Cultura

Beleza indígena ganha a passarela em Bauru

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

Mostrar a beleza indígena e valorizar tanto a autoestima dos jovens quanto a cultura de suas aldeias são os principais objetivos do concurso “Garota e Garoto Indígena Paulista – 2015”, que acontece no próximo sábado, dia 5 de dezembro, a partir das 20h, na Lab Social (antiga Labirinthus).
Participam 15 meninas e 15 meninos, entre 14 e 30 anos, com até o 3º grau de descendência indígena. 
Todos estão ligados às aldeias Comunidade Indígena de Bauru, Vanuire, Tereguá e Nimuendajú (Avaí); Icatu (Brauna) e Comunidade Indígena da Grande São Paulo, representando os povos Terena, Kaigang, Guarani, Krenach e Karajá.
Serão três entradas na passarela: em traje esporte (camiseta e bermuda ou short), esporte social e típico de cada etnia.
Candidatos serão avaliados por por produtores de moda, especialistas de agência de modelos e membros de instituições. Vencedores ganham book e outros prêmios.

“Os jovens estão empolgados, mas um pouco tímidos. Por isso convidamos indígenas já com experiência com foto ou mais extrovertidos para desfilarem primeiro”, diz Kelly Mitie Hamazaki, da comissão organizadora. Uma das convidadas é Samantha Aweti Kalapalo.

Representação
De acordo com Kelly, muitos desses jovens vivem da lavoura, com situação financeira precária e pouco acesso a estudo. 

“Por tudo isso, ficam com a autoestima baixa. A possibilidade de se arrumar, estar na passarela e representar seu povo valoriza o jovem indígena, sua cultura e beleza”, destaca.
A realização é da Associação das Mulheres Indígenas do Centro-Oeste Paulista (Amicop) e tem o apoio da Secretaria Municipal de Cultura.

Questão social

O concurso será também o ponto de partida para um trabalho de conscientização da sociedade, a respeito dos problemas que a população indígena sofre, e das próprias comunidades, que estão vulneráveis ao uso excessivo de álcool e drogas, violência e prostituição.

“A moçada nas aldeias estava sem estímulo para se cuidar. Com o concurso estamos mostrando que eles são bonitos por dentro e por fora, mas que a bebida e o crack podem tirar isso”, ressalta Jupira Terena, membro do Movimento dos Povos Indígenas do Brasil e coordenadora do projeto que inclui o evento “Garota e Garoto Indígena Paulista – 2015” e as ações sociais nas aldeias da região.

“O concurso está ajudando na autoestima, mas também na luta para preservar nossa cultura, identidade e amor-próprio. O jovem precisa respeitar a si e ao outro e socializar, mas saber enfrentar os preconceitos e ter orgulho de ser índio. Tem uma frase que gosto muito que diz ‘ser igual a você, sem deixar de ser eu’, de ser indígena”.
Para Haydee de Souza, colaboradora da Associação das Mulheres Indígenas do Centro-oeste Paulista e uma das organizadoras do concurso, essa é uma boa oportunidade de chamar a atenção para os dramas da comunidade indígena.

“Em pleno século XXI as mulheres ainda são estupradas em suas aldeias. É preciso uma união de esforços para mudar isso”.

Serviço

Concurso Garota e Garoto Indígena Paulista 2015: dia 5 de dezembro, às 20h, na Lab Social (rua Luiz Levorato, 2-61, em frente a Unip). Convites antecipados a R$ 10,00, na hora, R$ 15,00. Informações pelo telefone (14) 9 9742-6006.

Comentários

Comentários