O Noroeste fechou, em audiência de conciliação realizada nessa quarta-feira (17), acordo com representantes de 15 de 46 jogadores que moviam ações trabalhistas contra o clube. Outros 11 reclamantes podem fechar acordo nos próximos dias, segundo a diretoria alvirrubra. Segundo o advogado do clube, Gustavo Gândara Gai, o clube vai pagar os acordos a partir da próxima semana. No entanto, segundo o JC apurou, o clube segue respondendo a 40 ações trabalhistas, onde não houve acordo. Os processos seguem na Justiça e podem acarretar nova penhora do Ginásio Panela de Pressão (leia mais abaixo).
“Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para chegarmos a um denominador comum com todos. Oferecemos o que o Noroeste podia colocar em acordo, mas nem todos aceitaram. Faz parte. Agora a Justiça pode seguir com a execução da penhora do ginásio para eles poderem receber dentro deste prazo burocrático. Apesar disso, saio bastante satisfeito porque estamos cumprindo a nossa proposta de gestão e agora vamos poder voltar a operar as contas em nome do clube. Para quem não fez acordo, o Noroeste está de portas abertas para negociar”, disse o presidente do Noroeste, Estevan Pegoraro, por meio da assessoria de imprensa do clube.
Ginásio lacrado?
A indefinição sobre a renovação do contrato de locação do Panela de Pressão é motivo de descontentamento da diretoria do Noroeste com a Prefeitura municipal. O clube afirma que o ginásio, local de mando dos jogos do Bauru Basket e Concilig/Bauru, pode ser inutilizado a qualquer momento devido ao impasse sobre valor do aluguel que a diretoria noroestina considera praticável pelo ginásio e o que a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) avalia ser viável. O Noroeste deseja uma quantia mensal de R$ 31 mil e a Prefeitura avalia que o valor mensal seria em torno de R$ 15 mil. Diante do impasse, Pegoraro ameaça lacrar o ginásio.
“Estamos trabalhando para que isso não ocorra, mas existe sim a possibilidade da gente colocar cadeado naquele portão do ginásio e deixar que a Justiça siga, ou não, com a execução da penhora. Não é o que a gente quer, de forma alguma, até porque entendemos que seria um desastre para o basquete e o vôlei. Mas dependemos da boa vontade e agilidade da Prefeitura. Ainda tenho muita esperança de chegar a um acerto com o município. Conseguimos acertar com o governo estadual, com o governo federal, com a Justiça do Trabalho... Não consigo acreditar que com a Prefeitura, entre nós bauruenses, que a gente não consiga chegar a uma solução para este impasse”, ressalta Pegoraro.
Sem conciliação
Dos 52 processos trabalhistas que o Noroeste responde, 40 não chegaram a acordo, nessa quarta-feira (17). A proposta do clube foi pagar aproximadamente R$ 1,8 milhão em parcelas mensais de R$ 5 mil. Os advogados que representam estas ações não aceitaram o acordo. “Ficou inviável a proposta. Nós representamos 18 das 40 ações restantes. E nossas ações respondem por R$1.386.544,22. A proposta foi pagar em 278 parcelas de R$ 5 mil. Ou seja, em 23 anos. Não aceitamos. Outros 18 advogados, que representam outros 22 atletas, também não aceitaram”, explica Filipe Rino, advogado do Sindicato de Atletas Profissionais do Estado de São Paulo.
Sem a conciliação, o impasse pode caminhar para nova penhora do Ginásio Panela de Pressão, cujo pedido já consta no processo e que segue para apreciação do juiz. “Nós entendemos a situação do Noroeste e hoje temos diálogo com o clube. É impossível que o clube faça uma proposta melhor do que essa. Enquanto a Prefeitura não ajudar. O clube não tem uma saúde financeira boa e acaba inviabilizando o acordo. Seriam R$ 5 mil para dividir entre 40 ações por mês”, constata Rino, ressaltando que somente de juros a dívida é acrescida mensalmente de R$ 13.865,44. “Agora o processo retorna para o juiz para uma decisão”, acrescenta.
Solução amigável
O prefeito Rodrigo Agostinho salienta que acredita em uma solução amigável no impasse sobre a renovação do aluguel do Panela. “Não acho que seja necessário qualquer radicalismo. É o único ginásio que o município tem. Espero que a gente chegue a um acordo, porque se houver algum tipo de radicalismo, a cidade fica sem o ginásio, o Noroeste fica sem o aluguel, enfim, todo mundo sai perdendo”, pondera. Rodrigo argumenta que a proposta da Prefeitura está de acordo com a realidade do mercado de imóveis para locação na cidade.
“O preço dos aluguéis em Bauru diminuiu. O Noroeste, acho, tinha uma expectativa de que aluguel do Panela aumentasse, até porque já faz tempo que estamos alugando o espaço. Mas a avaliação da Seplan é de que o aluguel deveria ser um pouco menor do que era – antes girava em torno de R$ 20 mil. Eu entendo o lado do Noroeste e a Prefeitura reconhece que existe uma dificuldade muito grande em atribuir um valor a um ginásio. Não existem outros ginásios à disposição. Mas, mesmo que o aluguel diminua, é um dinheiro que entra no clube a ajuda e pagar dívidas”, conclui.