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Municípios mantêm salas gratuitas de cinema para atender população

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 13 min

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O encarregado do cine municipal de Jaú, Gilberto Justino dos Santos, verifica cartaz  

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2014  relevou que apenas 10,4% dos 5.570 municípios brasileiros têm ao menos um cinema, 23,4% possuem teatro ou sala de espetáculos, 27,2% museu e 37% centro cultural. Os equipamentos culturais estão concentrados nas regiões sudeste, sul e no centro-oeste do país, nas cidades com mais de 500 mil habitantes.

Na região de Bauru, muitas cidades têm a sala para a exibição de filmes, algumas têm teatro e a maioria centro cultural, um espaço multiuso. Porém as salas de cinema estão sendo usadas para outras atividades.

É o caso de Bocaina (69 quilômetros de Bauru) que tem um imóvel inaugurado na década de 50 e restaurado em 2000 que serve para eventos da prefeitura, dos moradores, formaturas, teatro e esporadicamente para exibição de filmes. Para este ano que se inicia, a Diretoria de Cultura pretende implantar um projeto que contará com uma exibição de filmes mensal.

Enquanto os bocainenses não têm cinema constante, eles viajam para Jaú, Bauru e Araraquara para ver os lançamentos do circuito nacional. Em Cafelândia (83 quilômetros de Bauru), a prefeitura mantém exibições de filmes gratuitos para que todos tenham acesso. São filmes atuais. O mesmo ocorre em Jaú (47 quilômetros de Bauru) onde os jauenses podem assistir filmes em DVD sem pagar nada. Na cidade há ainda dois outros cinemas, da iniciativa privada. Ambos participam do circuito nacional.

Na cidade de Itapuí (44 quilômetros de Bauru) os amantes da sétima arte procuram as cidades de Jaú e Bauru para assistirem aos lançamentos na telona. O Centro Cultural que será usado como espaço multiuso (cinema, teatro e eventos) aguarda verba estadual para concluir a obra. Os filmes oferecidos aos moradores são exibidos, esporadicamente, na praça, ao ar livre.

A proximidade com Bauru não deixa os moradores de Agudos sem ver os lançamentos dos filmes em cartaz. Mas, em breve, os moradores poderão contar com uma sala de cinema teatro. É que o cineteatro está sendo restaurado, porém, como depende de recursos provenientes da leis de incentivos fiscais, ainda não tem data para ser reinaugurado. A cidade conta com espaço para teatro que está no interior do seminário Santo Antônio.

O restauro é esperado com ansiedade pela população. O prédio foi construído em 1910 e está sendo recuperado pelo neto do construtor que diz que, colocar o cineteatro para funcionar, é uma homenagem ao avô. A obra fica na praça central e tem 400 lugares. Vai contar com um café, como nos tempos passados.

Em Ibitinga (90 quilômetros de Bauru), a obra do teatro vai ser reiniciada. A licitação já foi feita e a conclusão é prevista para este ano. A cidade tem um espaço cultural onde são apresentadas peças teatrais, filme e outras atividades culturais.

Em Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), o teatro Flávio Razuk inaugurado em 2012 com capacidade para mais de 400 pessoas tem programação constante. Além das peças teatrais, o local é palco de apresentações musicais. Já o cine clube se incumbe de exibir os lançamentos cinematográficos.

Cafelândia tem cinema gratuito

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Cine São José de Cafelândia também desenvolve um projeto com o público mirim que é denominado “Cinema para todos”

Espaço com capacidade para 300 pessoas começou a funcionar desde agosto do ano passado quando foi reinaugurado o Cine São José

Os moradores de Cafelândia (83 quilômetros de Bauru) são privilegiados no item cinema. Além de ter a sala, a prefeitura oferece filmes gratuitos desde agosto de 2014 quando reinaugurou o Cine São José e o Projeto “Cinema para Todos”, no Espaço Cultural “Francisco Paulovic”.

O Projeto “Cinema para Todos” tem por objetivo democratizar o acesso ao lazer e à cultura, considerando que muitos cidadãos não têm condições de se deslocarem para outras cidades para assistirem a filmes de lançamento. As sessões são agendadas através de cadastro via Internet.

