Quem são as 303 pessoas que disputam o seu voto na busca por uma das 17 cadeiras da Câmara Municipal de Bauru? A partir dos dados informados à Justiça Eleitoral, o JC levantou que o perfil médio dos candidatos a vereadores é de homens, de meia idade, brancos, casados, com maior grau de escolaridade que a maior parte da população e donos de um imóvel.
Apenas 30% dos postulantes ao Legislativo declararam não possuir qualquer bem. No mais, 34% alegam tê-las no montante de R$ 100 mi a R$ 500 mil. Na maior parte dos casos, esses valores estão relacionados a casas ou apartamentos de natureza residencial. Um grupo menor – 25% do total – informou dispor de menos de R$ 100 mil.
Há, no entanto, 5,5% com patrimônio de R$ 500 mil a R$ 1 milhão. E outros 5,5% que têm mais de R$ 1 milhão. Em números absolutos, são 16 deles. A já vereadora Telma Gobbi (SD) foi quem declarou maior volume de bens, totalizados em R$ 6.511.898,45.
Meia idade
43,5% dos candidatos a vereador nestas eleições têm entre 45 e 59 anos. Esse grupo representa apenas 25,1% do eleitorado de Bauru. Por outro lado, jovens com 18 a 24 anos são 12,5% dos cidadãos aptos a votar na cidade, mas somam apenas 3% dos nomes apresentados aos partidos políticos e coligações à Justiça Eleitoral.
Eles são apenas nove candidatos, sendo que o mais novo nasceu em 1997 e, hoje, tem 18 anos. Trata-se de Ythalo Prado, filiado ao PSOL. Cerca de 10% do eleitorado, os idosos com mais 70 anos representam 2,5% dos candidatos. O mais idoso, inclusive, já foi vereador e está com 76: Expedito Bonetti (PMDB).
Mais escolarizados
Entre os candidatos à vereança por Bauru, 78,5% completaram pelo menos o ensino médio, sendo que 35,5% chegaram a concluir o superior.
Dados do Centro Demográfico do IBGE, realizado em 2010, aponta que entre a população adulta da cidade, esses índices são bem menores: 50,6% e 16,5%, respectivamente.
Por outro lado, apenas 6,5% dos postulantes à Câmara não completaram sequer o ensino fundamental. Dentre os munícipes com mais de 18 anos, 31,4% não têm instrução ou não concluíram sequer a primeira etapa da educação básica.
Maioria
Quase 80% dos virtuais parlamentares declararam-se brancos à Justiça Eleitoral, de pontos percentuais a mais do que o registrado pelo último Censo. A participação dos que se dizem pretos, no entanto, é maior do que o da média da população: 10,5% entre os candidatos e 4,85% no geral.
Por outro lado, enquanto são 23% entre os bauruenses, os pardos são 9% dos postulantes ao Legislativo local. Há ainda dois candidatos que se autodeclararam indígenas à Justiça Eleitoral.
Quando analisado o estado civil dos políticos que brigam por uma vaga na Câmara, constata-se que 67% deles são casados; o triplo dos 22,5% solteiros.
Cota feminina
Como já esperado, mesmo representando 53% do eleitorado de Bauru, as mulheres respondem por apenas 33% das candidaturas, muito até em função da cota mínima de 30% estabelecida pela Justiça Eleitoral para um dos gêneros.
Antropólogo da Unesp aponta ‘cultura política’
O antropólogo da Unesp Cláudio Bertolli destaca a disparidade entre o perfil médio dos candidatos e a população em geral. Para ele, um dos elementos que explica este quadro é a necessidade de os postulantes aos cargos eletivos possuírem algum tipo de recurso financeiro para custear suas campanhas.
Muito além disso, Bertolli observa a prevalência da cultura política tradicional que, historicamente, exclui a mulher, negros e pobres dos processos de poder. “No caso das candidatas do sexo feminino, agora estão tentando incluí-las de forma perversa e marginal. Só o fazem por causa das cotas”, destaca.
O antropólogo aponta ainda a tradição brasileira de se eleger “doutores”, com ensino superior. “Está permeada a ideia de que alguém com diploma universitário poderá gerir melhor. O que é uma mentira. Além disso, há também uma falsa ideia de que políticos casados são mais sérios que os solteiros. Muito preconceito”.
Para Bertolli, a não correspondência entre os perfis da Câmara Municipal e da população em geral contribui para que “a coisa pública seja gerida em benefício dos que já são beneficiados”.
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