| Douglas Reis |
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| Velados juntos, os corpos das três mulheres foram enterrados nessa quarta (20), por volta das 12h30, sob forte comoção, no cemitério Cristo Rei |
Mais um triste capítulo do crime bárbaro que chocou Bauru na última terça-feira (19) começa a ser delineado. Durante a reconstituição do crime, João Paulo Barros de Oliveira contou à Polícia Civil que pretendia queimar os corpos das três mulheres mortas, inclusive da criança, que foi testemunha presencial da ação e conseguiu fugir.
“A ideia dele era colocar todos os corpos dentro do carro e tacar fogo, para não deixar pistas, mas ele tentou matar a menina e não conseguiu, porque ela saiu gritando por socorro. Então, ele fugiu e colocou fogo apenas no carro, acreditando que estivesse eliminando uma prova”, aponta o delegado Kleber de Oliveira Granja, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), responsável pelo caso.
O delegado reforça que não há dúvidas de que o crime tenha sido premeditado.
A menina de cinco anos, filha da operadora de caixa Cristiane Lopes Vendramini, 32 anos, teve ferimentos no antebraço ao fugir do assassino. Ela presenciou a morte da mãe, da tia de criação Patrícia Pâmela Rondora Peixoto, 27 anos, e da avó Damiana Pereira Lopes, 72 anos, mortas a pauladas e facadas em casa por João Paulo, por volta das 5h da manhã, na Vila Industrial.
Os corpos das três mulheres foram enterrados nessa quarta (20), por volta das 12h30, sob forte comoção no cemitério Cristo Rei.
A criança está sob os cuidados de familiares e passa bem, assim como o idoso.
“Ele acabou com a nossa família. Só espero que a justiça de Deus seja feita”, lamentou Márcio Peixoto, pai de Patrícia, que era namorada do assassino.
100 anos de prisão
No dia do crime, o acusado chegou a alegar ter agido em legítima defesa, dizendo que Patrícia, em razão de ciúme exacerbado, teria partido para cima dele, junto com a irmã e avó, com pedaços de pau e faca. E que ele teria golpeado as três em reação.
Versão que é rebatida veementemente pelo delegado, que reforça a tese de autoria do triplo homicídio quadruplamente qualificado, cometido por motivo fútil, por meios que impossibilitaram a defesa das vítimas, de forma cruel e com traços de feminicídio.
Pesa contra João Paulo ainda a tentativa de homicídio contra a menina de 5 anos e os danos cometidos contra o carro de Cristiane com uso de material inflamável.
Somadas as penas máximas, João, se condenado por todos os crimes hediondos, pode pegar mais de 100 anos de prisão, explica o delegado.
Depoimentos colhidos com testemunhas também refutam a versão dele. “Um familiar deixa claro que era uma tragédia anunciada”, afirma Kleber. “O acusado alega que ela o ameaçava de morte e que teria desferido uma facada contra ele no sábado, mas não há registro algum disso. A versão dele não procede”, comenta Kleber.
Patrícia Pâmela Rondora Peixoto, 27 anos, foi encontrada deitada na cama e com coberta, reforçando a tese de que ela estava dormindo quando foi morta.
Inquérito
O inquérito sobre o caso deve ser finalizado em até dez dias, quando a DIG solicitará a prisão preventiva de João Paulo. A tese sobre a autoria, a motivação e a materialidade dos crimes, no entanto, já está formada.
O delegado diz que, para conclusão do inquérito, aguarda laudos como o da lesão corporal das quatro vítimas, dos exames periciais e diagnose do sangue humano encontrado na roupa de João Paulo.
O acusado permanece preso. O local não é divulgado pela polícia para a preservação da integridade física dele.
Técnicas minimizam efeitos dos traumas
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| Psicóloga Ivana Priscila Rocha |
Traumas como o vivido pela garota de 5 anos, que presenciou a morte da mãe e outras duas familiares, podem ser minimizados com acompanhamento psicológico e algumas técnicas que podem ajudar na reconstrução do “novo mundo” após a tragédia.
A psicóloga Ivana Priscila Rocha, 31 anos, especialista da área de psicoterapia adolescente e individual falou ao JC sobre o assunto.
JC -Que tipos de atividade lúdica pode contribuir nessas situações?
Ivana Rocha - O desenho-história tem sua fundamentação em teorias e práticas da Psicanálise, das técnicas projetivas e da entrevista clínica. Faz com que a criança apresente uma devolutiva sobre a situação real dentro do seu contexto. Essa atividade é realizada por meio de desenhos ou associação verbal à psicóloga. Quando a criança é colocada na condição de associação livre (desenho) tende a dirigir a setores emocionais no momento com maior sensibilidade. Assim, podem ser revelados os conflitos e perturbações emocionais e as frustações próprias delas.
JC - Como garantir que a criança se torne um adulto saudável do ponto de vista mental e psicológico?
Ivana Rocha - A criança precisará de apoio familiar (responsável) com muito carinho e proteção. Para que o “medo” que sofreu não gere conflitos internos. O medo também tem que ser tratado e orientado com atendimento psicológico. Para que a mesma entenda que a situação pode ter ocorrido apenas com um dos entes e, não necessariamente, ocorrerá em todas as situações na qual se envolverá sua família.
JC - Como fica a vida social desta criança após uma tragédia?
Ivana - O acompanhamento psicológico ajuda a amenizar o sofrimento e tratar suas inquietações, além de trazer benefícios e soluções para a vida futura sem conflitos internos. Logo quando o trauma acontece, a criança tem que ser abordada pelos responsáveis com muita cautela, pois é um momento de sofrimento e tragédia assistida.

