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'Não dói o útero e sim a alma', escreve adolescente vítima de estupro coletivo

Por Idiana Tomazelli | Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 3 min

Em seu perfil no Facebook, a jovem de 16 anos que foi vítima de um estupro coletivo no último sábado, 21, no Rio, agradeceu as mensagens de apoio. Na mensagem publicada na rede social na quinta-feira (26), ela escreveu: "Realmente pensei serei (sic) que seria julgada mal! Mas não fui", diz a jovem. "Não, não dói o útero e sim a alma por existirem pessoas cruéis sendo impunes!! Obrigada ao apoio."

Desde que o caso veio à tona, as redes sociais foram inundadas de campanhas contra a violência sexual contra mulheres. Inúmeros usuários colocaram a frase "Eu luto pelo fim da cultura do estupro" eu sua imagem de perfil.

Até o momento, foram identificados quatro homens suspeitos de participar do crime: Michel Brazil da Silva, de 20 anos, Lucas Perdomo Duarte Santos, de 20 anos, Raphael Assis Duarte Belo, de 41 anos, que aparece na imagem do lado da jovem, e Marcelo Miranda da Cruz Correa, de 18 anos, envolvido na divulgação das imagens da vítima. Todos tiveram a prisão preventiva pedida pela polícia.

Por meio de seu advogado, Marcelo afirmou que não sabia que a jovem havia sido violentada. Ele contou ter recebido a foto num grupo de WhatsApp e, em seguida, compartilhou em sua conta no Twitter, já excluída da rede devido à repercussão.

"Ele brincou de maneira absurda. Faltou maturidade, não foi com intenção de causar vexame à garota", disse o advogado Igor Luiz Carvalho. "A família está arrasada. Ninguém concorda com o ato dele de divulgar a foto, foi até uma monstruosidade. Mas ele não sabia que era um estupro", afirmou.

Na fotografia compartilhada por Marcelo, estava um dos homens envolvidos diante do corpo da jovem, estirado de bruços sobre a cama. Segundo o advogado, seu cliente não conhecia a vítima nem os agressores. Em depoimento à polícia, a garota contou que foi atacada por 33 homens e só lembrava de ter acordado no dia seguinte, "dopada e nua".

O advogado classificou o pedido de prisão de Marcelo como "descabido" e disse que a polícia está atuando "de forma midiática". "Ele não participou do estupro, nem sabia que a menina tinha sofrido violência sexual", insistiu. O advogado informou ainda que seu cliente não se apresentará às autoridades e que ele tentará reverter o pedido de prisão.

Vítima de estupro coletivo presta segundo depoimento

Fernanda Nunes

A adolescente de 16 anos vítima de um estupro coletivo no último fim de semana chegou às 17h desta sexta-feira (27), à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), da Polícia Civil, para prestar um segundo depoimento.

No primeiro depoimento, na madrugada de quinta-feira (26), disse que 33 bandidos armados de fuzis e pistolas participaram das agressões sexuais que sofreu em uma casa no morro do Barão, na Praça Seca, zona oeste.

Acompanhada da mãe e da advogada Eloísa Samy Santiago, a vítima, ao chegar à Cidade da Polícia (sede das delegacias especializadas, na zona norte), teve a cabeça coberta por um agasalho e não deu entrevistas. A advogada disse que não houve "suposto estupro", como dissera, em entrevista no início desta tarde, o chefe de Polícia Civil, delegado Fernando Veloso. "Não tem nada de suposto estupro, foi estupro", disse ela.

Também compareceu ao DRCI Eduardo Antunes, o advogado que defende o suposto namorado da adolescente, o jogador de futebol Lucas Perdomo Duarte dos Santos, o Luquinhas, de 20 anos.

Segundo o advogado, o meia do Boavista, time da primeira divisão do Campeonato Estadual, disse que esteve com ela 48 horas antes do estupro coletivo. "Ele soube que está sendo acusado pela imprensa", afirmou o advogado.

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