Davi Luiz mal chegou ao mundo e já enfrentou as consequências da criminalidade. O pequeno teve todo seu enxoval furtado enquanto sua mãe dava à luz na Maternidade Santa Isabel, na semana passada.
As bolsas com roupas e cobertores da criança e da mãe foram levadas em hora incerta do porta-malas do carro da família, estacionado na quadra 16 da rua Machado de Assis, ao lado da unidade hospitalar.
E, pelo que tudo indica, eles não foram os únicos a sofrer com o problema. Nos últimos dias, pacientes que frequentam o hospital passaram a ser alertados própria unidade sobre uma possível onda de furtos que tem acometido aquela região nos últimos dois meses.
A Polícia Militar (PM) diz ter sido comunicada sobre os problemas e, há algumas semanas, tem mantido uma atenção especial em regiões próximas à maternidade e ao Hospital de Base, que também teria sofrido com problema parecido.
“À medida que o número de ocorrências atendidas pela Base Sul diminui, os policiais são deslocados para esse patrulhamento preventivo”, detalha o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume, comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I).
Prejuízo
Prevenção que não bastou para coibir a ação do ladrão no último dia 23 e que deixou Davi e sua mãe, Amanda Rodrigues, de 37 anos, desamparados no hospital.
“Levei quase tudo o que tinha comprado. Cobertores, mantas, produtos de higiene dele e meu e roupas. Entrei em desespero quando meu marido falou. A sorte é que o pessoal da maternidade e de um centro espírita nos ajudou com doações”, conta Amanda. “Compramos as roupinhas e o enxoval com tanto sacrifício, não dá para entender como alguém é capaz disso”, lamenta a mulher, contando que, há meses, se preparava para receber o sétimo filho. “Mas sempre é como se fosse o primeiro”, completa Amanda.
De todo o enxoval levado, restou apenas uma bolsa, que estava com exames, e foi abandonada pelo bandido na calçada de uma padaria em frente ao hospital.
Sem registro
O crime foi percebido pelo marido de Amanda, o mecânico Wanderson Costa, de 36 anos, apenas no final do dia, quando a mãe e o bebê foram para o quarto. “Chegamos de manhã ao hospital, mas ele (marido) ficou o tempo todo comigo, praticamente. Não abrimos o porta-malas antes disso”, afirma Amanda.
Até ontem, a família não havia registrado o furto na Polícia Civil.
Em entrevista ao JC, Bianca Torres, assistente social da Maternidade Santa Isabel, informou que o hospital tem adotado medidas internas para evitar que os pacientes deixem malas dentro dos carros. “Não tenho conhecimento de quantos casos aconteceram, mas é algo que está ocorrendo e, por isso, começamos a orientar os pacientes a não deixarem nada visível e a tirarem as malas dos carros”, afirma a funcionária.
Ela ressalta ainda que a unidade hospitalar concedeu todo o suporte social e que a mãe e a criança citadas na matéria receberam doações e amparo na unidade.
‘Medida eficaz’
A Polícia Civil informou que, por conta de ontem ser ponto facultativo e de o órgão estar trabalhando em regime de plantão, não foi possível verificar se o caso do furto do enxoval não foi mesmo registrado. “Ainda assim, será determinada a realização de assinalação criminal visando identificar eventuais outras ocorrências análogas, as quais ensejariam investigações específicas por parte do Setor de Investigações Gerais da Central de Polícia Judiciária de Bauru”, aponta Luiz Roberto Saúd Bertozzo, delegado seccional em exercício.
“Consigne-se que a noticiada intensificação do patrulhamento preventivo e ostensivo por parte da Polícia Militar é medida que vem se demonstrando extremamente eficaz, como, por exemplo, no caso das últimas prisões em flagrante de indivíduos praticando roubos, recentemente noticiadas, as quais propiciaram à Polícia Civil o aprofundamento das investigações em relação aos autuados, o que resultou no esclarecimento da autoria de inúmeros outros roubos havidos, com o mesmo ‘modus operandi’”, conclui.