Política

Pronto-Atendimento Infantil terá só metade de médicos no feriado

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto/JC Imagens
Saúde vai recorrer até a banco de horas para evitar a permanência de apenas um médico 

Já virou quase rotina, que se repetirá no feriadão de Natal: o Pronto-Atendimento Infantil (PAI), única unidade pública com assistência pediátrica 24 horas, funcionará com escalas médicas incompletas desta quinta-feira (24) até domingo (27). O JC teve acesso à distribuição de profissionais ao longo desses dias e o quadro é preocupante.

No plano ideal, o PAI deveria funcionar sempre com quatro pediatras, mas, na maioria do tempo, contará apenas com dois deles. Para a noite de hoje e madrugada dessa sexta-feira (25), no entanto, só estava confirmada a presença de um médico. O mesmo vale para a tarde de sábado, além da manhã e tarde de domingo.

A situação só está mais confortável para o plantão das 13h às 19h desta véspera de Natal e para o da noite do dia 27; ainda assim, com a escala incompleta, de três profissionais.

Diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag confirma a dificuldade e avisa que a chefia do PAI trabalha para garantir que cada plantão conte com pelo menos dois médicos: metade do ideal. “É assim que vem funcionando”, admite.

BANCO DE HORAS

O responsável explica que a gestão tenta negociar com os profissionais o cumprimento de escalas menores, de até 3 horas, que seriam acumulados em banco  para posterior compensação.

“Graças a Deus, nesses dias de Natal o movimento é bem menor do que o normal. A procura diminui por causa da festa. O problema maior está no Ano Novo, mas ainda não fechamos a escala. Estamos trabalhando com uma semana por vez”, revela Sabbag.

DIFICULDADES

O diretor do departamento garante que a dificuldade para preenchimento das escalas do PAI – e que abrange também outras unidades de urgência e emergência, especialmente o Samu – não tem relação com a política de arrocho implementada por Rodrigo Agostinho. “Temos dinheiro para pagar os plantões”.

Acontece que, desde 1 de novembro, os médicos estão proibidos de cumprir plantões extras quando a remuneração pela jornada extraordinária implicar em vencimentos mensais que ultrapassem o salário do prefeito (R$ 16.634,87). A imposição vai ao encontro de recorrentes apontamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

“Como o nosso quadro de profissionais é antigo, muitos já ganham mais do que o prefeito e outros só têm margem para fazer um ou dois plantões extras”, explica Sabbag.

CONTRATAÇÕES

A necessidade de plantões extras para o fechamento das escalas se dá pelo número insuficiente de médicos e pela dificuldade da administração em contratar novos pediatras.

A demanda é tão grande que, mesmo diante do quadro de ajustes, o governo abrirá concurso público para profissionais especialistas no atendimento a crianças. As inscrições começam a partir de 8 de janeiro.

‘É um caos’

Pediatras que atuam na unidade procuraram o JC para relatar a indignação diante da situação. Eles defendem a necessidade de quatro médicos por plantão para que tanto os pacientes possam ser bem atendidos quanto para que os profissionais trabalhem em condições adequadas, com segurança.

“Com dois médicos, a gente toca o plantão, mas o risco é muito grande. Além das consultas, o PAI tem 15 leitos de enfermaria com crianças internadas, em observação, com quadro de saúde mais grave do que os das que estão do lado de fora, esperando. Com metade da escala, são dois pediatras para atender a cidade inteira. É um caos”, relata um deles, que preferiu não se identificar.

Os profissionais concordam que, durante as festas de fim de ano, diminui a procura pela unidade. No entanto, alegam que aumenta a ocorrência de emergências, ocasionadas por acidentes domésticos.

Um dos médicos acredita ainda que as restrições para o cumprimento de plantões extras têm motivações econômicas. “Sempre foram permitidos, mesmo com os apontamentos do Tribunal de Contas, repetidos há anos”, avalia.

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