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Entrevista da semana: escritora Ana Maria Barbosa Machado

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 6 min

Samantha Ciuffa
Fotos: Arquivo pessoal 
Ana Maria ao lado do filho José Greifo e com a mãe (já falecida) Adair Barbosa Machado

Bastante conhecida no meio literário, a entrevistada deste domingo (18) é autora de uma dezena de livros, além de ter participação em diversas antologias poéticas. Ana Maria Barbosa Machado descreve hoje a sua paixão pela leitura e outras curiosidades pessoais, como o engajamento no voluntariado. Integrante da Academia Bauruense de Letras há 10 anos, ela também faz parte do grupo Expressão Poética, sendo, inclusive, uma das fundadoras do Expressão, que já comemora 17 anos “de vida”.

2016 é um ano cheio de novidades para a escritora. Atualmente, ela trabalha em um livro sobre a Apae de Bauru, com previsão de lançamento para 2017. E neste ano? Para 2016, dois novos livros estão com lançamento marcado.

O primeiro é “Dilema”, uma obra de poesias. O segundo é “Teodoro – Um menino vencedor”, a respeito da inclusão da pessoa com deficiência, em parceria com o escritor Júlio Paes, com ilustração do Greifo, marido da escritora.

“Com ‘Teodoro’, nossa ideia é falar que a inclusão não existe apenas por uma imposição política, mas que ela deve ocorrer de maneira responsável. O livro faz parte de uma coleção que virá com cinco a seis livros sobre a inclusão com responsabilidade”. Leia mais.

Jornal da Cidade - Como nasce uma escritora?
Ana Maria Barbosa Machado – Quando eu estava na escola, os professores eram bastante exigentes, o que eu acho que era uma coisa boa. E a leitura estava entre essas exigências. Na minha turma, eu era uma das que mais liam. Eu achava a leitura legal, era um mundo paralelo no qual eu vivia. Depois, eu comecei a querer dar outro destino para as histórias que eu lia. Eu queria recontá-las. Eu acho que foi mais ou menos por aí que nasci como escritora. Mas eu me encantei em primeiro lugar com a poesia.

JC – O que a levou a ter esse encantamento inicial?
Ana Maria – Quando adolescente, eu fazia teatro com o Paulo Neves. Era uma época de fim da Ditadura Militar, onde as pessoas estavam começando a ter liberdade, mas a gente não sabia o que fazer com ela. Mesmo que não houvesse perigo, a gente achava que tinha, porque fomos educados para nos precaver de tudo. Foi nessa época que conheci a poesia de Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e fui gostando muito. Eu passava horas lendo, esse era o meu hobby na adolescência. Em seguida, passei a escrever e a fazer diários. 

Samantha Ciuffa
Ana Maria com integrantes da Academia Bauruense de Letras

JC – Quantos livros você já escreveu?
Ana Maria – Estou em minha décima obra. Vou lançar muito em breve dois deles. Estou no quinto livro de poesia, já fiz três de literatura infantil, com ilustração do meu marido Greifo e do meu filho José Greifo, e um de crônicas de família, onde relatei minhas histórias e memórias do tempo de adolescente. Também tenho participação em diversas antologias pela Academia Bauruense de Letras e pelo grupo Expressão Poética.  

JC – Há quanto tempo você faz parte dos dois grupos?
Ana Maria – Estou na Academia há 10 anos e no grupo desde o seu surgimento, há 17 anos. O Expressão Poética é um conjunto de amigos que se reúne em prol da literatura. Temos um jornal e organizamos eventos mensais no Bosque da Comunidade, entre outras atividades.

JC – De onde vem a sua inspiração para escrever?
Ana Maria – Eu acho que isso depende muito da fase que estou vivendo naquele momento.

JC – Você está desenvolvendo um trabalho literário na Apae de Bauru, certo?
Ana Maria – Sim. Estou na Apae há um ano. Meu trabalho é registrar a história da instituição em um livro contando os seus 51 anos. Será um livro com ilustrações. Fiquei muito feliz com o convite. Dona Olga Bigudo, a presidente da Apae, sempre teve vontade de lançar esse livro, é um sonho para ela, que será lançado em 2017. 

Samantha Ciuffa
Na foto, a escritora Ana Maria com a presidente da Apae, Olga Bicudo, e parte da equipe onde trabalha atualmente

JC – Você dá nota 10 para os voluntários. Quais foram as causas já “abraçadas” por você?
Ana Maria – Eu sempre fui voluntária. Você começa com algumas horas, vai para a diretoria, começa a preencher horários vagos e, quando percebe, está vivendo o voluntariado 24 horas por dia (risos). Fui do Centro de Valorização da Vida (CVV) durante muitos anos, do Projeto Alegria, em seu início, participei do grupo Irmã Sheila, do Amor e Caridade...

JC – Sobre família.
Ana Maria – Sou casada há 15 anos com o ilustrador Greifo. Temos um filho de 13 anos e dedico boa parte do meu tempo também à família. Acho que eu penso mais no coletivo do que em mim. A nossa vida é uma preparação e eu não tenho uma posição individual perante à vida. Eu me preocupo em realizar coisas que sirvam para um grupo e não apenas para mim.

JC – Você disse que está prestes a lançar dois novos livros neste ano...
Ana Maria – Sim. O primeiro, “Dilema”,  será lançado no dia 30 de setembro, às 20h30, na Casa Ponce Paz. É um livro de poesias. O segundo é “Teodoro – Um menino vencedor”,  a respeito da inclusão da pessoa com deficiência. Este fiz em parceria com o escritor Júlio Paes, com ilustração do Greifo. Nossa ideia é falar que a inclusão não existe apenas por uma imposição política, mas que ela deve ocorrer de maneira responsável. O lançamento será no dia 3 de outubro, às 19h, no Teatro Municipal. Faz parte de uma coleção que deve vir com cinco ou seis livros sobre a inclusão com responsabilidade.  

JC – O que você sente quando escreve?
Ana Maria – Acho que escrever é fazer registros que precisam ser passados. Escrever é uma coisa muito forte para mim. É uma realização. Já trabalhei muito com escolas (crianças e adolescentes), com o levar o livro para dentro das escolas. E quando alguém se identifica com uma de minhas poesias é algo marcante demais para mim. Uma mesma poesia é capaz de tocar uma adolescente e uma senhora de 80 anos, por exemplo.

Perfil

Ana Maria Barbosa Machado
Tem 53 anos e nasceu em Bauru
Seu signo é Leão

É casada com o ilustrador Greifo, com quem tem um filho: José Greifo
Como hobby, ela destaca as reuniões com amigos
Seu livro de cabeceira é sempre o seu último livro
Quando o assunto é cinema, seus filmes preferidos são os romances das décadas de 1950/60
Nota 10: Para os que se dedicam ao voluntariado e realizam tal trabalho com amor
Nota 0: Para a política no Brasil
E-mail: aninha.luanova@yahoo.com.br

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