| Fotos: Malavolta Jr. |
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| Quem procura praças para brincar com crianças se aborrece com maus hábitos alheios; na foto, Ivan Gomes Lorenzetti com os sobrinhos Samuel e Miguel Prado, na Praça Luiz Zuiani |
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| “Infelizmente, não é todo mundo que tem princípios e se preocupa com o todo”, aponta Mauro Landolfi sobre os dejetos de animais deixados no chão |
Além da falta de manutenção, rotina nas reclamações dos moradores quando o tema são as praças públicas, o comportamento inadequado de muitos usuários também incomoda a vizinhança e os frequentadores desses espaços. E muito.
Imagine caminhar tranquilamente e, quando menos esperar, pisar no excremento de cachorros. Este é um dos transtornos apontados por quem pratica caminhada em praças, como o aposentado Mauro Landolfi.
“Eu caminho todas as tardes na Praça Luiz Zuiani, no Higienópolis. E é claro que já pisei em cocô de cachorro, difícil é achar quem não tenha pisado. E isso ocorre por ai, pela cidade toda. Infelizmente, não é todo mundo que tem princípios, que se preocupa com o todo. Muita gente vêm com seus cães e não recolhe o que eles fazem, deixam na grama, no passeio”, constata.
Com crianças
Quem procura o lugar para brincar com as crianças também se aborrece com a situação. É o caso do analista de sistemas Ivan Gomes Lorenzetti, que aproveita as tardes para levar a filha e os sobrinhos para brincarem na praça do Higienópolis.
“As crianças costumam brincar na grama e o próprio playground foi colocado nela. E sempre tem cocô de cachorro na grama. É um hábito muito ruim dos frequentadores de locais públicos. Além disso, muitos adolescentes e jovens bebem e fumam no meio da praça durante o dia, às vezes até usam maconha, não acho legal as crianças verem isso”, pontua.
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Para Semma, vandalismo é o maior problema de comportamento em praças
O hábito de jogar lixo no chão vem em segundo lugar, segundo diretor de Praças e Áreas Verdes da Secretaria
| Samantha Ciuffa |
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| Banco depredado na Praça Antônio Anacleto Chaves, na avenida Duque de Caxias |
Comportamento que se caracteriza pela destruição de bens alheios, bens públicos. Esta pode ser uma das definições do vandalismo que, segundo o diretor de Praças e Áreas Verdes da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Valter dos Santos Júnior, é o maior problema encontrado em praças públicas quando o assunto é o comportamento inadequado de seus frequentadores.
“Os vândalos quebram bancos, quebram os equipamentos de academia, danificam os brinquedos das praças com playground, picham placas, quebram e arrancam mudas. Esse é um desafio que Bauru, assim como as demais cidades, enfrentam em suas praças e áreas verdes”, comenta.
A maioria dos atos de vandalismo ocorre de madrugada e aos finais de semana, de acordo com o diretor. “Não temos cálculos exatos, mas a prefeitura gasta um dinheiro considerável com a reposição, conserto ou restauração de equipamentos de praças públicas”.
Lixo
Outro incômodo recorrente para quem usa as praças para passear com os filhos, praticar esportes ou mesmo descansar é o lixo espalhado pela grama e pelo caminho.
“As pessoas insistem em jogar o lixo no chão. De todo tipo. Praças com trailers de lanche ou lanchonetes ao redor são as que mais sofrem com isso. O pessoal simplesmente come e joga no chão, mesmo com lixeiras do lado. Muitas vezes, nem é a população local a responsável. Tem gente que sai de uma localidade para sujar a outra”, observa Júnior.
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Uso de praça pública
O cidadão pode solicitar o agendamento de eventos em praças públicas, responsabilizando-se por quaisquer danos causado ao patrimônio. Para tanto, basta solicitar o serviço no posto da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), no Poupatempo, com 30 dias úteis de antecedência do evento.
É necessário levar uma solicitação escrita de próprio punho, assinada, constando nome, endereço (do solicitante e da praça) e telefone do solicitante, descrevendo para que fins o espaço está sendo solicitado.
