Economia & Negócios

Dólar sobe para R$ 3,3077 com intervenção do BC e queda do petróleo

Por Silvana Rocha, Lucas Hirata, Paula Dias e Denise Abarca | AE
| Tempo de leitura: 6 min

Em dia de baixo volume de operações, o dólar fechou em alta, acima dos R$ 3,30, sustentado por expectativas de novos leilões de swap cambial reverso do Banco Central. O movimento nesta segunda-feira (11), ficou em linha com o desempenho positivo da moeda norte-americana lá fora, paralelamente à ampliação da queda do petróleo, diante de discussões sobre excesso de produção da commodity no mundo.

O dólar no balcão encerrou o dia cotado a R$ 3,3077 (+0,34%), afastado da mínima, de R$ 3,2923 (-0,13%), e da máxima, de R$ 3,3185 (+0,66%). O volume total registrado na clearing da BM&F Bovespa foi de US$ 690,203 milhões, em comparação com US$ 1,104 bilhão na sexta-feira.

Já no mercado futuro, o contrato para agosto terminou aos R$ 3,3305. O giro de negócios totalizou US$ 9,955 bilhões.

Internamente, um dos destaques foi a venda de US$ 500 milhões (10 mil contratos) em contratos de swap reverso pelo Banco Central - na sexta intervenção em sete dias úteis. A operação ajudou a apoiar o viés de alta na abertura, mas depois o dólar oscilou, disse Durval Corrêa, da MultiMoney Corretora.

Também o superávit da balança comercial nas duas primeiras semanas de julho, de US$ 1,488 bilhão, gerou expectativas de novos ingressos pela via comercial, ajudando a amenizar a pressão, ressaltou outro operador de corretora. No acumulado do ano até 10 de julho, o saldo positivo líquido entre importações e exportações soma US$ 25,140 bilhões.

O diretor da Correparti, Jefferson Rugik, identificou um fluxo de entrada de exportadores pela manhã, que ajudou o dólar a cair, depois de iniciar o dia em alta com a perspectiva do leilão de swap reverso. Rugik disse que houve, principalmente a tarde, reação do dólar em alta à forte queda do petróleo. O mercado também comprou a moeda americana como forma de proteção, pelo possível anúncio de mais um leilão de swap reverso para amanhã, o que ocorreu no fim da tarde. Amanhã, o BC oferta mais 10 mil contratos de swap reverso (US$ 500 milhões), para dois vencimentos, das 9h30 às 9h40.

Bovespa - A Bovespa teve nesta segunda-feira sua quarta alta consecutiva. Embalada pelo apetite do investidor estrangeiro por ativos de risco, a Bovespa já abriu em alta e terminou o dia com ganho de 1,54%, aos 53.960,11 pontos. Na máxima do dia, chegou a 54.021 pontos (+1,66%). O volume de negócios totalizou R$ 6,19 bilhões.

Foram poucas as novidades do dia, mas o mercado continuou a repercutir positivamente os números do mercado de trabalho nos Estados Unidos, divulgado na última sexta-feira. Além disso, as bolsas asiáticas deram sua contribuição com um rali de altas, justificado pela expectativa de novos incentivos fiscais no Japão, depois da vitória da coalizão governista na eleição parlamentar. Por fim, também foi bem recebida a definição de Theresa May como sucessora do premiê do Reino Unido, David Cameron.

As altas da Bovespa foram puxadas em grande medida por ações de empresas estatais, tendo como destaque os papéis da Petrobras e de empresas do setor elétrico - de controle governamental ou não Segundo operadores, no caso das elétricas, as ordens de compra foram estimuladas pela expectativa de privatizações ou de fusões e aquisições. Nesse grupo, destaque para Cemig PN, estatal mineira que teve a maior alta do Ibovespa (+9,76%), além de Eletrobras PNB (+8,43%), Eletropaulo PN (+8,10%) e Copel PNB (+6,57%).

Uma série de fatores beneficiou as ações da Petrobras, que subiram expressivamente, mesmo diante da instabilidade dos preços do petróleo. Entre os motivos para alta estiveram o anúncio do recorde de produção em junho e o avanço do projeto que retira a obrigação legal de a estatal liderar todos os investimentos no pré-sal. Com o cenário mais favorável para a companhia, os analistas do Itaú BBA elevaram a recomendação da Petrobras, o que também contribuiu para a puxada dos papéis, que fecharam em alta de 4,80% (ON) e 5,28% (PN). No acumulado do ano, as duas ações contabilizam ganhos de 50,41% e 54,63%, respectivamente.

As ações da Vale também se sustentaram em forte alta durante o dia, apoiadas em uma leve alta do minério de ferro no mercado à vista chinês (+0,4%) e principalmente pelo avanço de seus pares no exterior. Ao final do pregão, Vale ON e PNA subiram 4,14% e 3,69%. Apesar da alta do dólar, ações de empresas com receita em moeda estrangeira voltaram a se destacar entre as quedas do dia. JBS ON (-2,33%), Embraer ON (-0,73%) e Marfrig ON (-0,71%) estiveram na lista das maiores perdas do Ibovespa.

Taxas de juros - Boa parte dos juros futuros começou a semana em queda, mas sem respaldo de volume, uma vez que a sessão teve fraco giro de contratos negociados. Ao término da negociação normal desta segunda-feira os vencimentos curtos e longos estavam em baixa, enquanto o trecho intermediário terminou perto dos ajustes da sexta-feira. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2017 fechou em 13,870%, de 13,885%, com 99.395 contratos. O DI janeiro de 2018 (60.260 contratos) encerrou estável em 12,69%. O DI janeiro de 2019 (101.990 contratos) fechou em 12,18%, de 12,19% no ajuste anterior. O DI janeiro de 2021 (77.525 contratos) fechou na mínima de 11,99%, de 12,05% no ajuste de ontem.

De maneira geral, o mercado deu continuidade ao movimento de sexta-feira, tendo como pano de fundo o ambiente externo favorável e a aposta de que o Comitê de Política Monetária (Copom) terá de segurar a Selic em 14,25% nos próximos meses para fazer a inflação convergir a 4,5% em 2017.

Apesar do petróleo em baixa, o apetite ao risco pôde ser visto na alta das bolsas e dos juros dos Treasuries (títulos dos EUA). Ainda, os contratos de proteção contra o risco do Brasil (CDS) estão nos menores níveis desde agosto do ano passado. Nesta segunda-feira, o CDS chegou a ser cotado abaixo dos 300 pontos-base, aos 297 pontos-base na compra e 301 pontos-base na venda, de acordo com participantes do mercado de dívida.

Na esteira da divulgação da forte desaceleração do IPCA de junho na sexta-feira, de 0,78% para 0,35%, hoje foi bem recebida a queda da inflação medida pela primeira prévia do IGP-M de julho. O índice mostrou variação positiva de 0,55%, ante 1,12% em igual prévia de junho, o que traz alívio, uma vez que as pressões dos preços no atacado têm sido fonte de preocupação para a inflação no varejo.

Ainda sobre a inflação, a mediana para o IPCA no Boletim Focus deu sequência à melhora vista na semana passada, ainda que o recuo na pesquisa desta segunda-feira tenha sido marginal. A mediana para 2016 caiu de 7,27% para 7,26% e para 2017, de 5,43% para 5,40%.

A trajetória do dólar também é monitorada pelo mercado de juros, mas a alta da moeda teve leve influência apenas no começo dos negócios, mesmo porque a avaliação dos players é de que o dólar só avança por causa das intervenções do Banco Central.

 

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