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Caminhos para o futuro

Paulo Cesar Razuk
| Tempo de leitura: 3 min

Uma única estrada nos leva do passado ao presente, mas uma série de caminhos se bifurca em direção ao futuro. Alguns desses caminhos são mais largos, mais planos e bem sinalizados e por isso, há uma maior chance de serem escolhidos. Mas, às vezes, a história - ou as pessoas que fazem a história - dão voltas inesperadas porque o horizonte da história é amplo de possibilidades e a maioria delas nunca se concretiza. A história tem uma regra implacável: o que parece inevitável em retrospectiva está sempre longe de ter sido óbvio na época. Sairemos da crise econômica ou o pior ainda está por vir?

    

A China continuará crescendo até se tornar a maior superpotência ou os Estados Unidos não perderão sua hegemonia? No longo prazo, o aumento do fundamentalismo religioso preocupará o mundo ou é um redemoinho que logo terá pouca importância? Estamos caminhando para um desastre ecológico ou para um paraíso tecnológico? Bons argumentos podem ser apresentados para corroborar qualquer um desses desfechos, mas nunca há como saber com certeza. Em alguns anos, as pessoas vão olhar para trás e concluir que as respostas para todas essas perguntas eram óbvias.


Hoje, vivemos numa época em que temos um poder sem precedentes - e por isso, uma responsabilidade sem precedentes - de fazer história e decidir nosso destino: ou enfrentaremos o espectro de um colapso global - econômico, social e ecológico - ou tomaremos um caminho mais favorável que nos levará a uma civilização capaz de trazer a paz e um nível aceitável de bem-estar para todas as pessoas deste planeta. Estamos diante desta bifurcação e temos uma pequena janela no tempo, alguns poucos anos para escolher o caminho a seguir. Um dos caminhos é continuar a equiparar o valor humano ao financeiro e fazer do consumo um modo de vida, de tal modo que ir às compras vire um ritual que satisfaça nosso ego. Já, hoje, a economia precisa de coisas consumidas, repostas e descartadas em uma taxa cada vez maior. Essa tendência, evidentemente, não é sustentável e seus efeitos colaterais não podem mais ser ignorados.


O outro caminho exige que se repense preferências, prioridades, valores e comportamentos. O consumo deixa de ser baseado na quantidade para ser seletivo e com qualidade entendida como um relacionamento amistoso com o meio ambiente, com a sustentabilidade e com a ética de produção e uso. Nesse caminho, o estilo de vida de ostentação, que desperdiça matéria e energia, estaria mudando para um modo de vida cuja característica distintiva é a simplicidade voluntária e a busca de uma nova moralidade e de harmonia com a natureza. No entanto, forças geográficas, políticas, biológicas e econômicas, que sempre atuam, criam restrições e impõem caminhos com desdobramentos inesperados. Hoje, o caminho que seguiremos não pode ser previsto porque a história é caótica. Tantas forças estão em ação e suas interações são tão complexas que variações extremamente pequenas na intensidade dessas forças e na maneira como interagem produzem diferenças gigantescas no resultado.


Esses sistemas caóticos podem ter duas formas. O caos de nível 1 é o caos que está sujeito a previsões a seu respeito. O clima, por exemplo, é um sistema caótico de nível 1, porque, embora possa ser influenciado por uma série de fatores, existem modelos computadorizados que, ao levarem em consideração um número cada vez maior desses fatores, produzem previsões do tempo cada vez melhores. Os sistemas classificados como caos nível 2 nunca podem ser previstos com precisão. Parece ser esse o caso da política, da economia e da história. Nós estudamos a política, a economia e a história não para conhecer o futuro e sim para ampliar nossos horizontes e observar as inúmeras possibilidades que existem à nossa frente.


O autor é prof. titular aposentado do Dept. de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da Unesp

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