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Entrevista da semana: Takao Takisawa e Solange Takisawa

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

Fotos: João Rosan
Solange e Takao Takisawa; ele conta que quando ia aos bailes, no início, fugia pro banheiro com vergonha de dançar. Hoje não perde uma seresta
Só as pessoas felizes dançam e faz muito bem” Solange

Para eles dançar é muito além de coordenar o corpo em movimentos ritmados que combinam com a canção, é estabelecer rotina de vida, que proporciona saúde, energia, revitaliza convívios sociais e gera amigos. Assim o foi para o casal Takao Takisawa e Solange Takisawa, unidos pela dança e o amor à vida há 44 anos, pais de três filhos e que levaram tão a sério o prazer pela dança de salão que coordenam as ações sociais na Associação Luso Brasileira (Luso).

Os cursos, para sócios e não sócios do clube, são às terças-feiras e quintas-feiras, das 20h às 21h30. “Mas não costumamos perder uma seresta. Porque adoramos dançar. E adoramos estar com os amigos em confraternização através da dança”, contam.

O gosto pelos ritmos flui a tal ponto que Takao passou a desfilar no Sambódromo. Ele não deixa de falar, com orgulho, dos títulos colecionados (muitos deles por sinal), pelo Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos da Cartola, tradicional na cidade e com sede no Parque Vista Alegre (PVA).

Leia o que eles contam sobre os ritmos da vida:

Jornal da Cidade: Qual é pra vocês o segredo de convivência 44 anos juntos?
Solange: Acho que é o respeito, a cumplicidade. O casamento exige tolerância. Se você for fazer só o que você quer não segue.
Takao: O apoio, um ao outro, acho muito, muito importante. O casamento é muita renúncia.   

JC: Então é um aprendizado diário também?
Solange: Sim, exatamente. Tem que ter muita paciência. É evidente que existem as brigas, porque isso faz parte das relações. O problema é como se briga. Até que ponto eu estabeleço o respeito ao outro, mesmo quando não concordo com alguma coisa. Passar do limite não. E quando vêm os filhos, o casal precisa se integrar para transmitir aos filhos o que eles pensam.
Takao: Isso envolve respeito, sempre. A Solange é mais durona, mais firme do que eu. Foi assim com os filhos. A tradição japonesa no nosso caso influi também claro. O Takao é mais maleável que eu.

JC: A disciplina dos orientais vale pra vida então?
Solange: Sim vale muito. Essa coisa de respeitar os idosos é muito mais sólida nos japoneses do que no Brasil. Mas é cultural isso. A gente também passou isso pros filhos, graças a Deus.
Takao: O japonês preza a disciplina. E isso nós tentamos passar aqui, para as pessoas, e claro os filhos. O brasileiro é muito mais alegre, por outro lado, demonstra isso no dia a dia. São muito acolhedores. E isso não vemos em outro lugar.

JC: O senhor veste (na entrevista) a camisa da Cartola. Explica essa relação?
Takao: É uma longa história de prazer e amor com o samba, e a escola. Eu entrei na Luso graças à professora Sally. E comecei a ajudar na parte social do clube. No grupo, na empresa também, tinham carnavalescos. E isso gerou um grupo também para o Carnaval. Fomos convidados e não paramos mais. Saímos em 1996 em uma ala da Cartola. Adoramos. E, coincidência ou não, de lá para cá, fomos campeões várias vezes. Muitas vezes.
Solange: Nós gostamos da alegria, o ritno, as músicas, a bateria e de poder vestir uma fantasia diferente ,representar alguma coisa, um tema.

JC:  Já aprenderam a sambar no pé para o samba enredo?
Takao: Olha, nós nos viramos. É claro que não temos a desenvoltura dos brasileiros. É impressionante como sambam muito bem. Mas é natural daqui, é cultural daqui. Mas aprendemos o suficiente para ajudar a escola e nos divertir. E eu gosto muito de desfilar.
Solange: Mas no salão nós dançamos de tudo. Nós começamos fazendo dança de salão. Lá conhecemos a Sally, na academia dela, no curso. E fomos para a Luso. E já estamos há 25 anos dançando sem parar.

JC: A dança fez o elo de tudo a partir de então?
Takao: Sim, porque faz muito bem para o corpo, a cabeça. E nós adoramos dançar e estar com as pessoas. Enquanto tivermos saúde queremos estar juntos também na dança. E modéstia à parte, quando saímos por ai as pessoas elogiam a gente dançando.
Solange: E dançamos de tudo, bolero, samba, valsa. Fomos nos adaptando aos ritmos. Mesmo o samba de pé, que tem de ter aquela agilidade que é muito especial.

JC: Então vamos aproveitar e tirar os casais que estão parados do sedentarismo. O que vocês aconselham?
Takao: Já vi muitos médicos recomendarem que pessoas doentes fossem para um curso, saíssem para dançar, mexer o corpo. E isso sendo orientação de saúde primeiro. E faz muito, muito bem mesmo. Já vi pessoa com problema de coração, com depressão, que curou. E o médico tirou até o medicamento. Olha, se japonês aprendeu a dançar, todo mundo consegue. Tive muita dificuldade no começa.
Solange: E muita gente casou, se uniu a partir da dança. É uma forma de viver a vida e a se interagir com as pessoas. É um ambiente muito alegre. Só as pessoas felizes dançam.

Perfil

Nome:        Takao Takisawa    Solange Takisawa
Nascimento:    Nagano (Japão)        São Paulo
Filhos:             Fábio (42), Márcio (40 e Marcelo (37)
Time:                Santos            São Paulo
Nota 10:       Tia Sally                 Ninguém merece 10
Nota 0:           Corrupção         Ninguém merece zero
Comida:            Sachimi            Sachimi
Viajar:             Litoral brasileiro        Europa
Música:           Ouço de tudo        Ouço de tudo

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