Professor da Instituição Toledo de Ensino (ITE), Emilio Primolan está lançando o seu primeiro livro, “Vaticano II: Avanços, conflitos e retrocessos”, obra que discute a transição do catolicismo tradicional (conservador) para o catolicismo progressista, nascido a partir do Concílio Vaticano II (1962-1965). Primolan está em Bauru desde fevereiro de 1982. Veio como sacerdote da Igreja Católica e exerceu o cargo de pároco até 1986, quando abandonou a carreira.
Qual é objetivo do livro?
Professor Emilio Primolan - O texto foi originalmente escrito como tese de doutorado em História Social, na Unesp de Franca. O principal objetivo é discutir a transição do catolicismo tradicional (conservador) para o catolicismo progressista, nascido a partir Concílio Vaticano II (1962-1965). A obra consiste num diálogo entre as dioceses de Bauru e Botucatu e Roma e aborda as mudanças que ocorreram na Igreja Católica desde 1950 e que foram determinantes para a preparação do Concílio. Em seguida, discute-se os desdobramentos do Concílio até 1970, destacando-se o posicionamento do Clero e dos bispos que atuaram nas duas dioceses no período, a favor ou contra as reformas introduzidas pelo Concílio.
O que o inspirou?
Professor Emilio - Havia uma razão acadêmica para conquistar o grau de doutor e uma razão pessoal: na adolescência e na juventude, as reformas da Igreja para se aproximar da vida do povo tinha me encantado muito, levando-me a estudar em seminário para atuar como sacerdote. No início da década de 1980, ao conhecer por dentro o funcionamento de diversas paróquias, houve um desencanto muito grande: o Concílio não tinha chegado aos leigos e a Igreja continuava longe da vida do povo.
O desencanto o impulsionou às pesquisas?
Professor Emilio – Sim. Em 2004, fui às fontes documentais de arquivos de universidades, paróquias e sebos para verificar se de fato aquela Igreja tinha existido ou seria apenas uma miragem de jovens idealistas. Qual surpresa, ela está relatada no livro com a forma e conteúdo do antigo sonho. Ao final, pode-se verificar que a partir de 1968, a hierarquia temendo os rumos que tomava a Igreja, idealizou e realizou um retrocesso.
Quais são os principais aspectos abordados na obra?
Professor Emilio – Depois de apresentar os movimentos de Reforma Católica levada a cabo na década de 1950, no cenário das duas dioceses, os quais prepararam o terreno para a decretação do Concílio, discute-se a nova concepção de Igreja: a Igreja Povo de Deus, emanada do Concílio como avanço doutrinário e pastoral. Em seguida, passa-se a analisar os conflitos internos da Igreja entre o Clero conservador e os progressistas e, por fim, expõem-se os retrocessos das conquistas do Concílio pela supremacia da ala conservadora da Igreja, tanto no âmbito local quanto universal da Igreja.
O que mais destaca?
Professor Emilio – Destaca-se o jogo da alta hierarquia na nomeação de bispos para frear a modernização da Igreja como povo e como hierarquia. Por exemplo, trato da nomeação de um bispo conservador como D. Zioni, bispo de Bauru até 1968, quando foi nomeado para governar uma diocese de Clero progressista em Botucatu. Na ocasião, 32 padres abandonaram a diocese. Por outro lado, o progressista D. Padin fora nomeado para governar o Clero conservador de Bauru, em 1970.
Onde os leitores podem adquirir o livro?
Professor Emilio – Em breve estará nas livrarias de Bauru. Por ora, pode ser adquirido na própria editora Prismas, na Cia dos Livros, na Amazon, entre outras.