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Cerca de 10% da população de Bauru está com o nome sujo no comércio da cidade. Mas, se há uma boa notícia neste cenário de dificuldades financeiras, é o fato de a grande maioria destes inadimplentes possuir apenas uma dívida. E os débitos não são muito antigos.
Segundo especialistas, estes dois fatores tendem a facilitar a negociação do débito e, assim, resolver a vida de quem está com o nome restrito. Dados da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) apontam que 75% dos 35.758 consumidores inadimplentes no comércio possuem somente uma dívida inscrita no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) de Bauru.
Do total de 55.886 dívidas em atraso, 50,5% estão pendentes há menos de dois anos. “Quanto mais antiga a dívida, mais difícil fica para o comerciante conseguir receber. Por isso, normalmente ele acaba oferecendo maiores descontos, porque sabe que pode nunca ter este pagamento”, observa Elion Pontechelle Júnior, assessor de imprensa e advogado da CDL.
Ele também explica que há uma explicação lógica para o fato de a maioria dos consumidores ter apenas uma dívida inscrita no cadastro. Ao deixar de pagar uma conta e ficar inadimplente, eles deixam de ter crédito no mercado e, por este motivo, ficam impedidos de se endividar ainda mais “na praça”.
“O que acontece, às vezes, é a pessoa com restrição de crédito emprestar, por exemplo, folhas de cheque de alguém conhecido. E, em muitos casos, acabar não honrando essa dívida e levar este terceiro a ficar com o nome sujo também”, analisa.
Para tentar entrar em acordo com os devedores, os lojistas, segundo Pontechelle Jr., têm oferecido vantagens na negociação. Em alguns casos, eles chegam até mesmo a abater integralmente juros e correção monetária.
“Diante do grande número de pessoas desempregadas e da elevação do custo de vida, a situação não está fácil para ninguém. De um ano para cá, a dificuldade para cobrança vem aumentando. Neste cenário, o consumidor consegue fazer uma boa negociação, às vezes até com desconto no valor inicial da dívida”, completa.
| Fotos: Renan Casal |
| Michele Silveira tinha planos de renegociar empréstimo feito no banco ainda neste mês |
| Ao ficar desempregada, Juliana não conseguiu honrar dívidas e acabou ficando com nome sujo |
Planos
Foi o desemprego que levou Juliana Cristina Nunes, 32 anos, a ter o nome inscrito no SPC, há dois anos. Com dívidas acumuladas em cerca de R$ 2 mil no comércio, ela teve o apoio do marido para começar a estudar e, em maio, disse que pretendia concluir o curso de técnica de enfermagem para poder, então, honrar seus compromissos financeiros.
“Termino em julho deste ano. Meu objetivo é conseguir um emprego na área logo em seguida e, assim, ter recursos para limpar meu nome. É ruim ficar nesta situação”, lamentou.
A técnica de enfermagem Michele da Silva Silveira, 35 anos, também afirmou ter planos de encerrar suas pendências financeiras em breve. Há cerca de dois anos, ela adquiriu um empréstimo de R$ 3 mil no banco para obter a carteira de habilitação para dirigir e não conseguiu quitar o débito.
“Acabei gastando o dinheiro para comprar coisas para os meus filhos. Não tirei a CNH e ainda fiquei endividada. Tentei fazer acordo, mas não consegui pagar as parcelas novamente”, revela ela, que acredita dever, em valores atuais, cerca de R$ 5 mil à instituição financeira.
“Minha meta é fazer uma renegociação já em junho, quando cair o próximo pagamento”, sinalizava.
