O Festival de Inverno 2016 de Bauru acabou. Mas ficou aquele gostinho de quero mais. Posso afirmar, do ponto de vista do público e de um músico, que o festival deste ano foi um sucesso. Casa cheia, público participativo e entusiasmado. O segredo do sucesso? Interação com a plateia, repertório diversificado e bela performance dos artistas. Na noite de abertura, os jovens músicos da Banda Sinfônica puderam ter a experiência de falar à plateia, quando apresentaram suas pesquisas sobre os compositores e músicas que seriam executadas naquela noite. Uma ótima experiência, pois imagine você, meu amigo leitor, sendo um músico que sempre se comunicou com o público através dos sons do seu instrumento, ter que abrir a boca e falar, é algo que faz muito músico tremer, e estes jovens deram conta do recado. O festival bauruense veio também para mostrar que Bauru é uma escola de talentos musicais. Muitos dos nossos músicos integram outras orquestras da região além de que alguns já despontaram suas carreiras nacionais e internacionais, como o que ocorreu com os pianistas, Rogério Tutti, Silvia Molan, o violinista Marcos Vinicius Miranda dos Santos entre outros.
No Brasil o Festival de Inverno mais importante e conhecido é o de Campos do Jordão, em São Paulo. Ele foi criado em 1970, pelos maestros Eleazar de Carvalho, Camargo Guarnieri e Souza Lima, inspirados no Festival de Tanglewood, no Estado de Massachussets, EUA. No Brasil, o festival de Campos se tornou referência nacional e internacional, vindo a inspirar a criação de vários outros festivais nos mais diversos pontos do Brasil. Da mesma forma que o Festival de Inverno de Campos do Jordão promove a descoberta de novos talentos, o nosso festival bauruense não foi diferente. Algumas estrelas brilharam mais, como o clarinetista Thiago Ancelmo de Souza, o pequeno anjo de 8 anos da Orquestra Jovem de Lins com a sua doce voz, Livia Kadjaoglanian, e os violinistas Marcos Vinicius Miranda e Rogers Richardson Bertinotti.
Bauru é um polo formador de artistas, não só musicais, diga se de passagem. Por esta razão a minha sugestão para o festival de 2017 é a de que tenhamos mais dias de espetáculos e usando a inspiração de Campos do Jordão, possamos ter apresentações de grupos menores em outro ponto da cidade na parte do dia, poderia ser montado um palco na Praça Rui Barbosa, da mesma forma que existe um palco na Praça do Capivari, em Campos do Jordão, e assim poderia se tornar um festival com maior amplitude de acesso do público e também participação dos artistas. Parabéns à prefeitura, à Secretaria de Cultura, aos regentes titulares da nossa banda, orquestra, e dos grupos convidados, e principalmente aos jovens e talentosos músicos que unidos juntam as notas deste quebra cabeça musical e ao movimento da batuta de seu regente promovem os shows que tivemos. Que venha o festival de 2017! Um abraço!