| Edio Junior/Jornal da Manhã |
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| Os delegados Luciano Menin e Rogério Hisbeck durante a coletiva na Polícia Federal de Marília |
A Polícia Federal, em Marília (100 quilômetros de Bauru), o Núcleo de Combate à Corrupção da Procuradoria Regional da República 3ª Região (SP) e apoio da Anatel, deflagrou a Operação Miragem nessa quarta-feira (10), que investiga irregularidade em grupo de comunicação.
Foram cumpridos 26 mandados judiciais expedidos pelo Tribunal Regional Federal (TRF), sendo 21 de busca e apreensão e cinco de prisão temporária nas cidades de São Paulo, Marília e Ribeirão Preto. Também foram cumpridos mandados de suspensão do funcionamento de duas estações de rádio – Dirceu AM e Diário FM - pertencentes ao grupo da Central Marília de Notícias (CMN).
As emissoras estariam operando clandestinamente, porque as concessões haviam se expirado em 2013 e 2014. A investigação aponta irregularidades na exploração de serviços de radiodifusão, tais como falta de concessão, falsidade ideológica e uso de documentos falsos. Segundo a PF, um grupo ocultava que pessoas com imunidade parlamentar eram os reais proprietários das emissoras. Há também indícios de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, consistente na provável evasão de divisas por parte de um investigado, utilizando-se de empresa já investigada no âmbito da Operação Lava Jato.
Os envolvidos responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de associação criminosa, falsidade ideológica, uso de documento falso, desenvolvimento clandestino de atividade de telecomunicação, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. Além dos crimes apontados, há indícios da prática, ainda, de evasão de divisas, fato que será aprofundado.
Houve duas pessoas presas, mas não foram divulgados os nomes. “Um dos investigados que tem mandado de prisão contra ele se utilizou de empresas que se relacionam com a Lava Jato. Não podemos falar nesse momento que tem ligação direta com a Lava Jato, o que pode ser dito é que em algum momento empresas utilizadas por esse investigado se cruzaram com empresas da Lava Jato especializadas em enviar divisas ao exterior”, explicou Luciano Menin. O caso segue em segredo de Justiça e tramita no Tribunal Federal em São Paulo por envolver político com foro privilegiado.
O prefeito de Marília, Vinícius Camarinha (PSB), declarou que a Prefeitura de Marília não tem nenhum envolvimento com os fatos, já que se trata de investigação a um grupo privado da cidade. “A prefeitura foi procurada simplesmente para esclarecimento de que se haveriam possíveis pagamentos ao referido grupo. Todas as informações solicitadas foram prestadas pela prefeitura, que reafirma publicamente não existir qualquer participação da mesma ou de qualquer servidor municipal com os fatos investigados”, informou em nota. O Grupo CMN não quis se pronunciar sobre a investigação.
