Polícia

Criminoso serial de Bauru é condenado a 25 anos de prisão

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: Samantha Ciuffa
Welington Albuquerque Santos estuprou e degolou Sandra Maria da Silva (no detalhe), que estava grávida de dois meses na época

As lágrimas e o sentimento de revolta tomaram conta de Rose Marques ao ouvir, nessa quinta-feira (11), a sentença que condenou o homem que matou sua irmã, a auxiliar de serviços gerais Sandra Maria da Silva, 36 anos. Réu confesso, Welington Albuquerque Santos, 27 anos, foi condenado a 25 anos de prisão pelos crimes de homicídio, estupro e aborto.

Casada e mãe de três filhos, Sandra estava grávida de dois meses quando foi degolada e abandonada por Welington em um matagal, na manhã de 30 de janeiro de 2013. Ela estava a caminho do trabalho quando foi abordada, no Núcleo Mary Dota.

Preso em março do mesmo ano, ele confessou à polícia que, em um intervalo de 25 dias, matou Sandra, estuprou uma jovem de 20 anos próximo à avenida Nações Norte e ainda esfaqueou um taxista, quando a vítima reagiu a uma tentativa de assalto nas imediações do Cemitério Jardim dos Lírios. Nessa quinta (11), contudo, o réu foi julgado somente pelo caso ocorrido no Mary Dota.

Welington foi condenado a 7 anos de reclusão pelo crime de estupro e a 18 anos por homicídio duplamente qualificado, por ter empregado recurso que dificultou a defesa da vítima e por ter matado a auxiliar de serviços gerais para evitar que ela pudesse identificá-lo pelo estupro ocorrido momentos antes.

A pena também considerou que o crime levou ao aborto do filho que Sandra carregava em seu ventre. O réu seguirá cumprindo pena em regime fechado na Penitenciária de Serra Azul, onde já estava encarcerado.

Durante o julgamento, a defensora pública Ana Lúcia Guedes de Moura Crepaldi tentou convencer o Tribunal do Júri de que Welington mantinha um relacionamento amoroso com a auxiliar de serviços gerais e que o homicídio teria resultado de uma briga entre eles. A intenção era excluir as qualificadoras para que o réu fosse julgado por homicídio simples.

“Ele alega que eles estavam juntos há cinco meses, que não sabia que ela era casada e que eles se desentenderam. No meio da briga, ele acabou a golpeando com uma faca”, comenta, salientando que o laudo pericial não conseguiu comprovar a ocorrência do estupro.

‘Destruiu a família’

A família da vítima, contudo, afirma que esta versão foi inventada para tentar reduzir a pena do réu. “Ele nunca tinha visto a Sandra antes e entrou em contradição, dizendo que ela contou para ele em novembro de 2012 que estava grávida, o que não é verdade, já que, no final de janeiro de 2013, ela estava com oito semanas de gestação”, reclama Rose.  

Assim como a irmã da auxiliar de serviços gerais, a tia Lenalva Nunes dos Santos, 65 anos, desejava que Welington recebesse uma pena maior. “Ele não tirou só a vida da Sandra e do filho que ela estava esperando, mas destruiu a vida de uma família inteira. Queríamos que ele apodrecesse na cadeia. Não há motivo para deixar um monstro deste voltar à sociedade e ter a chance de matar mais pessoas e fazer outras famílias sofrerem”, lamenta.

Preso, assassino demonstrou frieza

Samantha Ciuffa
Irmã da vítima, Rose Marques ficou muito apreensiva durante todo o julgamento nessa quinta-feira (11)

Sandra Maria da Silva ficou dois dias desaparecida até ser encontrada por parentes com o pescoço cortado, morta em um matagal, no dia 1 de fevereiro de 2013. Preso no final de março do mesmo ano Welington Albuquerque Santos confessou o crime e demonstrou frieza em entrevista concedida ao Jornal da Cidade. “Ela disse: ‘não me mata, pelo amor de Deus. Eu estou grávida’. Mesmo assim, eu fiz”, disse, à época.

Ele também confessou que, nove dias antes, em 21 de janeiro, estuprou uma jovem de 20 anos na quadra 21 da rua Coronel Alves Seabra. Em depoimento, o criminoso afirmou que só não a matou porque não teve coragem.

No dia 15 de fevereiro, o taxista Waldemar Martins de Azevedo, 72 anos, foi atacado na rua Iracema de Cândida Posca, próximo ao Cemitério Jardim dos Lírios. Welington, autor da tentativa de latrocínio, cravou a faca no peito da vítima e a girou. “Ele reagiu. Tive que fazer aquilo”, revelou. Foi por este crime que ele foi preso, o que permitiu que os demais fossem descobertos.

Em matéria publicada pelo JC, a maior especialista brasileira em assassinatos em série, Ilana Casoy, cravou: “Fica claro que ele é um criminoso em série”.

Comentários

Comentários