Tribuna do Leitor

Sindicato dos Bancários de Bauru (da Conlutas) inicia caça às bruxas

Arthur Monteiro Jr. é advogado
| Tempo de leitura: 3 min


“A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa.”(Karl Marx)

25 de abril de 2016. Parecia mais um dia do meu plantão jurídico, no Sindicato dos Bancários de Bauru, quando irrompe na sala de atendimento da entidade uma comissão de diretores: era a minha demissão. Uma carta, a negação do pagamento de qualquer verba rescisória ou indenização e a reprodução da fala dos piores patrões: “Procure seus direitos na Justiça!” e estavam consumados 25 anos de trabalho e dedicação ao projeto de um coletivo jurídico que aliava profissionalismo, com o compromisso militante dos seus advogados, em defesa da classe trabalhadora.

Com a posse da nova diretoria da entidade, em março último, encerrou-se um ciclo para a categoria bancária de Bauru, iniciado em 1986, com a derrota, na disputa para a direção da entidade, do arquipelego denominado “João do Crime”.

Neste período de 30 anos, o Sindicato dos Bancários de Bauru constituiu-se numa importante ferramenta de luta, não somente para os bancários, mas para toda a classe trabalhadora e para os movimentos populares, tornando-se referência para muitas entidades sindicais pelo país afora. Depois de 30 anos, como farsa ou tragédia, a nos lembrar o velho e sempre atual filósofo alemão, a entidade foi tomada de assalto por uma nova geração de pelegos.

O caminhão de som, famoso na porta dos bancos (para arrepio dos patrões), foi aposentado e, em seu lugar, o único barulho que se ouve é oriundo dos shows ao vivo, no ginásio de esportes da entidade; o jurídico, antes coletivo e formulador de teses, a serviço da luta dos trabalhadores, passou a ser apenas uma fonte arrecadadora de dinheiro, inspirado no modelo adotado pelos grandes escritórios de advocacia da cidade; os bancários deixaram de ser considerados trabalhadores, que de fato são, para tornarem-se clientes; a luta de classe virou uma peça de museu e os diretores, antes combativos lutadores das causas populares, hoje meros burocratas, leitores assíduos do jornal diário (principalmente da sessão de palavras cruzadas), na falta de outras atividades que considerem mais relevantes.

Internamente, o clima de terror se instalou, com os funcionários da entidade sofrendo na pele o que um dia ouviram dos bancários em seus postos de trabalho; o assédio moral passou a ser rotina; as perseguições, dignas dos piores momentos do marcatismo; e o privilégio aos subservientes, uma realidade inquestionável. Rapidamente os porcos aprenderam com os homens e tornou-se impossível distinguir uns dos outros, como na obra de George Orwell.

Perguntarão os incautos: “a qual central sindical pertencem estes seres ignominiosos que traem o compromisso de classe e utilizam do método fascista no seu cotidiano?”.

Responderei indignado: pertencem a Conlutas-CSP, a Central Sindical que em seus discursos se afirma como a mais radical e intransigente defensora dos trabalhadores e, para a qual, todas as demais centrais são pelegas e traidoras. Muito cômodo vomitar radicalismo revolucionário, enquanto no seu quintal a destruição de sonhos e de compromissos torna-se realidade.

Vivemos tempos sombrios, é verdade, mas o obscurantismo e o reacionarismo, com seus ardis, suas mentiras e sua violência não impedirão que construamos um novo amanhã, lugar de alegria e liberdade, afinal “a História é um carro alegre cheio de um povo contente que atropela indiferente todo aquele que a negue”.

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