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Junho é o segundo mais chuvoso do século

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 5 min

Divulgação
No Bela Vista, mais precisamente na quadra 4 da rua Carlos Gomes, grandes buracos tiram o sono de quem passa pelo local

Junho ainda está no início, mas já é o segundo mais chuvoso desde 2001. Do dia 1 até essa segunda-feira (6), ou seja, em apenas seis dias, o Centro de Meteorologia (IPMet) da Unesp-Bauru registrou 93,2 milímetros acumulados de chuva, valor 72,5% acima da média histórica para todo o mês, que é de 54 milímetros.

O único ano em que houve mais chuva foi em 2012, com acumulado de 197,6 milímetros – única vez em que a marca passou dos 100 milímetros. Em dois anos não houve sequer registro de chuva em junho: 2002 e 2014. No ano passado, foram apenas 0,5 milímetros. Em 2007, também praticamente não houve precipitação (3,3 milímetros). E, em 2006, foram apenas 12,2 milímetros. Nos outros anos, o índice de junho variou entre 16 (2004) e 78 milímetros (2013).

“Já estamos em um momento em que a tendência é de redução do volume de chuvas, então não é comum ter um volume muito grande, porém, em alguns anos, há registro de chuvas em grande quantidade, não chega a ser algo raro”, o meteorologista André Mendonça de Decco, do IPMet.

“No final de maio e começo de junho de 2013, tivemos um acumulado grande também. Em 2012, maio ficou dentro da média, mas junho ficou quatro vezes acima. Então, em alguns anos, há registro de chuvas bem acima da média histórica dos últimos 30 anos”, completa.

O meteorologista não atribui aos fenômenos El Niño e La Niña o aumento das chuvas nos últimos dez dias (entre o final de maio e começo de junho). “Não é possível afirmar que haja alguma relação”.

André Mendonça lembra que o volume elevado de chuvas tem um lado positivo: os reservatórios de água permanecem cheios, mesmo no outono/inverno, período tipicamente mais seco no Interior Paulista. “A quantidade de chuva acima da média mantém os reservatórios cheios, o que pode minimizar a estiagem do inverno, em meses como julho e agosto, em que também chove pouco”, destaca.

O DAE confirma que a Lagoa de Captação do Rio Batalha (responsável por abastecer quase 40% dos bauruenses) está no limite máximo, de 2,60 metros. O volume foi tão alto nesses dias que a comporta para liberar água precisou ser aberta, para evitar o transbordamento da lagoa.

Buraqueira

Se os reservatórios de água estão cheios, as ruas estão quase intransitáveis, tanto que caminhões de coleta de lixo quebraram (leia mais abaixo). O JC recebe diariamente reclamações de buracos em todas as regiões da cidade. Ontem, por exemplo, moradores de condomínios da região sul comentam que a avenida Affonso José Aiello (ligação da avenida Getúlio Vargas com os Villagios) está bastante esburacada. Várias pessoas, inclusive, tiveram os pneus furados pelos buracos da via.

Outra queixa veio do Bela Vista, mais precisamente na quadra 4 da rua Carlos Gomes. Grandes buracos estão tirando o sono dos moradores e de pais de alunos e funcionários de uma escola localizada neste quarteirão. Já na rua Antônio Valderramas D’Aro (ao lado da UPA do Ipiranga), a quantidade de buracos sugere a necessidade não só de tapa-buraco, mas de recape definitivo.

Demanda reprimida

Além dos buracos provocados pela chuva, tem aqueles abertos pelo DAE para reparos de vazamentos. Com as chuvas, a autarquia não tem conseguido tapá-los. A expectativa do DAE é que, a partir de hoje, o serviço comece a ser normalizado, aos poucos, se as condições climáticas ajudarem.

Em relação aos demais buracos, a Secretaria Municipal de Obras também confirma a demanda reprimida e a necessidade de tempo firme para começar a colocar o cronograma em ordem. Há duas semanas, o JC noticiou que a cidade tem mais de 5 mil buracos, número que aumentou com as chuvas. “É difícil mensurar quantos são agora, até porque, na medida do possível, a gente seguiu trabalhando. Mas assim que o tempo estiver firme, nosso ritmo de serviço vai aumentar bastante e passaremos de três para seis caminhões no tapa-buraco, pois peguei três que estavam em um serviço de asfalto no Pousada da Esperança e que terminou”, frisa Sidnei Rodrigues, da Obras.

Ele diz que não haverá esquema de mutirão e as equipes estarão espalhadas por várias regiões. Hoje de manhã, também será feito reparo na ponte sobre o Rio Batalha, na Bauru-Piratininga, serviço que deve durar pouco tempo.

Vai esfriar!

Segundo o IPMet, há previsão de chuva para hoje, mas as chances são menores (cerca de 30%) e as temperaturas devem ficar entre 15 e 23 graus. Para amanhã, está prevista a entrada de uma massa de ar frio, com temperaturas entre 13 e 21 graus. Na quinta-feira, a mínima será de aproximadamente 10 graus, com máxima de 20. A tendência de tempo frio é até domingo. A possibilidade de chuva, contudo, é baixa nesta semana.

Dez caminhões de lixo quebrados

Devido à quebra de caminhões, não houve coleta de lixo orgânico em vários bairros da cidade nessa segunda-feira (6). A previsão da Emdurb é que o serviço seja normalizado amanhã (são bairros em que a coleta é feita às segundas, quartas e sextas). Hoje, entretanto, não está descartada a possibilidade de alguns setores atendidos às terças, quintas e sábados também ficarem com atendimento prejudicado. “A Emdurb trabalha para normalizar a situação o mais rápido possível”, diz nota da assessoria da empresa municipal. Ao todo, foram seis setores comprometidos nessa segunda, de um total de 15 atendidos às segundas-feiras.

A Emdurb conta atualmente com uma frota de 21 caminhões para a coleta orgânica, sendo que dez estavam com problemas mecânicos nesta segunda – alguns decorrentes das más condições das ruas. Três deles já devem estar operando hoje e parte dos outros sete caminhões pode ser liberada até o fim desta semana.

Os bairros que ficaram sem coleta ontem foram: Jd. Contorno, Jd. Auriverde, Jd. Marambá, Camélias, Pousada da Esperança 1 e 2, Vila São Paulo, Pq. Roosevelt, parte do Santa Edwirges, parte do Pq. Jaraguá, parte do Vânia Maria, Jd. Ivone, Jd. Chapadão, Quinta da Bela Olinda, Jd. Silvestre, parte do Jd. Flórida, Pq. Viaduto, Jd. Vitória, Joaquim Guilherme, Jd. Jussara, parte do Alto Paraíso, Jardim TV, Colina Verde, Jd. Marília, Parque City, parte da Vila Garcia e o distrito de Tibiriçá.

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