Por que fechas os olhos, quando podes sorrir? Por que arrombas portas, se existem chaves? Por que criticas, em vez de elogiar? Por que agrides, quando levas tanta ternura nas mãos? Por que levantas muros, se eles roubam a visão? Por que cortas as pontes, se elas aproximam as margens?
Por que desafinas, se sabes cantar? Por que perdes a cabeça, se isso nada resolve? Por que violentas, quando a simpatia consegue muito mais?
Por que ironizas, quando basta um pouco de humor? Por que mutilas, quando podes completar? Por que secas o rio, se amanhã terás sede novamente?
Por que te precipitas, quando a serenidade é o caminho? Por que acampas na planície, quando a felicidade mora lá em cima, no alto? Por que foges, quando é melhor ficar? Por que te ausentas, se tantos pedem tua presença? Por que renegas a fonte, se lá iniciaste o percurso da vida? Por que teu olhar se desvia, quando Deus procura fixar-te?
Por que não dobras o joelho, se rezar é tão importante? Por que monólogos, se o diálogo é a melhor solução? Por que matas, quando podes dar vida? Por que odeias, sabendo que o amor preenche o coração?