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Tragédia da Chapecoense uniu rivais no Pacaembu


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Estadão Conteúdo
Torcedores rivais se uniram em homenagem à Chape

O momento trágico pelo que passa o futebol tem a capacidade de provocar a união até mesmo naqueles que, cotidianamente, costumam ficar em lados opostos. E no domingo outro bonito ato neste aspecto tomou a praça Charles Miller, em frente ao estádio do Pacaembu, em São Paulo. Torcidas organizadas dos quatro maiores clubes de São Paulo se reuniram para ato de apoio à Chapecoense e as vítimas do terrível acidente da última terça-feira.

Em uma cena que seria difícil de imaginar não fosse o atual contexto pelo qual o futebol está passando, a Independente, do São Paulo, a Gaviões da Fiel, do Corinthians, a Mancha Verde, do Palmeiras, e a Torcida Jovem, do Santos, levantaram todos as sua bandeiras que levam as cores de seus times de coração, no entanto, para entoar o mesmo grito: o de solidariedade pela Chapecoense.

Na noite do último sábado, as organizadas já haviam anunciado, por meio de suas redes sociais, que se reuniriam no Pacaembu para o ato, chamando a presença dos membros associados das respectivas torcidas. Após reunirem-se nas sedes de seus clubes, os grupos marcharam juntos direto até a frente do estádio.

Domingo de sepultamentos

O domingo foi marcado por uma série de sepultamentos de vítimas da tragédia em Medellin, Colômbia. Diferentes cidades do País receberam os corpos de jogadores e profissionais de imprensa. Cleber Santana foi velado na Ilha do Retiro, em Recife, o jogador Gimenez recebeu homenagens em Ribeirão Preto, Matheus Caramelo foi sepultado em Clementina (SP), entre outros.

Após receber o corpo de Cléber Santana na Arena Condá, estádio da Chapecoense, na manhã de sábado, e participar da cerimônia coletiva com todos as vítimas do trágico acidente com o avião que levava a equipe de Santa Catarina para a Colômbia, a família de Cléber Santana decidiu concluir suas homenagens em Recife. Ontem, a sede social da Ilha do Retiro, casa do Sport Recife, seguiu com o velório do ex-jogador. Além de familiares, amigos de infância e pessoas que simplesmente se solidarizaram com o momento compareceram ao local.

Em Ribeirão Preto, as torcidas de Botafogo e Comercial, arquirrivais da cidade de Ribeirão Preto, deram o último adeus ao jogador Gimenez, de 21 anos, na tarde deste domingo, no gramado do estádio Santa Cruz, local onde apareceu para o futebol durante o Campeonato Paulista de 2016. O ex-atleta foi uma das vítimas do trágico acidente com a delegação da Chapecoense, na Colômbia.

Também foram lembrados o atacante Canela, campeão da Série D do Brasileiro do ano passado pelo Tricolor, e o comentarista Mário Sérgio, que defendeu a camisa botafoguense em 1986. Vítimas do acidente da última semana, Canela foi velado e sepultado em Matão, enquanto que Mário Sérgio repousará em paz em São Paulo.

Dando continuidade às homenagens, o São Paulo publicou em sua conta do Instagram uma imagem do velório de Mateus Caramelo, lateral direito emprestado à Chape pelo clube paulista.

Formado nas categorias de base do Mogi Mirim, Caramelo estreou pelo Tricolor em 2013. Em 2014 foi ao Atlético-GO por empréstimo e, em 2015 jogou pela equipe catarinense, também emprestado. Na temporada de 2016 fez 16 jogos pelo time do Morumbi, antes de ser novamente cedido à Chapecoense.

O Atlético Nacional, de Medellín, precisa terminar até quinta-feira a arrumação da bagagem para a viagem ao Mundial de Clubes da Fifa, no Japão. E tem novos itens na lista. Adereços da Chapecoense como bandeiras e camisas estão entre os pertences, pois o objetivo dos colombianos é ganhar o troféu inédito e dedicar a conquista aos mortos na tragédia da última semana.

O acidente com o clube catarinense a poucos quilômetros de chegar na cidade, onde disputaria a final da Copa Sul-Americana, comoveu a comunidade local. Com as cores verde e branco em comum, Atlético Nacional e Chapecoense se veem como irmãos, unidos pela tristeza. "Se pudermos conquistar o título na Japão, com certeza dedicaríamos à Chapecoense. Tomara que à gente consiga", afirmou o presidente do clube, Juan Carlos de la Cuesta.

A viagem ao Japão traz grande ansiedade. A possibilidade de enfrentar o Real Madrid na final ganhou como ingrediente a vontade de fazer do possível título histórico um tributo à Chapecoense. "O que mais queremos é ser campeões, para poder fazer disso uma homenagem aos que morreram no acidente e dedicar ao título ao povo brasileiro", disse o zagueiro e capitão Alexis Henríquez.

Nacional quer dedicar Mundial para Chapecoense

O Atlético Nacional disputará pela segunda vez o Mundial. Em 1989, perdeu para o Milan, na prorrogação, quando o título era decidido em jogo único do campeão sul-americano contra o campeão europeu. Neste ano, a equipe reconheceu ter sofrido um golpe psicológico muito forte na preparação final. A morte de 19 jogadores do elenco da Chapecoense dificultou os treinamentos do time colombiano na última semana, quando se preparou para decidir vaga na semifinal do campeonato local.

Os 3 a 0 sobre o Millonarios no sábado amenizaram a pressão. A equipe ganhou a última partida em casa antes do embarque, sem se esquecer da Chapecoense. Na camisa do Nacional, o escudo catarinense estava estampado no ombro. A cada gol, os jogadores apontavam para o símbolo para expressar a quem ia a dedicatória. Após a partida, o time cantou "Vamos, Chape" no vestiário no mesmo ritmo feito pelos brasileiros semanas atrás, depois de eliminar o San Lorenzo, da Argentina, na semifinal da Sul-Americana.

"Foi uma semana difícil. Pela memória e homenagens aos companheiros da Chapecoense que se foram, a vitória era a melhor maneira de se fazer um tributo. Espero que se perpetue essa relação de cooperação entre os países", disse o técnico do Atlético Nacional, Reinaldo Rueda.

O capitão do time contou ter conversado bastante com o elenco para superar a tristeza do acidente. "Foi uma semana complicada para trabalhar. Ficou um sabor amargo porque foi um acidente que pode acontecer com qualquer esportista", afirmou Alexis Henríquez, enquanto dava entrevista abraçado ao filho e ao lado de médicos da Chapecoense, que visitaram o vestiário do Atlético Nacional, no estádio Atanasio Girardot.

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