| Aceituno Jr. |
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| Segundo o IPMet, as temperaturas vão permanecer elevadas nos próximos dias em Bauru |
Fevereiro mal começou e já é responsável pela temperatura recorde para este mês nos últimos 16 anos, em Bauru. Segundo dados do Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet), a marca de 37,4 graus, que também é a mais elevada do ano até o momento, foi atingida às 15h45 dessa quarta-feira (3).
O calor tão intenso para meses de fevereiro não era registrado desde 2001, segundo dados do IPMet. O recorde, até então, era de 36,5 graus, aferido pela instituição em fevereiro de 2014. Alguns institutos de pesquisa apontam influência de fenômenos climáticos como o El Niño para explicar o grande volume de chuvas de janeiro de 2016, assim como o 2015 mais quente do que a média, algo que pode se repetir neste verão. Há, contudo, falta de consenso entre os pesquisadores.
Meteorologista do IPMet, André Mendonça de Decco afirma que, na região Sudeste, o El Niño pode influenciar apenas na elevação de temperaturas, mas destaca que o instituto não pode precisar os motivos do recorde histórico de fevereiro, já que realiza somente previsões do tempo de curto prazo. “Não é possível fazemos uma avaliação isolada sobre este mês. O início de janeiro, por exemplo, teve temperaturas muito baixas, então é preciso esperar a estação acabar para termos uma média”, observa.
Em estudo divulgado no final do ano, a Rede de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Urbanas - integrada por diversos institutos no mundo inteiro, incluindo pesquisadores da Fundação Osvaldo Cruz (RJ), sentenciou que o verão de 2015/2016 será um dos mais quentes dos últimos anos.
Mais quente
A mesma análise foi feita pelo Centro Nacional de Ciências Atmosféricas, que apontou que a elevação média de temperatura verificada ao longo de 2015 pode se repetir em 2016, possivelmente devido à aceleração do aquecimento global, após uma década de relativa estabilidade. Para se ter uma ideia, em 2015, Bauru registrou recordes de temperatura para os meses de janeiro, junho, julho e setembro em 15 anos.
Já o Climatempo considera que a alteração no regime de chuvas nos dois últimos verões foi provocada por bloqueios atmosféricos fortes e prolongados que impediram o avanço das frentes frias, resultando na grave crise hídrica experimentada em 2014. Mas, ainda de acordo com a empresa de meteorologia, o surgimento do El Niño - considerado o mais intenso desde 1997 - transformou este cenário, gerando chuvas fortes no Estado no início de 2016.
Em fevereiro, no entanto, o Climatempo estima que as áreas de instabilidade se espalharão sobre o País, com a região Sudeste registrando chuvas abaixo da média histórica e temperaturas dentro da normalidade. Em março, a situação deve se inverter, com previsão de chuvas dentro da média e temperaturas mais elevadas.
Previsão
Segundo o meteorologista do IPMet André Mendonça de Decco, as temperaturas permanecem elevadas nos próximos dias, mas com possibilidade de pancadas de chuva, principalmente no final da tarde. Para o Carnaval, a previsão é de intensificação das condições de instabilidade, com ocorrência de chuvas de maneira mais generalizada até ao menos segunda-feira.
