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A geração que adora selfies e ser visualizado

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 5 min

Aceituno Jr.
Simone Faraco e parte de sua coleção de fotos

Você gosta de fazer uma selfie? Posta tudo o que vê com, sua nobre figura, mostrando que de fato lá estava? Você não está só. São milhões no mundo todo. Pode-se dizer que os selfistas têm uma excessiva autoestima e, claro, algumas vezes exageram e até são invasivos. E o que não se pode dizer é que não sejam transparentes, se escondam, ou sejam dissimulados. Isso nunca.

A qualquer hora são vistos e se não são, fazem questão de ser, é o desejo. E o que faz de uma pessoa um verdadeiro selfista? Encontramos bauruenses e fomos esmiuçar as razões pela qual gostam tanto de estar à frente das câmeras. E claro, postar. Se não, qual é a graça?

A palavra ‘selfista’

Ah! Antes que alguém diga algo: não existe (ainda) esse termo – selfista - em português, tá? É novo, novíssimo, e, numa busca rápida, pela Internet, na última sexta-feira, não encontrei uma só referência a essa palavra em sites em português. Mas existe, sim, selfista em castelhano. Quem é da Espanha, Argentina etc., já usa esse termo.  Então, aqui vai: estamos usando a palavra, pela primeira vez, para designar quem adora fazer selfies.

Na mesma sexta-feira em que procuramos o termo selfista (leia acima), uma dupla de sucesso da televisão lançava uma peça de teatro. “Selfie” chegava ao palco do Teatro Renaissance, em São Paulo.  A comédia trata da atual febre de exposição. “A realidade mudou quando o celular virou uma janela para o mundo que pode andar com a gente em todos os lugares. É uma ferramenta interessante, mas estamos nos lambuzando muito com isso e substituindo o mundo real pelo virtual. A peça discute isso”, conta Miguel Thiré, que divide o palco com o Mateus Solano. Solano interpreta Claudio, um vidrado em Internet que deixa cair café no equipamento e perde todos os dados. Claudio, então, torna-se um homem sem história, já que toda sua memória era virtual e não se lembra de nada.

Thiré interpreta 11 personagens, todos ligados a Claudio. “A peça é curiosa e inteligente. Apesar de falar de informática e coisas modernas, toda a parte de dramaturgia é feita da forma mais artesanal possível. Não usamos nada tecnológico”, conta Thiré.  Apesar de bem-humorada, a peça também faz uma crítica ao momento atual. “E o cotidiano está cheio de cenas para se inspirar”, alerta Solano. Ele conta que ambos buscaram momentos do dia a dia com um grande potencial cômico de ir para o palco. “O celular na mão mudou o nosso ritmo de vida, a forma como acordamos ou vamos dormir, e também como interagimos com as pessoas. Tudo isso está registrado, mas essa segurança não quer dizer que seremos poupados de situações constrangedoras”, aponta Solano. E pensa que ele não faz parte do grupo que adora uma selfie? Faz, sim. Olha ele aí registrando toda a turma da “Nova Escolinha do Professor Raimundo”, que volta ao ar, na Globo, em outubro.

Cada qual com seu motivo

Karen Negri e o filho Iago: paisagens em viagens

Quem também escolhe as selfies pelo local onde está é a fonoaudióloga Karen Andressa Negri, que viaja bastante por conta da profissão. Então, sempre que vê um local diferente, uma paisagem, está postando. Quando está em casa, o objeto principal de suas fotos é o filho Iago. Quer motivo melhor que esse?

Já Simone Faraco, que ilustra a abertura desta matéria, tem motivos de sobra para gostar da selfie: adora fotografia. Ela é do tempo da máquina fotográfica mesmo. Talvez por ter só uma ou outra foto de quando era criança (que guarda com o maior carinho), foi à forra um pouco mais velha.

A partir da adolescência, passou a fazer fotos de todos os momentos possíveis. Agora, aos 40 anos, nem é preciso dizer que virou uma selfista de mão cheia. E o próprio perfil dela, bem desinibido, ajuda bastante. “Se me julgam exibida? Não tenho problemas com isso, nem positivo nem negativo. Faço por mim mesma. E quem me conhece sabe a sinceridade da selfie”. E com um sorriso generoso, lábios vermelhos, ela recria a frase “cada sorriso é um flash” que vira “cada sorriso, uma selfie”.

Confiança no próprio taco

Aceituno Jr
Gabriel Rezende: filosofia de vida

O estudante Gabriel Rezende, 16 anos, é um adorador confesso de selfie. O porquê é simples. Ele é vaidoso e não se acha tão bonito assim. Dessa forma, prefere ele próprio tirar a foto ao invés de posar para os outros. “A gente se conhece, sabe qual é melhor expressão, o melhor ângulo”. Mas isso não seria narcisismo? “Ih, vendo de uma forma mais aprofundada, sim. Mas para as pessoas que não me conhecem é sempre bom causar boa impressão, né?

E quem me conhece pessoalmente já sabe como eu sou mesmo, então eles só apreciam minha habilidade de tirar fotos boas”, responde, aos risos ,e abre uma exceção na própria regra posando para o fotojornalista do JC Aceituno Jr. (que, esperamos, tenha agradado à sua alta exigência).

E o mais legal é ver que ele também ilustra cada uma das fotos que faz, geralmente ao ar livre, com uma expressão bem sacada, como por exemplo, “cada mente é um universo”. Um “selfista-filósofo”.

Quem também gosta de postar selfies é o estudante de engenharia, Leonardo Concuruto. Sua escolha para as poses é em função do local onde está. “O momento que presencio naquele lugar merece ser compartilhado com as pessoas. O que mais me motiva? Acho que seria minha autoestima naquele momento para que as selfies fiquem boas e bonitas”.

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