Política

Convenções definem três candidatos a prefeito

Thiago Navarro e Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 6 min

‘Bauru sempre em frente’ lança Clodoaldo Gazzetta

Renan Casal
Thais Viotto, Majô Jandreice, Yasmin Nascimento, Dudu Ranieri, Clodoaldo Gazzetta, Toninho Gimenez, Celso Nascimento, Elizeu Eclair, Alexandre Marquesine, Paulo Roberto Ferreira, Irineu Ortolani e Manoel Cortez, ao final da convenção conjunta da candidatura Gazzetta  

Em convenção na manhã de ontem, nas Faculdades Integradas de Bauru (FIB), o biólogo Clodoaldo Gazzetta (PSD) foi oficializado como candidato a prefeito, com o empresário Toninho Gimenez (PTB) na condição de vice. A coligação “Bauru sempre em frente” terá dez partidos, que formarão quatro chapas na eleição proporcional (vereador): uma com PSD, PSB, Rede e PEN, outra com PP e PROS, a terceira formada por PSC, PTB e PCdoB. O DEM sai sozinho.
Gazzetta já concorreu outras quatro vezes ao Palácio das Cerejeiras, em 1992, 2004, 2008 e 2012, e também disputou para deputado estadual e federal. Desde o começo do ano, está no PSD, comandando em âmbito nacional por Gilberto Kassab. “O resultado depende muito das circunstâncias, e eu tenho orgulho das campanhas que participei antes, porque sempre discuti em profundidade os temas do município. Agora, tenho o apoio de dez partidos, o que é um diferencial em relação às outras vezes, tendo mais tempo na campanha da TV e mais militância na rua”, frisou.

“Nós definimos cinco estratégias. Primeiro é fazer um novo governo em relação ao que temos hoje. Segundo é reorganizar a prefeitura, para prestar um serviço melhor. Terceiro é cuidar da cidade e das pessoas, com projetos sociais e de infraestrutura. O quarto ponto é gerar emprego e renda, que é uma das grandes preocupações do bauruense, e o último aspecto é pensar em uma integração regional”, concluiu.

Presidente do PTB e candidato a vice, Toninho Gimenez diz que espera uma união de forças. “Eu não seria candidato, entrei para a política há pouco tempo. Mas as coisas acontecem na hora certa. Em alguns setores, como no esporte, tenho uma boa penetração, onde posso ajudá-lo bastante na campanha”, mencionou.

Apoios

Entre as principais legendas, a última a formalizar apoio foi o PSB. O acordo foi concluído anteontem, e o presidente da sigla Paulo Eduardo de Souza cita que a escolha foi pelo perfil. “O que pesou foi o perfil programático, e também pela perspectiva proporcional, esperamos manter pelo menos uma cadeira na Câmara”, comentou Paulo, que é vereador atualmente, porém não concorrerá a novo mandato. “Precisávamos escolher um nome, e o do Gazzetta foi o que mais se adequou, é um homem de família”, resumiu o deputado estadual Celso Nascimento (PSC).

“Chegamos à conclusão que o Gazzetta é o que melhor poderá nos representar”, pontuou Dudu Ranieri, do DEM. O PP, atualmente com dois vereadores, também apoia a chapa. “Alguém que tentou quatro vezes ser prefeito certamente tem algo bom a mostrar, junto com pessoas preocupadas com a cidade”, afirmou Markinho da Diversidade. “É uma pessoa que amadureceu muito politicamente, por isso a escolha”, completou Fábio Manfrinato. “Dentro daquilo que a gente acredita, que é a de ter cidades mais humanas, foi a melhor proposta”, lembrou Majô Jandreice, do PCdoB.

‘Bauru quer muito mais’ terá Raul Gonçalves Paula

Renan Casal
Ju Alvarez, Arnaldo Ribeiro, Sérgio Murillo, Juliana Tobias, Carlinhos do PS, Roberval Sakai, Edmilson Queiroz Dias, Raul Gonçalves Paula, Fernando Monti, Lima Jr., Caio Coube, Natalino da Pousada, Kiko Danieletto, Ivana Camarinha e Juarez Solana, na mesa da convenção do PV

Adotando discurso mais “tecnicista” e deixando para seus aliados as cutucadas dirigidas a adversários, Raul Gonçalves Paula consolidou-se, na manhã de ontem, candidato a prefeito de Bauru pelo PV com o apoio de outros cinco partidos: PSDB, PPS, PR, PTN e PMB. A coligação foi chamada de “Bauru quer muito mais”.

