Polícia

Estudantes viram "presas" de assaltantes em Bauru

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Não importa se você está em grupo ou sozinho. Os estudantes bauruenses têm sido cada vez mais “presas” dos assaltantes. A Polícia Civil alerta que os criminosos aproveitam as vulnerabilidades desse público para agir. Por isso, pede que os adolescentes e jovens tenham muita atenção ao redor e não ostentem celulares e outros aparelhos.

O titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Eduardo Herrera, confirma que, recentemente, há uma onde de assaltos em vias públicas próximas de escolas em Bauru.

Em um mês, nove roubos cometidos na cidade envolveram estudantes que caminhavam perto de instituições de ensino ou por vias de bairros, segundo levantamento extraoficial feito pelo JC.

 
No último crime, registrado na última quinta-feira (23) no final da tarde, na quadra 14 da rua São Vicente, na Vila Pacífico, região da Falcão, um grupo de três estudantes, com idades entre 15 e 14 anos, foi abordado por três jovens, enquanto seguia para casa após a aula.

Ameaçadas com um objeto que parecia ser um revólver, as vítimas foram obrigadas a entregar seus celulares. Ninguém foi preso.

Em grupo ou sozinho?

Este caso, assim como os outros oito registrados, seguem sob apuração do Setor de Inteligência da Central de Polícia Judiciária (CPJ).

“A proximidade de escolas, assim como os pontos de circulares, são locais onde a incidência de pedestres é maior em certos horários. E a Polícia Militar não tem como estar em todos os pontos vulneráveis ao mesmo tempo. Por isso, pedimos a prevenção da vítima”, comenta o delegado.

Em sete dos nove casos registrados, as vítimas andavam em grupo. Ou seja, o que antes era sinônimo de segurança parece não fazer mais tanta diferença assim para os assaltantes, cada vez mais audaciosos.

“Ao andar em grupo, as pessoas também acabam se distraindo e, quando percebem, já viraram vítimas. Mas um bandido sozinho não vai assaltar um grupo, geralmente ocorre de grupos para grupos”, aponta.

Apesar dos registros recentes, Herrera ressalta que maioria dos assaltos ainda envolve pessoas sozinhas à noite pelas ruas ou em locais ermos.

Alvo: celulares

Outra característica dos roubos que têm vitimado estudantes é que todos têm um mesmo alvo: os celulares.

“É um aparelho de fácil conversão de valor, que geralmente alimenta o vício em drogas”, frisa o delegado. “Não há uma organização criminosa atuante. São pequenas ações cometidas, geralmente, para alimentar o tráfico”, completa.

Grande parte dos casos investigados, segundo o delegado, acaba chegando aos receptadores do celular roubado.

“A identificação dos autores é mais difícil. Mas a receptação, dolosa ou culposa, é crime, e quem recebeu o celular acaba respondendo”, aponta Herrera.

E a vulnerabilidade das vítimas, quase sempre caminhando distraídas ao celular, facilita a vida dos assaltantes, segundo a Polícia Civil.

“Ao atender o celular ou trocar mensagens, a pessoa muda o foco e vira presa fácil. É preciso estar atento para ter um raio de observação maior, para dar tempo de entrar em algum estabelecimento”, alerta o Eduardo Herrera. Mais dicas, como mudar sempre o itinerário, procurar andar por lugares e avenida movimentados ajudam a coibir essas ações.

Questão social

Comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume afirma que a PM possui um mapeamento dos pontos de maior incidência de roubos a pedestres e que, “na medida do possível”, consegue efetuar prisões. “O roubo de oportunidade é cometido em sua maioria por viciados, para satisfazer o vício. É uma questão social e de saúde, também. Vai além da polícia” comenta.

Sequência de assaltos resultou em 17 vítimas

Além das três vítimas do assalto na última quinta-feira (23), outros oito casos envolvendo estudantes ocorreram entre os dias 26 de maio e 12 de junho, cinco deles a luz do dia. Em apenas um, houve prisão em flagrante.

O primeiro, registrado na noite do dia 26, no Jd. Ferraz, vitimou quatro estudantes de 15 anos, que foram abordados por dois homens, um deles mencionando estar armado. Os celulares foram roubados.

No dia 4 de junho à tarde, no Centro, outro estudante de 17 anos foi abordado por duas pessoas em uma bicicleta, que, com uma faca, exigiram a entrega do celular.

Dois dias depois, após saírem da aula, dois adolescentes de 15 e 16 anos foram abordados por volta das 18h50 na Praça da Cerejeiras, em frente à escola em que estudam. Eles também tiveram seus celulares levados pelos criminosos.

No dia 8 de junho, outros dois jovens de 18 anos foram abordados após saírem de um colégio técnico no Centro, por volta das 18h. Mais uma vez, eles também foram obrigados a entregar os celulares.

No dia 9, um aluno de 13 anos voltava para casa à tarde, depois da aula, no Parque Real, quando foi interceptado por três homens que, por meio de faca, exigiram seu celular.

Um Preso

No dia seguinte, às 16h50, na Vila Falcão, um estudante de 19 anos foi obrigado a entregar seu celular para dois homens, que fugiram em sentido à favela São Manoel.

Em 11 de junho, às 20h50, uma estudante de 17 anos caminhava para casa de sua avó, também na Vila Pacífico, quando foi abordada por um rapaz de 18 anos e, ameaçada, ela foi obrigada a entregar seu celular. A PM estava próxima e o bandido acabou preso.

Em 12 de junho, à noite, dois estudantes de 17 anos foram abordados por um grupo de quatro rapazes. Eles foram rendidos e precisaram entregar seus celulares e suas carteiras.

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