Dentre os vários ensinamentos de Jesus, o “Não penseis que vim trazer paz à Terra; não vim trazer paz, mas espada” (Mt. 10,34) pode causar uma certa estranheza em virtude da natureza serena, pacífica, humilde e amorosa do Mestre Nazareno tal como a conhecemos pelos ensinamentos dos Evangelhos. A sua nobre missão foi a de sedimentar os fundamentos de uma moral elevada e exemplificá-la por amor incomensurável à humanidade, mas sem descartar a Justiça como uma das Leis Divinas; e mais: por saber de antemão que os seres humanos terrenos teriam que enfrentar as mais duras provas e expiações para poderem evoluir em todos os sentidos.
Em virtude da sua submissão aos desígnios de Deus, Jesus Cristo foi concebido de O Cordeiro de Deus. Sua sabedoria e mansidão contrapunham ao orgulho, à prepotência, ao egoísmo, à dominação... vigentes à época em que esteve encarnado. Foi concebido pelo Espiritismo como o tipo, o guia e o modelo mais perfeito a ser seguido pelos homens (Kardec, O Livro dos Espíritos, p. 258, Editora Instituto de Difusão Espírita, 140a. Edição, 2002); ou, na concepção da Tradição Cristã como o próprio Deus encarnado na condição humana (Católica, Catecismo, p. 70, 71, Ed. Editora Vozes, 3a. Edição, 1993).
Para estimular o amor fraternal e universal estabeleceu a significativa regra de ouro que se encontra em O Evangelho Segundo Mateus, 10, 46-48, nos seguintes termos: “Pois, se amardes os que vos amam, que galardão havereis? não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? não fazem os publicanos também assim? Sede vós perfeitos como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.”
Resta, pois, a pergunta: como decifrar esse tipo de “guerra”? e a “espada”? Ora, de antemão e segundo o meu entendimento, é importante se compreender que o Mestre, ao encarnar em um mundo que se encontrava atrasado em todos os sentidos e que precisaria recepcionar uma avalanche (bilhões) de espíritos das mais variadas natureza (intelectual e moral), antevia os mais acirrados confrontos, porquanto a sua política, centrada no amor, perdão, reconciliação, oração, desprendimento, caridade, honestidade, fé, lisura... haveria de contrapor com a do anticristo, fundada, por sua vez, no orgulho, egoísmo, inveja vaidade, ostentação, ódio, mentira, prepotência, engano, trapaça, dissimulação, discriminação, exploração, corrupção, arrogância, manipulação...
Qual o mecanismo natural que possibilitaria a paridade de armas na distribuição de Justiça, simbolizada pela espada, nas inevitáveis confrontações que viriam? Segundo as minhas convicções trata-se da reencarnação como mecanismo de evolução e ao mesmo tempo de realização de Justiça, através da qual os Guardiões da Humanidade fariam renascer de forma estratégica nos mais variados países, cidades, famílias... seus mais preparados agentes que iriam agir com lealdade, idealismo, sabedoria e amparo espiritual nos momentos oportunos.
Para concluir, exemplifico com um significativo trecho extraído do livro intitulado de “A Quadrilha, O Foro de São Paulo, autor, Ângelo Inácio, psicografado por Robson Pinheiro, Editora Casa dos Espíritos, 1a. Edição, 2016, p. 157”, o seguinte trecho: “No momento oportuno, esses agentes têm emergido no cenário nacional, trazendo à tona as fragilidades e os segredos dos baluartes da maldade, deixando à mostra a verdadeira face dos que representam os projetos de criminalidade na política e em outras áreas. Seja no Ministério Público e nos gabinetes de governo, seja, em oculto, nos tribunais e nas repartições públicas estaduais e federais, existem instrumentos da justiça sideral ali instalados, conforme a programação dos guardiões superiores, à espera do momento de se pronunciarem, se, porventura, já não o fizeram. Trazem a lume a verdade, ainda que essa verdade revele o que muita gente não queira ver exposto publicamente. Todavia, como já assinalou o evangelista, ‘não os temais; porque nada há encoberto que não haja de revelar-se, nem oculto que não haja de saber-se’.