Brasília - Um dos coordenadores da força-tarefa da Operação Lava Jato, o procurador Deltan Dallagnol chegou na tarde de ontem à Câmara para acompanhar a votação do pacote de medidas contra a corrupção.
Apesar de as propostas terem sido apresentadas pelo Ministério Público Federal, vários partidos ameaçam incluir no pacote dispositivo para anistiar os crimes de caixa dois eleitoral (uso de dinheiro de campanha sem conhecimento da Justiça), além de impedir que eles sejam enquadrados em outros, como corrupção e lavagem de dinheiro
Dallagnol chegou momentos antes de a sessão da Comissão Especial começar e ficou no fundo do pequeno plenário. Em determinado momento, foi abordado pelo deputado Marcelo Aro (PHS-MG), que fez um prognóstico pessimista: "Acho que vamos ser derrotados".
O procurador escutou o relato do deputado e afirmou apenas: "Tá assim, é?"
Após a análise na comissão, que iniciou a sessão pouco antes das 15h, o pacote de medidas segue para o plenário da Câmara.
Além da anistia, deputados querem incluir nas medidas o endurecimento da lei para punir magistrados e integrantes do Ministério Público que cometam crimes.
Uma das intenções dos deputados é aprovar o texto no plenário de forma simbólica, sem registro nominal dos votos. Isso para que deputados não tenham os nomes vinculados diretamente à anistia.
Sob pressão e em meio a tratativas para a aprovação de uma anistia aos alvos da Lava Jato, a comissão especial da Câmara deve adiar para hoje a votação do relatório do deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS).
O próprio relator deixou a sessão pouco após a abertura, às 15h, pedindo uma hora para concluir as alterações solicitadas pelas bancadas partidárias.
Há uma forte tendência de partidos de derrotar o relatório e aprovar um texto paralelo que inclua o endurecimento das leis para punir magistrados e integrantes do Ministério Público que cometam crimes.