| Reprodução/Facebook |
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| Fausto Moscogliato/Divulgação |
| As últimas anotações que o professor de geografia Rubens José Benini fez na lousa foram sobre a China |
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Era por volta das 7h10 dessa quinta-feira (12) quando o professor de geografia Rubens José Benini, aos 70 anos, finalizava a lousa com textos sobre a China. Este seria mais um capítulo das aulas ministradas por ele, rotineiramente, aos alunos do 3.º colegial de uma escola em Duartina, mas a lição foi interrompida. Rubão, como era chamado carinhosamente por amigos, estudantes e familiares, foi acometido por um infarto e morreu em sala.
“Ele fez as anotações, virou para explicar e caiu. Chegou a ser socorrido pelo Samu, mas as tentativas de reanimá-lo foram frustradas, infelizmente”, lamenta José Carlos Marques, diretor e coordenador do ensino médio e dos cursinhos do Preve Objetivo.
Rubens, segundo conta Silvia Benini, uma de suas filhas, teria passado a última noite e madrugada em frente à televisão, assistindo a votação do Senado e torcendo pelo impeachment. “Ele acordou atrasado e saiu correndo”, diz.
Ao chegar à escola, o professor já apresentava dores, desconforto e sudorese. A direção da unidade teria o aconselhado a procurar um médico. “Mas ele negou, disse que ficaria bem e que queria dar aula”, detalha Marques.
Vida
Geógrafo apaixonado, Rubens lecionava no Preve Objetivo há 24 anos. O apego pelo magistério surgiu logo depois de ele se aposentar como funcionário administrativo de uma multinacional. “A vida dele era dar aula. Não queria parar por nada, e nos dizia que, se fosse para morrer, queria morrer dando aula”, lamenta a filha Silvia Benini.
Em meados de 2015, o professor chegou a sofrer um infarto e necessitava de cirurgia para diminuir os riscos de novos ataques. Mas ele se negou a fazer o procedimento médico, segundo a filha.
Amante do magistério, Rubens formou uma espécie de “segunda família” pelas unidades onde lecionou. “Perdi o meu segundo pai. Era um exemplo”, lamenta o professor Fernando Mendonça.
A aluna Bianca Caprioli também lamentou. “Era amigo, brincalhão e servia de inspiração para outros professores”, afirma a estudante.
Companheiro de escola, o biólogo e professor Luiz Roberto Relvas prestou sua homenagem a Rubens no Facebook: “Você caiu como um soldado no front, fazendo o que mais gostava. Rubão, nosso master, nossa referência. A partir de agora será nosso anjo da guarda.”
Além da esposa Maria Helena, Rubens deixa os filhos Rubens, Ângela, Leonardo, Carolina, Silvia, Ana Paula e Otávio (em memória), além de 10 netos.
O corpo é velado no salão nobre do Terra Branca, no Centro. O enterro deve ocorrer nesta sexta-feira (13) às 16h30.

