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Não somos o que pensam sobre nós...

Wellington Balbo
| Tempo de leitura: 2 min

Há um tempo o atual presidente interino, Michel Temer, que na época era vice-presidente, afirmou ser impossível governar o país com baixa popularidade. A alta popularidade justifica muitas coisas, desde monumentais besteiras à frente de um país até as paqueras nos colégios e, atualmente, nas redes sociais. Quanto mais popular o presidente, mais chances de permanecer no poder, reeleger-se ou fazer seu sucessor, assim como quanto mais popular o gatinho, mais garotas estarão em seu pé, ou quanto  mais conhecida a gatinha, mais meninos quererão cortejá-la. Trocando em miúdos, a popularidade é o que dizem e pensam a seu respeito, mesmo que você não corresponda em absolutamente nada do que dizem e pensam sobre você.


Na época em que lecionava, havia na faculdade a pesquisa de avaliação dos  professores. A pesquisa era temida e ceifou muitas cabeças. Caso queira manter o emprego melhor ser um professor legal, sem pegar muito no pé, senão... Pior para professores de matérias da área de exatas como matemática e física, pois já tinham contra si a antipatia criada em torno da própria disciplina. E por conta da busca pela alta popularidade uma infinidade de pessoas e não apenas professores e presidentes perdem  os cabelos preocupadas com o que pensam e dizem a seu respeito. Nada mal zelar pela reputação, até porque, não raro, o que pensam de nós pode influenciar na conquista de um emprego, no engate de um relacionamento, nas paqueras no colégio e até mesmo a permanência ou não na cadeira de presidente, isto segundo Michel Temer.


O problema é quando se torna ideia fixa a preocupação sobre o que se fala a nosso respeito, porquanto obstrui qualquer iniciativa que possa contrariar um grande número de pessoas. É como se ficássemos reféns dos outros, da alta popularidade. Um passo em falso e... Bum... logo despenca-se nas pesquisas. Imagino a dificuldade para um presidente da República em dividir-se entre uma boa aceitação do público e medidas impopulares. Por isso, não podemos nos iludir com as vozes que vem das ruas, das meninas do colégio ou das pesquisas dos alunos. Muitos dirão que somos egoístas, mesquinhos, hipócritas...  Outros dirão que somos generosos, bons amigos, leais...


Não somos o que dizem os primeiros, tampouco o que informam os segundos. Há uma enorme distância entre o que dizem que somos e o que realmente somos. O cultivo do autoconhecimento nos dará, com boa margem de precisão, o ponto evolutivo em que nos encontramos. Se não somos os anjos que alguns amigos, eleitores ou alunos afirmam, também não somos o demônio que alguns adversários assinalam. Aliás, não somos nada, apenas estamos, e estaremos melhor quando cumprirmos nossos deveres de consciência, fazendo o que deve ser feito e não o que querem os outros que façamos. Isto vale para o presidente, o professor e o gatinho da escola...


O autor é colaborador de Opinião

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