O mote escolhido tem relação com a presença dos tucanos na chapa, representados pelo vereador oposicionista Lima Júnior (PSDB), como vice de Raul. A dupla enfatizou que buscará conservar o que a cidade já tem de bom, corrigir o que é necessário e otimizar o que pode ficar melhor.

Raul, que é médico, destacou suas ideias para a Saúde, reconhecendo que será muito cobrado para dar soluções aos problemas do setor, gerenciado, hoje, por seus aliados nos âmbitos municipal e estadual.

“Temos que olhar o copo meio cheio. Somos médicos, o deputado estadual, o governador e eu. Não é possível que, com indicadores técnicos, a gente não consiga mostrar o que a cidade precisa. Mas, para isso, é necessário que o próximo prefeito tome a dianteira da discussão. Eu vou fazer isso”, pontuou o candidato. Raul disse ainda que, como a situação financeira do município é desfavorável, a proximidade com os governos estadual e federal será essencial. “O PSDB já estava em São Paulo e agora tem o Ministério das Cidades”, frisou. O grupo está dividido em quatro chapas de vereadores: PV-PR; PPS; PSDB; e PMB-PTN. 

Projeto

O PPS fez sua convenção junto com o PV. O presidente da legenda, Arnaldo Ribeiro, entregou a Raul um plano de interligações entre bairros. O projeto foi coordenado pelo arquiteto Edmilson Queiroz Dias, filiado da legenda.

“A gente já começou com trabalho. São intervenções simples, não faraônicas, mas muito importantes, aproveitando os fundos de vale. Até agora, ninguém aqui discutiu cargos nem está rifando secretarias”, afirmou Raul.

Sobre isso, Fernando Monti disparou que o grupo não aglutinou um número tão grande de partidos, em referência implícita às alianças de outros prefeitáveis, porque não faz a “política do passado, conchavos nem reuniões de madrugada”. “Somos um time do bem”.

Tucanos

A cúpula do PSDB participou em massa da convenção do PV. Horas antes, os tucanos fizeram sua própria, na Câmara Municipal, com a presença de Raul e do deputado estadual Pedro Tobias.

“Lima, você é meu representante pessoal para essa disputa. Faça tudo para levarmos nosso candidato à vitória. Eleição se ganha na rua. Vamos em frente”, disse o parlamentar.

O vice de Raul, por sua vez, garantiu o engajamento pleno dos tucanos na campanha e condenou o que chamou de “mesquinhez” atribuída por ele a outras forças políticas da cidade. “A gente está na política para servir a população. Temos que romper com o fisiologismo”.

Flor é candidata e prega taxação de empresas e revisão de dívidas


 

Douglas Reis
A candidata Maria Flor, Antônio Euzébio Filho e o vereador Roque Ferreira, ontem, na Câmara

Diante de militância predominantemente formada por jovens, o PSOL de Bauru formalizou a candidatura da psicóloga Maria Flor Di Piero à prefeitura. O professor Edson Fernandes foi confirmado como vice, mas, em viagem, não participou da convenção, que aconteceu na tarde de ontem, na Câmara Municipal. O partido lançará três candidatos à vereança, incluindo o já parlamentar Roque Ferreira.

A prefeitável apresentou alguns eixos programáticos da agremiação, construídos em reuniões promovidas em praças públicas nos últimos meses.

Para ela, a falta de recursos para a prestação de serviços públicos de qualidade, mesmo diante da altíssima carga tributária do País, é consequência da crise estrutural do capitalismo.

Maria Flor, nesse sentido, defendeu a taxação de grandes empresas, bem como uma rigorosa auditoria da dívida pública. “Hoje, o dinheiro dos nossos impostos vai para os banqueiros. O PSOL quer romper com essa prática. Está na hora dos grandes capitalistas dividirem as riquezas que tiram da cidade”, pontuou.

A candidata afirmou que criará um fundo constituído por recursos arrecadados pelo IPTU Progressivo no Tempo, que, por lei, deveria incidir sobre imóveis abandonados, cujas receitas seriam destinadas ao transporte coletivo, na busca pela “tarifa zero”.

Flor pregou a valorização do funcionalismo municipal e o combate às terceirizações, especialmente na saúde, na educação e nas políticas de bem-estar social. As pautas do ecossocialismo também estiveram em seu discurso.

A candidata garantiu que o PSOL combate sistematicamente a corrupção e defendeu a construção de um governo com massiva participação popular, que dê voz às minorias. “Sem esses grupos, não há democracia. Vamos para a eleição com a cara e a coragem, sem medo de falar a verdade”, frisou.

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