| Samantha Ciuffa |
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| Adalberto Galícia: "Começamos a ver uma pequena reação. Para 2017, vejo um ano bom." |
Após um período de muitos desafios e baixas perspectivas, o comércio de Bauru começa a esboçar os primeiros sinais de recuperação às vésperas do início do período de vendas de fim de ano. E a retomada do otimismo do varejo local está em consonância com recente levantamento divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) para o comércio em geral, no Estado.
Segundo a Sondagem do Comércio, publicação mensal do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, o Índice de Confiança no Comércio no mês passado chegou a 81,9. Para se ter uma ideia, em outubro de 2015, o resultado ficou em apenas 65,5. A pesquisa ouviu 1.180 empresas e considerou aspectos como o volume de demanda atual, situação atual dos negócios, tendência dos negócios para os próximos seis meses e vendas previstas para os próximos três meses.
Coordenadora do curso de ciências econômicas da Instituição Toledo de Ensino (ITE), a economista Salete Lara avalia que a melhoria do humor tanto dos empreendedores quanto dos consumidores está relacionada à definição do rumo do País, que permaneceu incerto por longos meses em razão da instabilidade política que culminou no afastamento e posterior impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Também contribuíram para este ganho de confiança mudanças mais palpáveis, como a redução da taxa de juros e do índice de inflação na comparação com 2015.
"Sem confiança na administração pública, a economia sofre as sequelas. E essa instabilidade só foi agravada com os casos de corrupção que emergiram neste processo. Agora, percebemos um certo alento de uma mudança para melhor em termos de negociação, investimento e abertura de crédito", pontua.
'PÉ NO CHÃO'
Embora o fechamento de vagas de trabalho continue sendo um grande problema a ser enfrentado, as estatísticas apontam que Bauru já voltou a registrar maior número de contratações do que demissões, desempenho que não era alcançado desde março do ano passado. Porém, diante das consequências devastadoras sobre a renda da população nos últimos 12 meses, em que mais de 5 mil postos foram extintos na cidade, os resultados ainda são tímidos.
Em agosto deste ano, foram 482 novas vagas criadas e, em setembro, 71, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. Como esta retomada ainda é incipiente e o fantasma do desemprego segue assombrando a população, Salete Lara avalia que, ao menos por enquanto, este ambiente de renascimento será acompanhado por cautela.
É o que o superintendente do Boulevard Shopping, Marcelo Manton, chama de "otimismo pé no chão". "Sabemos que não iremos registrar um crescimento de vendas fora da curva em relação há anos anteriores, porque a população continua mais comedida. Mas a tendência é de aumento da demanda dentro de um patamar satisfatório, em comparação ao que foi o segundo semestre do ano passado", analisa.
Para o gerente-geral do Bauru Shopping, Ivan Mouta, esta recuperação da confiança, mesmo que vagarosa, deve se consolidar em 2017. Ele acredita que os resultados, contudo, já comecem a ser observados nas vendas de fim de ano, que podem ser até 10% melhores do que as de 2015. "O varejo é muito suscetível ao humor. Quando as pessoas estão mais temerosas, o consumo acaba retraindo. Mas, como este cenário está mudando, acreditamos que esta onda de retomada já será sentida em dezembro. E os lojistas estarão preparados para que as vendas venham", completa.
Empresários já notam recuperação
A percepção de que "o pior já passou" está sendo medida por resultados concretos por alguns lojistas em Bauru. É o caso do empresário Adalberto Galícia, proprietário de duas lojas no Bauru Shopping - uma franquia de joias e uma franquia de calçados, bolsas e acessórios.
De acordo com ele, embora 2016 tenha sido mais difícil do que o ano passado, o mês de outubro fugiu à regra. "Começamos a ver uma pequena reação, com alguns dias bons em vendas. E esperamos que, em novembro e dezembro, estes resultados sejam ainda melhores", pontua, salientando que tem investido na renovação do estoque para atender à demanda estimada, até 10% superior ao ano passado. "Para 2017, vejo um ano bom", completa.
A avaliação é compartilhada por Ivanir Latini, proprietário de uma loja que comercializa meias e pijamas no Boulevard Shopping. Ele salienta, contudo, que o empresariado também precisa fazer sua parte, usando a criatividade e buscando novas estratégias de negócios para contornar este momento de dificuldade.
"A melhora já está acontecendo, as pessoas estão voltando a comprar. Mas não dá para ficar de braços cruzados. É preciso criar mecanismos para trazer o cliente para dentro da loja, com divulgação do seu negócio, investimento na qualificação dos funcionários para um bom atendimento, oferta de boas condições de pagamento e pesquisas de satisfação", ensina.
Mesmo um pouco menos otimista, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Aldemiro José Alves, também aposta no aumento das vendas neste final de ano, com expectativa de alcançar resultados até 6% melhores do que o de 2015. "Com a crise, a gente sabe que ainda está meio difícil. Mas, em época de Natal, as lojas acabam sempre vendendo mais. Estamos esperançosos", completa.
