| Aceituno Jr. |
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| Cristiane Cruz leciona para 12 alunos do projeto Seara de Luz, situado no bairro Ferradura Mirim |
Cristiane Cruz tem 42 anos e é cabeleireira há 21, ou seja, dedicou metade de sua vida ao ofício, que tanto lhe dá orgulho. Tal experiência não poderia ser “desperdiçada” e ela decidiu repassá-la, de graça, aos moradores da periferia de Bauru, oferecendo uma chance de subir na vida, mesmo diante da crise econômica. Atualmente, ela leciona para 12 alunos do projeto Seara de Luz, situado no bairro Ferradura Mirim, um dos mais carentes da cidade.
Há seis anos, Cristiane decidiu ensinar o que sabe às pessoas de baixa renda e sua primeira turma era formada por assentados de duas fazendas de Piratininga. “Os assentados cortavam os cabelos uns dos outros. Diante disso, aqueles que não quiseram exercer a profissão adquiriram conhecimento e técnica para ‘se virar’ entre eles”, relembra.
Na ocasião, a cabeleireira realizava festas beneficentes para arrecadar dinheiro e comprar as ferramentas de trabalho. Cristiane conseguiu adquirir oito kits, que foram doados aos melhores alunos do curso, que tem duração de um ano. Atualmente, a capacitação é a mesma, mas o público-alvo passou da área rural para a urbana.
Neste ano, a cabeleireira firmou uma parceria com o projeto Seara de Luz, do Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac).
Teoria e prática
De graça, ela leciona ética, fisiologia capilar, corte, coloração, descoloração e alisamentos em aulas práticas e teóricas a 12 moradores do bairro Ferradura Mirim, onde está situado o projeto Seara de Luz. Quem está bastante empolgada com a capacitação é a dona de casa Bruna Fernandes Diniz, 24 anos, que enxerga o curso como uma oportunidade de aumentar a renda familiar, já que não consegue emprego há um bom tempo.
Para Cristiane, não existe nada mais rico do que ter uma profissão vitalícia e hereditária. Além disso, ela considera gratificante oferecer uma perspectiva de vida a mais às pessoas de baixa renda.
A cabeleireira acrescenta que o ofício que exerce é rentável, inclusive, em tempos de “vacas magras”. “Os homens não deixam de cortar os cabelos, ao menos, uma vez por mês e a maioria das mulheres possui alguma química que necessita de retoque”, finaliza.
Serviço
Cristiane promove, até o momento, atividades teóricas junto aos alunos, porque ainda não conseguiu as ferramentas de trabalho para todos os estudantes. São necessários produtos de beleza, escovas, secadores, tesouras, enfim, diversos itens. Se alguém quiser ajudá-la a dar continuidade ao projeto, basta entrar em contato através do telefone (14) 99702-8899 e do e-mail cristianecruz_@hotmail.com.
