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Palmeiras solitárias, tristonhas e despercebidas no Calçadão

Joaquim Eliseo Martins
| Tempo de leitura: 3 min

E o Wilson (Roupas) disse-me: - “Professor, você tem toda a razão, mas infelizmente a gente não pode fazer nada. Fala-se tanto em crise, falta de dinheiro público para o mínimo necessário em quase todas as áreas que, falo novamente, a gente se conforma e fica esperando pra ver”. Essa conversa despretensiosa para se fugir um pouco do quase unânime assunto sobre o rigoroso frio reinante nestes últimos dias, sobre os melhores agasalhos que felizmente possuímos e usamos, surgiu no entardecer de uma terça-feira do mês junino, em um banco em que estávamos sentados no Calçadão da Batista.

E esta resposta foi feita prontamente e com firmeza após a afirmação que lhe  fiz sobre - sem me preocupar com a classificação científica - a dezena de palmeiras que estão plantadas nas quadras do Calçadão como “almas perdidas”, solitárias, tristonhas e quase que totalmente desapercebidas por quase todos os que por lá circulam segurando seus pacotes das compras efetuadas, ou apressadamente indo ou retornando do trabalho ou lar. Esta conversa  surgiu porque anteriormente dissera-lhe  que nem tudo exige a aplicação ou gasto de muito dinheiro público. De que há grandes coisas que podem ser realizadas com pouquíssimo dinheiro ou quase nada. Depende de criatividade que quase não se vê na área pública. Como seria o caso das palmeiras que, sem dúvida, são bem cuidadas parecendo, porém, rainhas sem  reinado, sem súditos.  

Há tempos tenho observado que as mesmas têm sido mais motivo ou razão para desvios do andar do que de admiração. Às vezes constituem estorvos para os passantes e não são admiradas. Não sei se os amigos leitores observaram que  para cada palmeira existe um espaço de solo de aproximadamente 2m2 e que com criatividade podem ser aproveitados para o plantio de flores rasteiras coloridas como vemos em frente de muitas residências e que causam admiração pela beleza. Qual o custo-benefício? Muito simples: afofamento do solo, adubação, plantio de mudas variadas e tratos culturais. Resultado final: embelezamento do Calçadão. Mas  a prefeitura  não tem dinheiro para a compra de sementes,  mudinhas e mão de obra disponível?

Em nossa cidade há quase uma centena de escolas e algumas poderiam adotar uma palmeira ou uma quadra envolvendo os alunos e professores nessas atividades que eles adorariam e que seriam também de inclusão social. Os alunos poderiam nomear cada palmeira tornando-a íntima ou afilhada  da escola.  O benefício  final será o embelezamento deste recinto orgulho de Bauru, tornando-o como a Rua das Flores, de Curitiba. A época para o início é agora.

Imaginem como estará no final do ano, para as festas e euforia natalinas. Finalmente, qual é o comerciante que se negará, na ausência dos  alunos e professores, a regar ou jogar uma aguinha nas tenras mudas? E na conservação dos canteiros? E, sem dúvida, as palmeiras, depois com os leais súditos, agradecerão. E as milhares de pessoas que por lá circulam ficarão encantadas. Caros leitores, professores e alunos, pensem nesta minha conversa com o Wilson.


O autor é professor aposentado, membro da ABLetras

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