceano atlântico afetando dezenas de cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Existe desabastecimento dos serviços de água aos moradores de mais de quinze cidades de MG e ES. Sem contar a destruição sem precedentes do meio ambiente naquelas regiões. As empresas envolvidas se declaram inocentes, dizem que tudo estava funcionando de acordo com as leis e que as barragens haviam sido fiscalizadas recentemente. Isso tudo é balela, se tudo estivesse funcionando adequadamente nada poderia justificar o rompimento das barragens.

A verdade é que as vítimas jamais vão conseguir recuperar na Justiça tudo o que perderam de bens materiais. As mortes poderão ser cobertas por seguros, porém a reconstrução das cidades afetadas e das casas e comércios devastados pela lama nunca serão pagos as vítimas. 

No Brasil sempre que uma tragédia como essa acontece, o máximo que o governo federal faz é dizer que libera o recurso do FGTS (que é da pessoa) para que ela saque e se vire. Caso não tenha FGTS está na rua da amargura e sem auxilio algum das autoridades brasileiras. As empresas vão fingir prestar solidariedade por alguns dias após a tragédia, em seguida providenciarão que os processos abertos tramitem com enorme lentidão na Justiça. Assim foi com o Bateau Mouchê, Desabamento dos Prédios no RJ, Queda de Shopping Center, etc.

O povo pobre, sofrido, terá de recomeçar do zero, sem nada no bolso, sem auxílio oficial, contando quando muito com a solidariedade do povo mineiro e brasileiro em geral. 

Na hora de recolhermos impostos os governos municipais, estaduais e o federal são rápidos e mantém tudo informatizado para que não falte um centavo em seus cofres. Porém, quando o cidadão ou uma cidade inteira precisam de retorno, recebem um não bem grande na face.

As empresas exploram as riquezas do nosso solo e subsolo e destroem a natureza, provocam desastres como este em Mariana e não tem com o que se preocupar. O governo e as autoridades estão ao seu lado, muito ao contrário do povo que é tratado como lixo, como se fossem inimigos deles. As Empresas de exploração de minerais foram as que mais contribuíram para eleger deputados que hoje estão na Comissão investigando o caso (?).

O tradicional sobrevoo da área da tragédia já foi feito pela Dilma, pelo governador de MG e por um Ministro. Toda tragédia alguém faz isso para depois dizer que o governo federal irá repassar um recurso que jamais chega ao seu destino. 

Então você percebe que o governo federal faz duas coisas quando acontecem tragédias que matam, desabrigam muitas pessoas no Brasil: liberar o FGTS delas próprias e sobrevoar a área afetada. A Justiça faz o quê? Empurra com a barriga assim como está fazendo no caso da casa noturna de Santa Maria da Serra – RS.

 Rafael Moia Filho

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