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A paixão pelos pets vira-latas; raça mais popular do Brasil

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 4 min

O advogado Marco Bechir conta que a cachorra Júlia (ou Juju, para os íntimos) foi adotada em uma das ações do Esquadrão do Bem (da qual ele participa), na comunidade Ferradura Mirim. Apesar da cara e porte da raça pastor alemão, ela é uma legítima SRD - sem raça definida - ou seja, um animal sem pedigree. 

Bechir sabe que o vira-lata é o cão mais popular do País. O que não lhe tira em nada o brilho. Como ele, milhares de pessoas preferem um cão ou um gato vira-lata, como mostrou uma pesquisa divulgada mês passado.

A pesquisa feita no Estado de São Paulo pela Pet Anjo Marketplace, a única com certificação internacional no Brasil no segmento de rede de serviços pets (veja o quadro abaixo), demonstrou que o vira-lata é o cão mais popular de São Paulo, seguido do yorkshire terrier e do poodle. Entre os gatos o campeão também foi o vira-lata. Também vale para os gatos. E nesse caso, compõem o pódio o siamês e o persa. Foram analisados mais de 5 mil registros de cães e gatos levando em conta raça e sexo do animal.

"É de surpreender que em inglês a palavra God (Deus) seja dog (cão) de trás para frente?", cita o advogado Marco Bechir (do livro "Conversando com os cães", de Kate Solisti-Mattelon). Leia histórias emocionantes a seguir.

Estopinha, a cachorrinha pop

Samantha Ciuffa
Laiza Vilela com a cachorra Estopinha, que divide o espaço da cama com a dona na hora de dormir
Ela é uma graça. Parece uma yorkshire, mas não tem raça definida, não. Em compensação, tem talento de sobra para celebridade.

Além de adorar as visitas e passeios com sua dona, a psicóloga Laiza Vilela, Estopinha faz charme para todo mundo que encontra. No pet shop, é superconhecida e popular.  E mais: adora uma câmera fotográfica, fica bem nas fotos. 

Estopinha, apareceu na vida de Laiza em janeiro deste ano. Ela a encontrou num grupo de adoção e foi amor à primeira latida, brinca. "Nunca pensei em adotar nem em comprar um cão de raça. Desde pequena tenho amor por esses bichinhos vira-latas, mesmo", dis. E incentiva as pessoas a fazerem o mesmo. Morre de dó dos cães abandonados na rua. Hoje, Estopinha tem vida de princesa. Além de receber todo o carinho da dona, recebe todos os cuidados.

Isso sem contar que dividem a mesma cama. "Não teve jeito, ela não se acostumou com a cama que comprei para ela. Dorme comigo e sempre pega o melhor lugar."

Pandora, fruto do amor de Chorão com a Mia

Samantha Ciuffa
Marina Zanforlin com a gata Pandora

A estudante de fisioterapia Marina Zanforlin conta que ela e o namorado quase atropelaram um gatinho, e foi assim que a história de Pandora começa. "Peguei o gatinho para cuidar... Dei-lhe o nome de Chorão. Depois apareceu a Mia, que tinha uma mistura de siamesa."

Não castrou nenhum dos dois e só foi perceber mesmo que os dois já eram um casal no dia em que viu a Mia dando cria... "Um belo dia, acordo com um miado a mais na minha casa", contou rindo. Só que Chorão rejeitou os filhotes. Optar por ficar com Pandora não foi tão fácil.Isso porque Mia passou por uma cirurgia para castração e não sobreviveu.

"Quando a Mia, morreu aí que não queria mais gato mesmo... Fui publicando em todos os grupos, avisando a todo mundo e nada". Resultado: hoje ela dá graças a Deus por ter a Pandora.

Este final de semana ela e o namorado se mudam, vão morar juntos em Agudos e, claro, a Pandora vai junto.

Juju, uma sobrevivente

Divulgação
O advogado Marco Bechir e sua cadelinha Juju

“Ela tinha 30 dias de vida, juntamente com mais quatro irmãos. A mãe não tinha leite suficiente, portanto ela não mamou. Escolhemos, em princípio, uma irmãzinha dela, branca e preta malhada que já estava indo embora conosco, quando o garotinho, filho da senhora que nos doou, chegou chorando a querendo de volta e dizendo “a Vaquinha não, ela é minha.” Então, pegamos a Juju.

Depois fomos informados que os outros irmãozinhos e a mãe morreram. A Julia é uma sobrevivente”, conta Marco, que se derrete por ela.

Ela vai fazer 3 anos dia 30 de novembro de 2016, é castrada e recebe todas as vacinas necessárias para sua saúde e proteção. “Ela é um grude comigo”, diz, citando que o ser humano precisa prestar atenção no comportamento espiritual deles. “Cães têm espírito elevado e carregam muito conhecimento para nos transmitir.”

Cuidados ao adotar

A veterinária Roberta Letícia Marques Ramos Rauscher lembra que a primeira coisa a ser feita quando se adota um animal é levá-lo ao veterinário. “Muita gente acha lindo, mas não se lembra que os filhotes vão ficar grandes.

O ideal é a gente determinar a origem do animal, mas há também a necessidade de um bom exame clínico, e isso só um profissional pode fazer. Sem esquecer da vermifugação, da vacinação e dos cuidados com o contágio, especialmente da leishmaniose, que está crescendo até em humanos.”

VOCÊ SABIA?

O Brasil tem por volta de 132,4 milhões de animais de estimação, dos quais 52,2 milhões são cachorros e 22,1 milhões são gatos, segundo dados do IBGE fornecidos pela Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação.

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