Tribuna do Leitor

Carta Aberta sobre a ocupação estudantil no câmpus da Unesp Bauru

Comando de Greve de Estudantes de Bauru
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Há dois meses que nós, estudantes da Unesp Bauru, decidimos por entrar em greve como forma de protesto e luta contra os contínuos cortes de verba destinada às universidades públicas, os ataques à qualidade e caráter público do ensino e, principalmente, por medidas que possibilitem a permanência estudantil de todas e todos os estudantes com carência socioeconômica. São dois meses de luta, discussões e pressão em cima de uma direção que nega sua responsabilidade perante a comunidade acadêmica e de um reitor que afunda na lama um pouco mais a cada dia que passa essa universidade que deveria abrir cada vez mais suas portas ao invés de fechá-las.


Devido às 32 vagas na Moradia Estudantil (que corresponde à aproximadamente 0,53% dos alunos do câmpus e que hoje já conta com uma superlotação de 56 estudantes), às 300 refeições do período único de almoço (que corresponde a apenas 5% da demanda do câmpus) e à insuficiência de bolsas de auxílio para todos os alunos que solicitaram, a luta do Movimento Estudantil da Unesp Bauru visa garantir condições mínimas para que estudantes de baixa renda possam permanecer nessa universidade e ter condições de desenvolverem seus estudos e atividades extracurriculares. É válido ressaltar que esta situação — já de calamidade — tende a piorar nos próximos anos, uma vez que ingressantes por políticas de cotas na Unesp irão subir de 15% em 2014 para 50% em 2018, sem esforço algum da universidade em adequar as medidas de permanência estudantil para receber esses e essas estudantes.


As últimas três reuniões que tivemos com a direção acadêmica e administrativa desse câmpus foram uma grande vergonha, uma vez que as negociações combinadas não foram feitas e diversas pautas foram tratadas com descaso. Como exemplo recente, a abertura das salas “quarentas” para uso estudantil, combinado em nossa primeira reunião, não foi atendida e a direção mostrou desconhecer a pauta na última reunião. O que é pior: essas e todas as outras salas sem equipamentos já deviam estar abertas desde 2013 como ganho da greve estudantil na reunião do Grupo Administrativo do câmpus realizada no dia 3 de setembro daquele ano. Além disso, constantemente a direção têm pressionado os estudantes excedentes da Moradia Estudantil a se justificar ou até mesmo a se retirar da casa, passando por um constrangimento causado pela própria gestão da Universidade.


Somando esses e outros tantos descasos e desculpas justificadas pela “crise” à relutância de diálogo por parte da Reitoria sobre as nossas reivindicações estaduais e locais, nossa Assembleia estudantil realizada em 29 de julho delibera que neste 31 de julho de 2016, a partir das 19h30, estamos e estaremos protestando em frente/dentro da Unesp Bauru e exigindo, por meio desta ocupação:


1. A abertura imediata e permanente das salas “quarentas” para uso livre estudantil; 2. A Moradia como prioridade no Plano Diretor do câmpus e a liberação de verba para construção imediata do segundo bloco conforme os padrões solicitados; 3. Liberação de verba para aumento imediato do número de refeições do Restaurante Universitário; 4. Contemplação das bolsas da Faculdade de Ciências (FC), que ainda não foram direcionadas aos que estão na lista de espera; 5. Não repressão aos estudantes. Já são meses de muitas reuniões, assembleias estudantis, atos e grupos de discussão, e tanto descaso só deixa claro o quão necessário é fortalecermos a nossa luta e a mantermos enquanto nossas pautas não forem atendidas.


Esta ocupação é legítima. Uma vez que o poder público não tem cumprido com a sua função social, os estudantes avaliaram que suas pautas só serão atingidas por meio desta manifestação, sendo que o Conselho de Estudantes da Unesp Bauru reconhece que esta luta faz parte de um movimento estadual maior, contra o sucateamento do ensino superior público, de modo que muitas de nossas pautas contemplam outras unidades da Unesp.


Por políticas de permanência e contra a repressão do movimento estudantil, seguimos em luta!

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