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Grávidas entram em alerta após o primeiro caso de zika

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 5 min

Alex Mita
Camila Sodré conta que instalou tela em todas portas e janelas 
Alex Mita
De Pederneiras, Letícia Farias Tomé tem evitado vir para Bauru
Aceituno Jr.
Camila Rocha Coelho mantém um kit com repelente e citronela
Aceituno Jr.
Lidiane Oliveira: “De quatro em quatro horas reaplico repelente”

A confirmação do zika vírus em Bauru nos últimos dias transformou a rotina de algumas gestantes. Medo, pânico e até desespero são palavras presentes no relato apreensivo de quatro grávidas entrevistadas pelo Jornal da Cidade nesta semana.

A preocupação delas se dá por conta da relação estabelecida pelo Ministério da Saúde entre o zika vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, com a microcefalia, doença que deixa o crânio do feto ou do recém-nascido menor do que o normal, e à síndrome de Guillain-Barré, que é uma doença autoimune em que o sistema imunológico ataca o sistema nervoso por engano, o que causa uma inflamação nos nervos e fraqueza muscular.

O risco maior está associado aos primeiros três meses de gravidez, que correspondem à formação do bebê, segundo análise inicial de pesquisadores. Temor que tomou conta da família da agente administrativa Camila Rocha Coelho, 33 anos, grávida de dois meses e moradora da Vila Giunta, um dos bairros com grande incidência da dengue, transmitida pelo mesmo mosquito.

“Me previno para proteger um ser ainda indefeso. É desesperador pensar que um mosquito pode deformar meu filho”, dispara Camila. Desde que descobriu a gestação, há um mês, ela mantém um kit em sua bolsa. No lugar da maquiagem e batom, repelente específico contra o Aedes e óleo de citronela para os ambientes.

Não a toa. No ano passado, o marido e o filho dela foram acometidos pela dengue. “Não dá para brincar. Meu quarto parece até ter virado uma sauna depois que descobri a gravidez. É citronela para todo lado e janelas fechadas”, detalha.

‘Pesadelos’

Realidade sentida na pele por Lidiane Oliveira, 27 anos, que há poucos dias entrou no quarto mês de gestação e mora na região do Higienópolis, bairro em que a 1.ª acometida pelo zika em Bauru trabalha. “De quatro em quatro horas, eu reaplico o repelente e não abro a janela de jeito nenhum. Na hora de dormir, me enrolo toda no edredom. Não dá para brincar. Me previno para proteger meu filho”, afirma a empresária.

Com a confirmação do caso de zika registrado em uma gestante de Bauru nesta semana, a “neura” piorou, mesmo já tendo passado os três meses iniciais de gestação. “Estou em pânico. Tive vários pesadelos com isso, não posso nem escutar barulho de mosquito. Às vezes, nem consigo dormir imaginando o que pode acontecer com meu filho”, acrescenta a gestante, que trocou as saias e blusinhas de verão por calças e blusas de manga comprida para aumentar ainda mais a proteção.

Na saída da Maternidade Santa Isabel, Camila Sodré, 29 anos, respirava aliviada. As dores que sentiu na última quarta-feira (27), motivo de visita à unidade, não indicavam nada mais grave em sua gestação, também de 4 meses. “Essa história do zika na cidade deixou todo mundo com medo. Meu marido colocou tela ao redor de todas as portas e janelas da nossa casa para evitar o mosquito. E, de duas em duas horas, eu tenho passado repelente”, resume a gestante.

‘Evitando’

Outras duas gestantes que não são moradoras da cidade, mas que frequentam Bauru semanalmente, dizem estar evitando as viagens. “Só vim para cá para ir ao obstetra e volto para Pederneiras na sequência. Mesmo estando no final da gestação e sabendo que os riscos não são tão grandes assim, vale a pena fazer de tudo para evitar. Não quero que meu filho nasça com problemas por causa de um mosquito”, fecha questão Letícia Farias Tomé, 24 anos.

Moradora de Avaré, a bancária Fernanda Siewert, 38 anos, que descobriu a gravidez de gêmeos há um mês, também diz que tem evitado visitar a família em Bauru. “Minha vida é passar repelente. De três em três horas eu reaplico. Virou quase um hidrante. Mas estou tentando transferir meu ultrassom. Quero evitar ir a Bauru”, comenta a gestante, demonstrando extrema apreensão.

Entenda a doença zika vírus

Segundo informa o Ministério público em seu site, o zika vírus é uma doença viral aguda, transmitida principalmente pelo Aedes aegypti, mesmo transmissor da dengue e da febre chikungunya.

Seus sintomas são brandos e duram pouco tempo. Os maiores incômodos são febre baixa, coceira e comichão na pele, além de manchas avermelhadas. Apresenta evolução benigna e os sintomas geralmente desaparecem espontaneamente em até sete dias. Não há tratamento específico para a doença, só para alívio dos sintomas.

Os pacientes devem ser mantidos sob mosquiteiros durante o estado febril, evitando que algum Aedes aegypti o pique, ficando também infectado. Ainda não se sabe muito sobre as complicações que o zika vírus pode causar, principalmente se combinado à dengue.

Recentemente, ele foi relacionado pelo Ministério da Saúde à casos de microcefalia e à Síndrome de Guillan-Barré, em locais com circulação simultânea do vírus da dengue, porém a correlação não foi confirmada.

O vírus não é transmitido de pessoa para pessoa. O contágio se dá pelo mosquito que, após picar alguém contaminado, pode transportar o vírus durante toda a sua vida, transmitindo a doença para uma população que não possui anticorpos contra ele.

O mosquito Aedes aegypti mede menos de um centímetro, tem aparência inofensiva, cor café ou preta e listras brancas no corpo e nas pernas.

O indivíduo não percebe a picada, pois não dói e nem coça no momento. Por ser um mosquito que voa baixo - até dois metros - é comum ele picar nos joelhos, panturrilhas e pés.

Recomenda-se ao paciente com suspeita de zika procurar, de imediato, uma unidade de saúde mais próxima.

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