| Alex Mita |
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| Na quadra 5 da rua Bahia, na Vila Cardia, Vinicius Gonçalves de Moura mostra situação que beira o caos |
Não é preciso andar muito para encontrar buracos espalhados pelas ruas de Bauru. Tanto que são feitas, em média, 12 queixas por hora junto à Secretaria Municipal de Obras e ao Departamento de Água e Esgoto (DAE). O JC também recebe reclamações constantes e em uma delas, na quadra 5 da rua Bahia, na Vila Cardia, a situação beira o caos: uma verdadeira cratera está exposta em meio ao paralelepípedo há cerca de seis meses (leia mais abaixo). Além disso, depois da forte chuva da semana passada, outros buracos tomaram conta ainda mais da cidade.
Em nota, a assessoria da prefeitura informa que o órgão recebeu, em média, 19,8 mil queixas neste ano, cerca de 1,8 mil a cada mês. Já em 2014, a quantidade de reclamações era de, em média, 18 mil, sendo 1,5 mil mensais. Em relação ao DAE, foram feitas 10.073 reclamações neste ano, aproximadamente 915 por mês. Em 2014, a autarquia recebeu 9.120 queixas, sendo 760 mensais. Tanto na Secretaria Municipal de Obras quanto no DAE a quantidade de queixas teve aumento de 2014 para este ano.
Secretário de Obras em exercício, Etelvino Zacarias Martins alega que 70% das reclamações que a prefeitura recebe são de reparos em vazamentos feitos pelo DAE, cujo asfalto não é reposto de imediato. “A rede de água é obsoleta, o que leva à elevação dos vazamentos e, consequentemente, das queixas acerca dos buracos”, argumenta. Diante da opinião do secretário de Obras em exercício, a reportagem tentou contato com o DAE, contudo, a autarquia preferiu não se manifestar sobre a colocação em questão.
Falta de dinheiro
Outro fator que pode ter contribuído para o aumento das queixas é o imbróglio acerca da usina de asfalto. Conforme o JC noticiou em outubro, não havia mais dinheiro para a produção de asfalto e o serviço de tapa-buracos ficaria afetado. Na ocasião, o titular da Secretaria Municipal de Obras, Sidnei Rodrigues, alertou que os insumos comprados garantiriam o asfalto por mais 20 dias e o dinheiro reservado para isso, em 2015, já havia acabado.
O orçamento do ano reservou R$ 3 milhões para a usina. Contudo, os cortes promovidos na administração em função da queda da arrecadação de impostos reduziram o valor pela metade. Em novembro deste ano, porém, a Secretaria Municipal de Finanças liberou R$ 250 mil para garantir a realização do serviço até o início do ano que vem, mas o valor não incluía os reparos dos buracos abertos pelo DAE.
Na época, Sidnei Rodrigues até cogitou a possibilidade de recorrer a um contrato emergencial para adquirir pó de pedra, insumo necessário para produzir a massa asfáltica e cuja licitação já havia se encerrado. Mesmo sem definir se, de fato, faria esse contrato, a Secretaria Municipal de Obras decidiu retomar a produção de massa asfáltica destinada ao reparo dos buracos abertos pelo DAE. Atualmente, o contrato emergencial está em vigor.
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É a quantidade de reclamações por conta de buracos espalhados pelas ruas que a prefeitura e o DAE receberam nos últimos 11 meses
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Cálculo
Levando em conta que o município atende reclamações em dias úteis e tem expediente de oito horas diárias, ele recebe 90 queixas por dia e 11 a cada hora. A prefeitura não divulgou a quantidade de solicitações atendidas. Já o DAE trabalha com plantão de 24 horas por dia e recebe, em média, 30 reclamações diárias. o que dá pouco mais de uma por hora. Neste ano, a autarquia atendeu 8.981 reclamações, de um total de 10.073 solicitações. Somando as reclamações que ambos os órgãos recebem, chega-se à quantia de 12 a cada hora.
Uma ação por mês
Há casos em que os munícipes se sentem lesionados diante dos buracos espalhados pelas ruas, ora quando têm seus carros danificados, ora quando caem sobre esses locais. Segundo a Procuradoria da prefeitura, o órgão responde, em média, a uma ação por mês. Entre os pedidos que os bauruenses têm o direito de apresentar à Justiça, estão ressarcimento e danos morais, caso o cidadão tenha sofrido alguma lesão após cair em um buraco, por exemplo.
