Condenado a mais de 60 anos de prisão por abuso sexual a adolescentes coroinhas, o padre José Afonso Dé morreu na tarde de ontem, aos 82 anos, em Franca (309 km de Bauru). Ele passava por tratamento contra um câncer de próstata e há cerca de 30 dias foi internado na Santa Casa da cidade, com um quadro de pneumonia.
Conhecido como padre Dé, seu caso foi listado em meio a uma extensa lista no final do filme “Spotlight - Segredos Revelados”, que retratou uma investigação jornalística de como a cúpula da Igreja Católica acobertou casos de pedofilia nos Estados Unidos.
Ao final do filme, é exibida uma lista com cidades em que padres foram acusados de cometer abusos contra crianças, incluindo Franca, além de Arapiraca (AL), Mariana (MG) e Rio de Janeiro.
Padre Dé estava oficialmente afastado das funções, mas continuava seu trabalho de evangelização recebendo fieis em sua casa. O velório ocorre na capela do Asilo São Vicente, ao lado do velório central de Franca. Hoje, às 14h, haverá uma missa de corpo presente, seguida do sepultamento no cemitério Santo Agostinho.
Segundo seu advogado, José Chiachiri Neto, o padre estava em coma há pouco mais de 15 dias e, antes de ser hospitalizado, estava psicologicamente bem. “Ele foi um grande homem e encarou as vicissitudes com muita coragem, não se deixando ficar deprimido”, afirmou Chiachiri.
Em 2010, padre Dé foi denunciado pelo Ministério Público Estadual pela suposta prática de crimes sexuais contra oito coroinhas que o auxiliavam na paróquia São Vicente de Paulo.
No ano seguinte, foi condenado pela 2.ª Vara Criminal de Franca a 60 anos e oito meses de prisão por estupro e atentado violento ao pudor. Com recurso acolhido pelo Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo, ele respondia em liberdade.
A defesa alegou que, após a condenação, o padre acabou sendo absolvido em sete das nove acusações de abuso sexual das quais era acusado.
O religioso sempre alegou inocência e aguardava o desfecho dos outros dois processos para decidir se iria processar ou não os produtores do filme “Spotlight” pela inclusão de seu caso na chamada “Lista da Vergonha”.