As crianças das escolas municipais, estaduais, particulares e Escola Técnica (Etec) Paula Souza têm acesso agendado pela Secretaria de Educação. A telona exibe sempre os últimos lançamentos. No momento está sendo exibido o filme “007 Contra Spectre”. O cinema é mantido pela prefeitura. Tem 300 lugares.

Como o espaço é multiuso, no mês de dezembro ficou fechado para exibição de filmes por conta das formaturas. As exibições são sempre às 19h30 e muito prestigiada pelos moradores. É casa lotada sempre.

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Prédio que vai abrigar Centro Cultural depende 

de ser restaurado em Itapuí

Itapuí terá centro cultural para a exibição de filmes

A cidade de Itapuí (44 quilômetros de Bauru) não possui cinema e nem teatro. Os equipamentos do cinema já estão na prefeitura e assim que a obra do Centro Cultural, um espaço multiuso for concluído, os moradores terão teatro e cinema.

Segundo o prefeito Eduardo Amantini (PSDB), um convênio com o governo estadual está para ser assinado para a conclusão do Centro Cultural. “Estamos prestes a assinar um convênio. Estamos aguardando o governo do estado liberar R$ 150 mil. A obra teve início na outra gestão, mas o prefeito usou dinheiro  em outra obra. Eu tive que devolver R$ 117 mil e o centro ficou sem acabar”, lamenta.

A expectativa de Amantini é concluir a obra até o final de sua gestão. “O Centro Cultural terá 122 lugares onde poderá ser desenvolvida as mais variadas atividades culturais. De peças teatrais a formaturas de alunos. Exibição de filmes, os equipamentos já estão no meu gabinete.”

Ele lembra que enquanto não tem sala de cinema, a praça serve para exibição de filmes. “Em três anos de gestão nós exibimos no máximo, quatro filmes na praça. Os moradores que gostam da sétima arte viajam para Bauru e Jaú.”

Ibitinga não tem cinema

Na cidade de Ibitinga (90 quilômetros de Bauru) não há uma sala de cinema. Os filmes são exibidos no auditório do Centro Integrado de Educacional de Ibitinga, com 450 lugares, porém esporadicamente. O secretário da Cultura, Richard Porto de Rosa, pretende, ainda este ano, levar filmes infantis para os bairros.

O projeto ainda está no papel, mas ele garante que vai lutar para colocá-lo em prática. “O cinema nos bairros será voltado ao público infantil. Pretendo usar um lugar aberto para que pelo menos 200 pessoas consigam assistir aos filmes. Os moradores da cidade, quando querem ver algum lançamento têm que se deslocar até Araraquara ou Bauru.”

De Rosa lembra que o cinema local fechou há bastante tempo. “O teatro vai ser finalizado. A obra está parada desde 2009. A prefeitura proporciona atrações culturais gratuitas a população, ao menos duas vezes ao mês, com peças teatrais, danças, músicas, performance e exibição de filmes.”

As obras do teatro municipal passou por perícia técnica em 2013  que  constatou que  a estrutura do prédio está perfeita e apta para a sua conclusão. A prefeitura fez uma concorrência pública e as obras serão retomadas. Há expectativa de que ainda este ano o teatro seja inaugurado.

Cine de Bocaina é usado esporadicamente para exibição de filmes e outros eventos

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Cine Jequitibá da cidade de Bocaina, inaugurado em 1950, passou por reformas em 2000

O cine Jequitibá em Bocaina (69 quilômetros de Bauru) é recheado de histórias. O imóvel foi construído especialmente para esse fim. A obra teve início por volta de 1950 através da iniciativa privada e dois anos depois, ele foi inaugurado com o filme, “Romance Carioca”. A partir daí e, até o final da década de 70, os bocainenses não precisavam mais sair da cidade para ir ao cinema. Mas, por uma sucessão de acontecimentos, as projeções chegaram ao fim. Em 2000 ele foi reinaugurado todo restaurado. Atualmente, o prédio necessita de reformas e é usado para exibições esporádicas.

