Economia & Negócios

Dólar cai e bolsa sobe pelo terceira sessão seguida

Por Silvana Rocha, Lucas Hirata, Paula Dias e Denise Abarca | AE
| Tempo de leitura: 5 min

O dólar se manteve em trajetória de queda contra o real e encerrou o pregão desta sexta-feira (3), em baixa pelo terceiro dia seguido, diante da expectativa de que o aumento de juros nos Estados Unidos não deve ser tão iminente quanto se pensava anteriormente. O movimento desta sexta-feira foi desencadeado pelos fracos números do relatório de empregos norte-americano de maio, que mostrou a pior geração de empregos desde 2010, sinalizando que a maior economia do mundo pode não estar pronta para um aperto de crédito.

Exportadores, investidores estrangeiros, fundos e bancos reduziram parcialmente suas posições compradas em dólar, em meio à cautela com o ambiente econômico americano e expectativas de migração de fluxo estrangeiro para mercados emergentes. Além do relatório de emprego, conhecido como payroll, os sinais de enfraquecimento econômico dos EUA foram reforçados pelos resultados ruins de índices de atividade no setor de serviços.

A expectativa é de que a queda do dólar se estenda para a semana que vem, podendo levar a moeda para abaixo dos R$ 3,50, de acordo com profissionais do mercado. No entanto, esse movimento pode desencadear atuação do Banco Central, com leilão de swap cambial reverso, para tentar sustentar um patamar mais alto, prevê um operador.

O foco dos mercados se volta agora para o discurso da presidente do Fed, Janet Yellen, na próxima segunda-feira, que pode provocar ajuste de expectativas. Internamente, os destaques são o IPCA de maio e o anúncio da decisão sobre juros do Comitê de Política Monetária do Banco Central, ambos na quarta-feira.

No mercado à vista, o dólar encerrou aos R$ 3,5252, em baixa de 1,65% e acumulando perdas de 2,38% desde o fechamento de terça-feira, a R$ 3,6111 - maior valor desde 7 de abril passado. Por volta das 17h29, o giro financeiro no mercado à vista, registrado na clearing da BM&FBovespa, somava cerca de US$ 608,4 milhões. Durante o dia, a moeda no balcão oscilou da mínima de R$ 3,5240 (-1,68%) à máxima de R$ 3,5937 (+0,26%).

No mercado futuro, no mesmo horário, o dólar para julho recuava 1,72%, aos R$ 3,5615. O volume financeiro movimentado era consistente, de cerca de US$ 12,249 bilhões. Até esse horário, oscilou de R$ 3,5530 (-1,96%) a R$ 3,6275 (-0,18%).

Bovespa - O cenário internacional deu o tom dos negócios e a Bovespa fechou em alta de 1,47% nesta sexta-feira, aos 50.619,49 pontos. Foi o terceiro pregão consecutivo de alta, acumulando ganhos de 4,43% em junho. O volume de negócios somou R$ 5,5 bilhões. O destaque do dia foi a criação de empregos bastante aquém do esperado nos Estados Unidos, que praticamente eliminou as apostas de que o Federal Reserve (Fed) vá elevar os juros no curto prazo, o que beneficiou os mercados emergentes de maneira geral.

A alta da bolsa foi puxada principalmente pelas ações dos setores de mineração e siderurgia. A alta de 3,3% dos preços do minério de ferro no mercado chinês impulsionou as ações do setor em todo o mundo e manteve os índices de metais em forte alta durante todo o dia. Com isso, as altas do Ibovespa foram lideradas por Vale ON (+8,63%), CSN ON (+7,78%) e Vale PNA (+7,68%).

Os ganhos foram reforçados após o Departamento do Trabalho dos EUA anunciar a criação de 38 mil empregos em maio. O dado foi o mais baixo desde 2010 e surpreendeu pelo contraste com a estimativa dos analistas, de criação de 156 mil novos postos. Com isso, diversos bancos americanos passaram a descartar as chances de o Fed elevar os juros em junho. Em alguns casos, até o mês de julho foi colocado em dúvida.

O dado provocou um imediato enfraquecimento do dólar, com a reversão das expectativa de migração de recursos de outros países para os Estados Unidos. Com isso, os ativos de países emergentes foram beneficiados. As ações do setor financeiro estiveram entre os destaques de alta. Banco do Brasil ON subiu 2,37%, Bradesco ON avançou 1,83% e Santander Unit ganhou 1,17%. As ações da Petrobras tiveram valorização de 1,03% (ON) e de 2,02% (PN), mesmo com a queda do petróleo no mercado internacional.

Entre as maiores quedas do Ibovespa estiveram principalmente ações de empresas exportadoras, devido à forte queda do dólar e seus reflexos na receita dessas companhias. Fibria ON (-7,01%), Suzano PNA (-5,94%), Embraer ON (-1,79%) e Marfrig ON (-1,45%) foram destaques de queda no dia.

Taxas de juros - O relatório de emprego nos EUA esvaziou as apostas de alta nos juros norte-americanos em junho, favorecendo a queda dos juros futuros na BM&FBovespa. Ao término da sessão regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em 2017 fechou em 13,565%, de 13,615% no fechamento de ontem, com 201.480 contratos. O DI janeiro de 2018 (314.015 contratos) fechou em 12,54% (mínima), de 12,66%, no ajuste anterior. O DI janeiro de 2019 terminou em 12,36%, também na mínima, de 12,56% no ajuste de ontem, com 180.015 contratos. Nos mais longos, o DI janeiro de 2021 recuou de 12,64% para 12,40%, com 129.660 contratos.

"Sem novidades mais fortes no campo político, o fator determinante foi o payroll, junto com outros indicadores fracos nos EUA, que tiraram a força do dólar, o que acaba influenciando a curva", afirmou o operador de renda fixa da Lerosa Investimentos, Carlos Fernando Vieira.

O apetite pelo risco também foi alimentado pela percepção de que, com a manutenção dos juros nos EUA no atual patamar, de 0,25% a 0,50%, por mais tempo, a liquidez para os mercados emergentes deve manter-se abundante, principalmente diante dos estímulos de liquidez adotados por outros grandes bancos centrais.

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