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Campus Party Recife: projetos sociais ainda são pouco atrativos

Por Sumaia Villela | ABr
| Tempo de leitura: 3 min

O Campus Party Recife, realizado neste final de semana, debateu a questão do apoio ao empreendedorismo social.  Para a diretora de mentoria do projeto Porto Social, Ana Carla Marinho, falta profissionalização e que a organizações façam uma mensuração de seus resultados para atrair o invesimento privado.

“Aqui no Nordeste a gente está bem no começo dessa questão de doações. Porque as organizações não governamentais [Ong], ainda não estão preparadas para receber essa doação. Às vezes, o empresário quer doar, mas ele só vai doar ao ver o resultado na base. E a ONG não sabe apresentar esse resultado. Ela sabe que impacta 200 crianças, mas não tem indicadores para apresentar isso, porque vem muito com coração”, explica Ana Carla Marinho, uma das palestrantes.

O Porto Social é um projeto que visa a acelerar e incubar organizações que fazem empreendedorismo social. O conceito pode ser aplicado a organizações da sociedade civil dedicadas a resolver um problema coletivo, sejam organizações não governamentais, associações ou mesmo empresas que utilizam todo o lucro que recebem para reinvestir no projeto.

Segundo a diretora, um dos maiores problemas para que esses projetos recebam investimentos é a falta de estrutura administrativa para firmar parcerias com empresas em doar.  “Quem trabalha com empreendedorismo social geralmente trabalha com emoção, vem pela dor social e faz o projeto. Ele não tem um planejamento estratégico, um jurídico constituído, a responsabilidade contábil de gerenciar isso, não sabe quais os enquadramentos jurídicos que ele pode ter, quais os benefícios fiscais que podem dar para alguma empresa que chegue com algum tipo de patrocínio”.

Além disso, segundo a especialista, empreendedores sociais formalizados enfrentam obstáculos no sistema tributário, pois não há um regramento simplificado ou qualquer tipo de isenção fiscal – como o dado a igrejas, por exemplo - para essas organizações. “Uma das lutas que a gente vai levantar essa bandeira futuramente é: trazer benefícios fiscais para quem está fazendo essa parte social”.

A falta de engajamento de pessoas físicas e empresas, porém, é observada por representantes de projetos sociais, como Carlos Alberto Souza Alves, um dos incubados pela Porto Social. O músico profissional e pedagogo por formação pretende criar a primeira orquestra filarmônica inclusiva de Pernambuco. Para isso, trabalha com uma ideia pioneira – segundo ele, única no Brasil: ensinar surdos a tocar instrumentos de sopro.

“Dizem que surdo não tem como tocar instrumento de sopro, só percussivo. Mas eu toquei saxofone no aniversário de um professor surdo e ele se emocionou. Eu perguntei se ele estava ouvindo, e ele falou que não, mas que sentia a vibração. Através disso fiz pesquisas e descobri um método usado para entender a fala por meio da vibração. Então eu vi que era possível, porque o saxofone tem uma boquilha e uma palheta que é introduzida na boca e tem uma vibração”, explica Carlos Alves.

Atualmente, o músico dá aula para 10 surdos e já se prepara para a primeira apresentação pública. Ele paga com o próprio dinheiro o aluguel do espaço e as contas de luz e água, além de sua mão de obra gratuita. Ele tenta conseguir doações também de instrumentos musicais, mas até agora não obteve sucesso. “As pessoas se sensibilizam com o projeto, admiram, acham bonito, mas na hora do apoio não sai. É cultural mesmo. Já cheguei a procurar loja de instrumento musical e falei que não precisava dar dinheiro, já que estavam desconfiando. Bastar dar um instrumento, uma palheta, um abafador. Eu disse que levava os meninos lá para mostrar quem ia tocar, mas não consegui nada”.

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