Na década de 80, os amantes da sétima arte levaram um susto: além de não se exibir mais filmes, cogitava-se a venda do imponente prédio para uma fábrica de vassouras. Houve então uma mobilização para que o poder público adquirisse o imóvel. Para o alívio de todos, a prefeitura comprou o prédio que, por anos, ficou semiabandonado com atividades esporádicas. A atual diretora da Cultura da cidade, Patrícia Rebeca Nigro Rivera, pretende voltar com a exibição de filmes sistematicamente.

“Temos a sala do cine Jequitibá que às vezes é usada para apresentação de cinema, teatro e até formaturas. O prédio é bastante usado para eventos que a prefeitura ou a cidade realiza. filmes. Estamos organizando um plano de filmes. Queremos exibir, pelo menos uma vez por mês, um filme.”

No ano retrasado e passado foram feitas exibições esporadicamente. “Queremos fazer uma coisa mais constante, a partir de fevereiro. Pensamos em exibir filmes antigos, que todo mundo pede e lançamentos. O cine é usado para apresentações esporádicas de teatro.”

Os moradores de Bocaina procuram Jaú, Bauru e Araraquara para assistirem aos lançamentos, comenta a diretora. “Onde tem salas com ar-condicionado. São filmes que estão em cartaz, é outra realidade. É um recurso que nós não temos na nossa sala. Nosso prédio está precisando de uma boa reforma. A gente fez um pedido ao governo federal, recurso ainda não foi liberado.”

Cineteatro está sendo restaurado

Um grupo de idealistas de Agudos resolveu restaurar o prédio do antigo Theatro S. Paulo com a ajuda de leis de incentivos fiscais e doações de empresas

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Antigo Theatro São Paulo passa por uma restauração completa para ficar igual como era o prédio em 1910 e será um cineteatro 

Na cidade de Agudos (13 quilômetros de Bauru) os amantes da sétima arte viajam para assistir algum filme de seu interesse. Lá não tem cinema e a sala de teatro fica no seminário Santo Antônio. Em breve, essa situação vai mudar. Um grupo de idealistas resolveu restaurar o cineteatro e com a ajuda de leis de incentivos fiscais estadual e federal. Eles lutam para conseguir concluir a restauração.
O prédio foi construído em 1910 pelo avô de José Mauro Napoleone, 69 anos, que era um construtor. E na iminência de ser demolido ou transformado em igreja, o neto resolveu arregaçar as mangas e buscar verbas que pudessem manter o imóvel em pé e resgatar a história e a importância da família na cidade. 

“Estou ligado ao meu sobrenome Napoleone. Estou fazendo isso em homenagem ao meu avô. Não tenho intenção de tocar o cinema. Eu quero ver o cinema preservado e restaurado. Vou entregar para a prefeitura que irá administrar. O imóvel é deles. Eu sou o responsável pelas verbas que conseguimos. Conduzo a restauração. A medida que chega o recurso, eu que sou encarregado de aplicá-lo.”

A história cheia de detalhes e luta começou quando um idoso amigo de José Mauro Napoleone ficou sabendo que o cineteatro da cidade poderia ser demolido ou virar uma igreja. “Na época o prefeito era o Carlos Octaviani. Vai completar 10 anos. Ele disse que a prefeitura não tinha recursos para fazer o restauro e desafiou a gente a buscar verbas por nós mesmos. Ele fez um decreto municipal e eu fui nomeado presidente. A comissão fundou a Associação de Defesa do Patrimônio Histórico de Agudos (Adepha).”

O ano era 2006, explica Napoleone. “Começamos a fazer um projeto e demos entrada em 2007 pela lei Rouanet. Um outro projeto paralelo pela lei de incentivo fiscal estadual. Os dois foram aprovados mais ou menos no mesmo período, final de 2009. Começamos a receber recursos em 2010. A restauração foi orçada inicialmente em R$ 2,6 milhões. “Recebemos a verba de R$ 500 mil, destinação feita pela Ambev, e iniciamos a obra. Ao longo de 2010, 2011 e 2012 até 2013, fomos captando de pessoas físicas diversas. Só em 2011 conseguimos usar recursos da Lei Roaunet que destinou R$ 890 mil. Todos os recursos foram praticamente, aplicados.” 

