Cultura

Coroa Imperial traz sonho latino-americano

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Aceituno Jr.
Bateria da Coroa Imperial da Grande Cidade dos mestres Mi e Gabriel; na parte de cima da página, adereços cheios de cores

O “sonho latino-americano”, os povos pré-colombianos e os que aqui chegaram, a cultura e as crenças, as belezas naturais, a história e o futebol estão no enredo “América: mestiça, mãe terra”, que a Coroa Imperial da Grande Cidade traz para o desfile no dia 8 de fevereiro em Bauru.

A motivação é o desejo por uma América Latina mais unida. “O Brasil se volta para o Atlântico, para a Europa, e esquece que tem todo um continente de povos irmãos na cultura, nos negócios, no mercado de trabalho...”, justifica o carnavalesco Claudio Goya.

“Vamos ressaltar aqueles que participaram da construção da América Latina: os indígenas, os negros e os brancos”.

Com a comunidade

Goya é professor doutor do curso de design da Unesp de Bauru e há três anos está envolvido com a escola de samba sediada no Núcleo Presidente Geisel. Lá ele desenvolve com universitários o Projeto Laboratório de Design Solidário. “Hoje são 17 alunos que atuam no desenvolvimento da escola com a comunidade. A gente não chega com o pacote pronto, trabalhamos juntos”.

E como trabalham! Tudo, das fantasias aos detalhes das alegorias, é produzido por essa equipe de forma artesanal. “Aqui não se comercializa nada e 90% do trabalho é voluntário, as fantasias são feitas pela comunidade com amor e doadas. Trabalhamos para gerar alegria e identidade, preservar a cultura na cidade”.

O professor e carnavalesco destaca ainda que há uma função social na escola de samba. “A bateria da Coroa Imperial é bem jovem e está revelando bons instrumentistas”.

O bairro se movimenta e o esforço é recompensado. “Uma senhora me disse: ‘que bonito, vocês trabalham pela alegria dos outros!’. Para mim, o legal é quando a gente vai entrar na avenida e vê a emoção e a felicidade das pessoas”.

‘Família de Carnaval’

Embora o tema tenha sido pensado logo após o desfile do ano passado e os trabalhos tenham começado em junho, a verba chega em cima da hora e colocar a escola no Sambódromo é um desafio. Nos dois meses que antecedem o Carnaval todos unem esforços e passam o dia no barracão.

“É corrido, sempre tem um detalhe para acertar, mas além de família do Carnaval, somos vizinhos e amigos, tudo a gente faz festa e está junto”, conta Juliana Diniz. Ela secretaria o presidente da Coroa, Avelino de Souza, seu padrinho do casamento com Arthur Munhoz Roque, diretor geral da escola.

“A expectativa é grande, a gente não vê a hora de mostrar nosso trabalho. Vai estar bonito!”, garante Arthur.

Samba-enredo

Autores: Léo do Rasi e Guto do Banjo

Sou latino-americano... Ô, ô, ô, ô

E “loco” por ti América... Meu amor

Eu moro num país tropical

Onde brotou minha Coroa Imperial

Terra abençoada pelos deuses

Emancipada, como Bolívar sonhou

Fronteiras apagadas... Correntes quebradas

E a liberdade raiou

Juntou pedaços... Uniu os laços

Nossos traços se latinizou

O sol com teu calor

E a lua majestosa

Vêm temperar essa mistura tão gostosa

E iluminar minha Coroa Verde e Rosa

Negros, brancos, índios... Linda miscigenação

Rica mistura... Costumes e culturas

Do portunhol... Do chimarrão

Do samba no pé... Futebol, o olé

Nossa crença e fé... Nossos rituais

Essa brava gente de sangue “caliente”

Pede simplesmente união e paz

E assim, na lavagem do Bonfim

Baianas entoam numa só voz

Ô, ô, ô, ô, meu Senhor, olhai por nós!

Comentários

Comentários