Desde vazamentos até verdadeiras ‘crateras’
O JC recebeu diversas reclamações de buracos espalhados pela cidade. Em um dos casos, o problema está entre as ruas Alfredo Ruiz e Júlio Maringoni, na Vila Santa Clara. Um morador, que preferiu não ser identificado, conta que o buraco se abriu há aproximadamente dois meses e, até agora, nada foi feito para repará-lo. Dois veículos caíram dentro do local e a prefeitura decidiu colocar uma placa para que a situação não se repetisse, mas nada de consertar.
Em nota, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Bauru esclarece que a situação do local foi encaminhada ao DAE para que tomasse as devidas providências. Já segundo a autarquia, na sexta-feira à tarde, uma equipe abriu a via e identificou que o defeito era na rede de esgoto. O órgão afirmou que o problema já foi resolvido.
Mais para frente, no Jardim Aeroporto, entre as ruas Doutor José Maria Rodrigues Costa e Marília, a vendedora Tatiane Oliva Castillo, 37 anos, está prestes a perder a parede do quarto. Ela conta que um trabalho realizado pela prefeitura deixou um vazamento d’água na rua que já perdura por cerca de três semanas e a sua casa ficou repleta de rachaduras. O DAE constatou que há vazamento e o reparo seria concluído na sexta.
| Alex Mita |
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| Cratera na Alfredo Ruiz com Júlio Maringoni, na Vila Santa Clara |
‘Situação caótica’
Mas é na quadra 5 da rua Bahia, na Vila Cardia, que a situação beira o caos. Uma verdadeira cratera está exposta em meio ao paralelepípedo há cerca de seis meses. É o que garante o vendedor Vinicius Gonçalves de Moura, 28 anos, que trabalha em uma loja de vidros automotivos em frente à rua. Segundo ele, cinco veículos ficaram presos no buraco e, no caso mais recente, foi necessário acionar um guincho para tirar o automóvel.
Ele narra ainda que, como há um depósito no final da rua, diversos caminhões passam por lá, fato que leva ao agravamento da situação. Inclusive, o afundamento começou a tomar conta da calçada que separa a cratera da empresa onde o vendedor trabalha. “Nós tivemos de reforçar a calçada com concreto, porque, se o afundamento chegasse até a loja, ela correria o risco desabar”, pontua.
Em nota, a assessoria de imprensa do DAE afirma que o reparo do local é de responsabilidade da Prefeitura de Bauru. O município, por sua vez, através da Secretaria Municipal de Obras, informa que houve infiltração no pavimento, que é composto por lajotão e paralelepípedo, fato que provocou o afundamento do solo. Conforme informações da pasta, o problema seria resolvido na última sexta-feira (11).
Prefeito pretende fazer mutirão de tapa-buracos
O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) pretende dar início a um mutirão de tapa-buracos a partir de janeiro de 2016. Segundo ele, o intuito é dar continuidade à iniciativa até que o problema seja “zerado”. “Com as últimas chuvas, surgiram muitos buracos, além daqueles que são abertos pelo próprio DAE para consertar vazamentos”, justifica. Para tanto, o prefeito contará com a arrecadação do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
Além disso, o secretário de Obras em exercício, Etelvino Zacarias Martins, afirma que a pasta repara, em média, 500 buracos por dia. O tempo para a realização do serviço é de 1 a 2 dias em locais de grande fluxo, tais como avenidas e ligações de bairros, enquanto que, nas demais áreas, o reparo é executado entre 20 e 25 dias. São nove caminhões trabalhando diariamente, sendo cinco da prefeitura e quatro do DAE.
Martins revela ainda que, durante 2014 inteiro, foram utilizados 68.150 metros quadrados de asfalto somente nos serviços de tapa-buracos, o suficiente para recapear 113 quadras. Por outro lado, a demanda cresceu neste ano, considerando que, até o final de novembro, foram utilizados 69.000 metros quadrados do produto, o suficiente para recapear aproximadamente 120 quadras.
Serviço
Para quem quiser denunciar buracos pelas ruas, basta entrar em contato com a Secretaria Municipal de Obras através dos telefones (14) 3235-1060 e (14) 3235-1070 ou do e-mail obras@bauru.sp.gov.br. Outra opção é acionar o DAE por meio do 0800-7710195, para ligações feitas de telefones fixos, ou (14) 3235-6179 e (14) 3235-6140, para telefonemas realizados de aparelhos celulares.

