| Malavolta Jr. |
![]() |
| “Desligamentos acompanham crescimento da inadimplência”, aponta Luiz Campos, da CPFL |
A crise econômica do País também fez aumentar o número de cortes de fornecimento de energia por falta de pagamento. A CPFL Paulista, concessionária que atende a região, confirma que o número de desligamentos neste ano é o dobro do que havia em 2015 em Bauru. De acordo com números da própria CPFL, por dia, eram feitos 60 cortes, em média, até o ano passado na cidade, número que subiu para 120 agora.
O consultor de negócios da CPFL Paulista em Bauru, Luiz Antônio de Campos, cita que o crescimento do número de desligamentos é proporcional à inadimplência. “Nós tivemos que intensificar esse serviço de corte por falta de pagamento neste ano. Isso acompanha o próprio crescimento da inadimplência”, frisa. A assessoria de imprensa da CPFL afirma que a empresa também incrementou ações de cobrança e negativação.
De acordo com a Resolução Normativa 414/2010 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em vigor desde 2011, as concessionárias podem efetuar o desligamento já na primeira conta atrasada, contudo, é necessário comunicar o cliente com pelo menos 15 dias de antecedência.
A empresa fornecedora de energia tem até 90 dias de prazo para realizar o corte, relativo a esta conta em atraso. Se houver outras faturas pendentes, novas suspensões podem ocorrer. No caso da CPFL, a empresa pontua que, “a partir do 43.º dia após o vencimento da conta, o cliente já está sujeito a corte, considerando ter recebido o reaviso e passados 45 dias deste aviso”, diz a concessionária, em nota enviada ao JC.
Caso a conta seja quitada, a CPFL tem 24 horas para restabelecer o fornecimento de energia em áreas urbanas e até 48 horas em áreas rurais. Se a religação for solicitada pelo cliente até as 18h de sexta-feira, a CPFL faz o serviço dentro das 24 horas, mas se o pedido for a partir deste horário, a solicitação pode ser atendida a partir das 8h da segunda-feira.
Legalidade
Apesar de haver questionamentos jurídicos em alguns locais do País quanto ao corte de energia ferir o acesso a um bem básico, a resolução da Aneel vigente (414/2010) dá a prerrogativa da concessionária suspender o fornecimento em caso de inadimplência, devendo a mesma reestabelecer o atendimento após o pagamento da dívida.
Essencial
Tarifas de água, luz e despesas com alimentação são consideradas básicas e, quando muita gente precisa deixar essas contas para trás, é sintoma de problemas graves, analisa o economista Reinaldo Cafeo. “Na economia, chamamos de bens essenciais. Todos precisam de água, energia elétrica e de alimentação. Se a pessoa não consegue pagar, é porque chegou a um grau extremo de endividamento. E quando há um aumento da inadimplência dessas contas, é sinal de que a crise chegou a um patamar considerável”, menciona.
Cafeo aponta a necessidade de as pessoas observarem quando estão ficando com “corda no pescoço”, justamente para evitar situações-limite como esta. “Quando as contas não fecham no final do mês, é um sinal de alerta. A partir daí, se a pessoa vê que está gastando acima do que ganha, tirando dinheiro de suas reservas e fazendo empréstimo, está na hora de rever as despesas. Reunir a família e ver o que pode ser cortado ou adiado, é um momento que exige um pouco de sacrifício de todos na casa”, reitera. “Precisa rever o próprio padrão de vida. Reduzir as despesas com alimentação fora de casa, com transporte, TV a cabo”, completa.
Porém, para quem já está com a conta de luz atrasada, o recado do economista é claro: “Aí é uma situação já bem delicada e que exige medidas mais radicais. Se a pessoa está desempregada, tem que fazer um serviço temporário. Se a mulher ou os filhos não trabalham, às vezes vão precisar buscar um emprego. Se for o caso, até pedir um dinheiro emprestado a algum familiar, por exemplo. Mas são contas que não tem como adiar, água, luz e alimentação são essenciais”, finaliza Cafeo.
| Samantha Ciuffa |
![]() |
| Lilian Lima Rossi teme ficar sem energia pela segunda vez em pouco mais de um mês |
‘Sem condições’
A dona de casa Lilian Keline de Lima Rossi, de 32 anos, está preocupada com a possibilidade de ter a energia elétrica de sua casa cortada, no Parque Paulistano. “Minha conta sempre foi de pouco mais de R$ 100,00 e agora está vindo em R$ 200,00. Estou com duas contas atrasadas. Já veio o aviso de que vai cortar. São duas famílias que moram na mesma casa. Eu, meu marido e mais três filhos moramos na frente e a família da minha cunhada no fundo da casa”, explica.
Com o débito em mais de R$ 500,00, Lilian conseguiu o parcelamento da conta. “Pagamos R$ 180,00 e dividimos o resto em cinco vezes de R$ 80,00. Mas, mesmo assim, não sabemos se vamos conseguir pagar. Eu não tenho condições. Tem dia que eu não tenho nem o que comer em casa. Mas não tem como ficar sem energia”, lamenta.
Ela diz que, há pouco mais de um mês, já teve a energia desligada. Na época, uma conta atrasada foi paga e o serviço, restabelecido. Agora, Lilian e a família estão preocupados em viver o mesmo problema de novo.