Obra caminha a passos lentos desde 2013

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Interior do prédio de Agudos onde vão ser instaladas as poltronas, a tela e o palco, dentro do projeto de restauração do cineteatro

Napoleone explica que em 2013 a Adepha foi atrás da Ambev novamente. “Ela nos desafiou a fazer um novo projeto com a estimativa de quanto faltava para concluir o restauro. À época achávamos que com uma verba de R$ 1,5 a R$ 2 milhões conseguiríamos acabar tudo. O projeto teve ser reduzido, era o máximo que poderia ser feito pelo ICMS, então foi orçado em R$ 1 milhão.”

O projeto foi aprovado em 2014 e 2015, porém a Ambev não destinou recursos. “Perdemos o projeto. Atualmente a obra está praticamente parada. Não está totalmente parada, pouca coisa está sendo feita como pintura da fachada. Internamente, a Deca através Duratex vai doar louças e metais então estamos terminando os banheiros. A parte interna está bem adiantado.”

Ainda falta uma parte bem cara, avalia o presidente da Adepha. “Toda a parte elétrica, o ar condicionado, o forro que seria feito com o recurso do ICMS que não saiu. Em fevereiro vamos entrar novamente com o projeto de R$ 1 milhão para tentar captar ainda este ano através do Proac. O restante a prefeitura vai fazer.”

Napoleone enfatiza que como o prédio é do município a administração colocou no orçamento uma verba de R$ 1 milhão e pouco para completar o que faltar. “Poltronas, a parte de projetores, iluminação. Não temos previsão de entrega da obra, porque em fevereiro vamos entrar com o projeto e se vai ser aprovado ou não, ainda não sabemos.”

A aprovação é quase certa, opina. “Esperamos que seja aprovado. Temos uma promessa formalizada com contrato da Ambev para destinação de pelo menos R$ 500 mil. Uma promessa verbal da Duratex dos outros R$ 500 mil. Se aprovar o projeto tenho quase certeza que sairá esse R$ 1 milhão. O restante ficará por conta da prefeitura. Não acho que a obra terminará este ano.”

Cineteatro terá 400 lugares

O cineteatro de Agudos terá 400 lugares. Um palco para teatro e cinema. Na parte frontal foi reservado um espaço para um café e lanchonete. “Um espaço para um café com pão de queijo, por exemplo. Eu acho que a prefeitura não tem estrutura para tocar isso. Fatalmente depois de concluída a restauração, a administração terá que contratar um concessionário privado para tocar a lanchonete e o cineteatro.”

Jaú tem três cinemas, um gratuito mantido pela prefeitura e outros dois da iniciativa privada

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Prefeitura desenvolve projeto Aprendendo no Cinema com alunos da rede municipal de ensino

A cidade de Jaú é privilegiada no item sétima arte. Tem três cinemas e um deles é gratuito. As exibições são feitas a semana toda para os alunos da rede municipal e nos finais de semana, aberto a toda a população. O projeto tem oito anos.

O encarregado do cine municipal, Gilberto Justino dos Santos, explica que os filmes gratuitos são em DVD exibidos com projetor Datashow. Temos um projeto com as escolas do município. Exibimos filmes de manhã e tarde para esse público. Nos finais de semana abrimos ao público em geral. O matinê é às 14h e à noite às 20h, os filmes são dedicados a um público mais adulto de 14 anos a 16 anos. Nas sessões noturnas é solicitado documento do espectador. A maioria dos filmes são educativos, romance e drama.”

As exibições gratuitas têm sempre novos filmes, uma vez que eles são trocados toda semana, avisa o encarregado. “O cinema existe desde 1974. Em 2007 passou a exibir filmes gratuitos. O cine municipal batizado de Clodomiro Celulare é uma homenagem ao avô do ator Edson Celulare e fica no interior do paço municipal. Na semana passada dois filmes podiam ser assistidos gratuitamente: Quarteto Fantástico e Andry Birds Toons.

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