Bairros

Ao menos 17 prefeitos foram eternizados em logradouros

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 4 min

Na foto, o escritor e historiador Irineu Bastos ao lado da placa que sinaliza a avenida com o nome do seu pai, Irineu Bastos, no Lago Sul

Dos 30 prefeitos pesquisados pelo escritor e historiador Irineu Bastos, pelo menos 17 tiveram seus nomes e sobrenomes eternizados em vias e praças de Bauru. Com a ajuda do historiador, o JC nos Bairros conta um pouco da história de alguns deles.

O pai de Irineu (Irineu Bastos) é um dos prefeitos bauruenses que tiveram seus nomes eternizados em uma avenida (no residencial Lago Sul). Ele nasceu em Bauru no dia 15 de fevereiro de 1914, onde se casou com Odete Costa  Bastos. Faleceu no último dia de 1998.

Seu avô, José Martiniano Bastos, veio para o povoado de Bahuru com alguns filhos, em 1892. Entre eles, o pai de Irineu (José Júnior), que, com outro irmão e um primo, fixou o primeiro cruzeiro na antiga Praça Municipal, atual Rui Barbosa.

Irineu foi açougueiro na Vila Falcão, sitiante na região do Boa Vista e sócio do Bar Fulgor, na Praça Machado de Mello. Ele foi eleito vereador em 1947 e reeleito posteriormente. Foi presidente da Câmara de 1958 a 1959 e prefeito de Bauru entre os anos de 1960 e 1963.   

A rua Gerson França carrega o nome de um fazendeiro que chegou a Bauru em 1896, onde abriu uma farmácia. Participou da política, chegando a ser intendente (prefeito), quando o cargo era escolhido pelos vereadores (entre seus membros), além de presidente da Câmara (maior autoridade municipal na época). Assim, foi vereador de 1905 a 1907, quando ficou na intendência, e de 1908 a 1910. Por ter rompido com o grupo político de Azarias Leite, teve seu cargo de vereador declarado vago em fevereiro de 1910. Gerson França também foi fazendeiro.

A via com seu nome nasce na região da estação ferroviária, no Centro, e termina na quadra 20, no Jardim Estoril. Ao longo do seu percurso, a cidade muda bastante. O comércio do “centro velho” de Bauru vai dando lugar às residências da zona Sul.  

A rua Capitão João Antônio Gonçalves nasce na região do Altos da Cidade e se prolonga até a quadra 12, na Vila Cardia. Faz homenagem a um pioneiro de Bauru.
João Antônio Gonçalves foi fazendeiro e capitão da Guarda Nacional, órgão auxiliar criado pelo Governo Federal para auxiliar na segurança das localidades e instrumento político de dominação dos coronéis. João Antônio cultivava café e exportava pelo Porto de Santos, utilizando as ferrovias. Em 1895, foi eleito vereador no Município de Espírito Santo de Fortaleza, com outros cinco residentes no povoado do Bahuru, que pertencia a esse município. Na sessão de posse dos vereadores eleitos no dia 7 de janeiro de 1896, ele apresentou uma resolução na qual transferia a sede do município para o povoado, sendo aprovado pelos presentes, apesar do protestos dos vereadores residentes em Fortaleza. Em 1 de agosto de 1896, a sede foi transferida legalmente para Bauru, que já era distrito de paz desde 1893.

Uma das mais conhecidas avenidas de Bauru, a Engenheiro Luiz Edmundo Carrijo Coube  está localizada no Núcleo Geisel. Ela tem início na rotatória do Hospital Estadual e se estende até o fim da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Abriga também  a sede do Quarto Batalhão de Polícia Militar do Interior.

O bauruense Luiz Edmundo Carrijo Coube  nasceu em 12 de agosto de 1930. Seu pai, João Coube, foi o fundador da Tilibra. Engenheiro civil, ele foi presidente da Associação dos Engenheiros de Bauru e da Fundação Educacional de Bauru, hoje Unesp. Durante sua gestão, foram instalados a Faculdade de Engenharia, Ciência e Tecnologia e Colégio Técnico. Presidente do DAE,  no fim da década de 1960 e início de 1970, Luiz Edmundo foi responsável pela construção da casa de bombas para captação de água do Rio Batalha. Apoiado por Alcides Franciscato, foi eleito prefeito para o período de 1973 a 1976.

A rua Virgílio Malta é uma das mais populares do Centro de Bauru. Ela nasce nas linhas da antiga estação ferroviária e segue até a quadra 22, na Vila Samaritano.

Virgílio de Toledo Malta foi político em Bauru durante a República Velha. Foi eleito vereador nas legislaturas de 1920 a 1922, e de 1923 a 1925. Foi presidente da Câmara na primeira e prefeito na segunda. Ferrenho adversário de Gustavo Maciel, foi somente com o esforço do chefe político Raul Renato Cardoso de Mello, que ele reconciliou com Maciel. Doente, afastou-se no final do segundo mandato, vindo a falecer em 1926.

A rua Manoel Bento Cruz finda na quadra 20, na Vila Brunhari, próximo à avenida Duque de Caxias. Ela nasce no Centro, na altura do Hospital de Base.

Natural do Rio de Janeiro, Manoel Bento Cruz nasceu em junho de 1875, filho de portugueses de origem. O seu nome está gravado na história do desbravamento da região Noroeste do Estado, onde se destacou como pioneiro e colonizador, tendo fundado várias cidades. Em Bauru, o coronel Bento Cruz revelou-se como um dos mais produtivos prefeitos. Porém, sua atuação política em Bauru não foi além de quatro anos (1911/1915). Em Penápolis, também foi prefeito e faleceu em São Vicente.

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