Nunca antes as mudanças na sociedade ocorreram em uma velocidade tão avassaladora. Tenho pouco mais de três décadas de vida e tive a felicidade de nascer ainda na era da máquina de escrever, dos livros de papel e das longas cartinhas de amor. Acompanhei a chegada dos computadores às residências e me lembro do meu primeiro contato com tal máquina. Presenciei o lançamento dos aparelhos de celular, inicialmente do tamanho de tijolos, depois reduzidos ao tamanho de um chaveiro e novamente ampliados, com novas tecnologias e funções.
As mudanças são muitas e nos envolvem de tal forma que podemos considerar um alienado aquele colega de trabalho que não dispõe de um smartphone, conectado minuto a minuto às redes sociais. Toda essa evolução tecnológica nos mantém conectados ao mundo de tal forma que, em fração de segundos, tomamos conhecimento das prévias ocorridas nos EUA e do ataque terrorista a Paris. E me pergunto como vivíamos antes do Google e toda a informação que temos acesso num piscar de olhos?
No entanto, também me sinto cada vez mais isolada. Hoje, as pessoas já nem conversam mais sobre a novela das 8. Conversam cobre a vida de Kim Kardashian ou alguma blogueira famosa (seja lá o que isso queira dizer). Isso quando conversam, porque muitas vezes e por muitas horas as pessoas estão olhando apenas para suas telas de smartphone.
E quando achei que tinha visto de tudo, eis que surge um aplicativo para caçar Pokémon. E as pessoas, aos milhares, não apenas baixaram tal jogo desesperadamente, como passam o dia caçando os tais bichinhos. Esse é o assunto do momento. Só se fala disso e só se faz isso. E como me sinto cada dia mais distante das pessoas e mais isolada desse novo e admirável (ou não) mundo, estou usando um método bem ultrapassado para desabafar: a escrita. Alguém estará aí para ler? Acho que não. Todos estão caçando Pokémon.