A unidade do Poupatempo Bauru fica na avenida NaçõesUnidas, 4-44 (esquina com a rua Inconfidência), Centro. O horário de atendimento é de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e aos sábados, das 8h às13h. Mais informações pelo telefone 0800 772 36 33 ou https://www.poupatempo.sp.gov.br.
Depredação é menor com moradores ‘de olho’
Quando a vizinhança “cuida” das praças do bairro, vandalismo, sujeira e baderna tendem a ser reduzidas
| Samantha Ciuffa |
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| Praça localizada entre as ruas João Prudente Sobrinho e Gilmara Dione Priolo Simões recebe os olhares zelosos de diversos moradores |
Se por um lado as praças sujas e depredadas estão entre as principais reclamações de moradores dos quatro cantos de Bauru, por outro, também não é difícil encontrar moradores que se preocupam com tais espaços e que estão sempre “de olho” para manter em ordem o patrimônio público.
Quando isso acontece, comenta o diretor de Praças e Áreas Verdes da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Valter dos Santos Júnior, a conservação das praças por parte dos moradores é visivelmente maior. “Temos exemplos em várias partes do município, inclusive na periferia”.
Segundo Valter, quando a vizinhança está olhando, o vandalismo é menor. E, quando há quebra de equipamentos, é pelo uso dos mesmos que isso acontece. “Quando as praças são adotadas por empresas ou moradores, a manutenção rápida desses locais também espanta a depredação”, pontua.
“GUARDIÃO”
A praça localizada entre as ruas João Prudente Sobrinho e Gilmara Dione Priolo Simões, no Núcleo Fortunato Rocha Lima, pode ser citada como exemplo. Por lá, diversos moradores que vivem ao redor do lugar ficam “de olho” para que os brinquedos e aparelhos de ginástica não sejam depredados.
| Samantha Ciuffa |
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| “Bom seria se todos cuidassem, assim teríamos uma praça muito bonita para todos usarem”, diz o aposentado José Leme, um dos “guardiões” da praça no Fortunato Rocha Lima |
Um desses moradores zelosos é “seo” José Leme. Além de tomar conta da praça, sempre que pode, ele tenta deixar a grama em dia, e faz a limpeza da calçada do lado de sua casa. “A gente tenta, é o que eu digo, mas é difícil, porque nem todo mundo tem consciência ou esse pensamento de cuidar do que é de todos”, comenta.
Segundo o morador, o mais difícil é manter a saúde das mudas de árvores plantadas pela Semma. “Eles plantam, mas tem gente que passa e arranca ou quebra. Eu vivo chamando a atenção principalmente da molecada. Até na casa dos pais, quando conheço, eu vou para falar o que eles fazem. Muitas vezes não adianta. Tinha um latão de lixo, por exemplo, mas sumiram com ele. É aquela coisa, é preciso fazer a nossa parte, mas não é fácil. Bom seria se todos cuidassem, assim teríamos uma praça muito bonita para todos usarem”, grifa.
| Samantha Ciuffa |
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| Sempre que leva o cão Pepe para passear, a estudante Leonora Alves leva junto uma sacolinha para recolher a sujeira do animal: “não gosto de estar em locais sujos, então não sujo”, diz, na praça da Travessa Nereid Arruda dos Santos, no Jardim Brasil |
‘Não sujar é pensar coletivamente’
“Não sujar as praças ou áreas verdes da cidade onde se vive é uma questão de educação, de pensar em si mesmo e no coletivo. Afinal, eu acho que ninguém gosta de viver na sujeira, né!”, acredita a estudante Leonora Alves.
Moradora do Jardim Brasil, a estudante frequenta a praça da Travessa Nereid Arruda dos Santos, cruzamento com a rua Joaquim da Silva Martha, diariamente para passear com o mascote Pepe. Além da guia do amigo de quatro patas, a garota carrega nas mãos uma sacolinha para recolher os dejetos que o animal pode deixar no espaço público.
“Isso é hábito, nunca esqueço. Em casa fomos educados assim, para respeitar o espaço das outras pessoas. Além de tudo, eu faço isso porque eu não gosto de estar em locais sujos, então não sujo, começo por mim”, destaca a estudante.
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