Os episódios políticos da semana que passou, envolvendo o presidente do Senado e os membros do Supremo Tribunal Federal, terminaram por chafurdar de vez a moral das instituições, no mais recôndito fundo do poço. Não tem mais para onde cair. O fato de o Senador Renan Calheiros se negar a receber a intimação do STF, num flagrante desrespeito à mais alta corte do país, já era motivo suficiente para determinar a sua prisão.
No entanto, entraram neste caldo político tantas maquinações, que, além do episódio ficar em águas de batata, o STF resolveu livrar a cara do senador faltoso, dando a ele a continuidade na presidência do Senado, retirando-o apenas da linha de sucessão presidencial. O tal de jeitinho brasileiro, quando é para burlar os dispositivos legais, funciona que é uma beleza.
Enquanto isso, fica garantida a votação das PECs que vão empobrecer mais ainda os brasileiros, e também essa fatídica revisão das normas da previdência social. Arrombaram os cofres da Nação e nós é que temos que pagar a conta, enquanto os canalhas que meteu a mão no erário continua desfrutando dos bilhões furtados em belas mansões, lindos carrões, iates, viagens e tudo mais que o dinheiro pode facilitar. Em qualquer país sério, estes senhores já estariam trancafiados em uma cela, e seus bens tornados indisponíveis para ressarcimento do Estado. No entanto, nada disso acontece. Dos bilhões furtados da Petrobrás, nem cinco por cento foram recolhidos aos cofres da empresa, devolvidos pelos ratos que já foram apanhados e condenados. Dos bilhões enviados para os chamados "países amigos", via BNDES, dificilmente veremos a cor de qualquer centavo.
E pelo ralo vai escoando o dinheiro que deveria ser aplicado na educação, na saúde, nos transportes, na conservação de nossas rodovias, na aplicação de uma política cultural que possibilitasse o acesso do povo aos bens culturais. Aplicar mais recursos na agricultura com a finalidade de baratear a alimentação, com uma produção maior e consequente acesso da população a alimentos mais saudáveis. Executar uma política de produção de remédios, barateando o custo de todos eles, alguns dos quais, de tão caros, só os milionários podem chegar até eles. Mas, pelo que se houve falar, até o tal programa de remédio popular já está com seus dias contados.
Para isso, teremos que ter um governo composto por cidadãos competentes, honestos e voltados para o bem da sociedade como um todo. Essa corja que aí está precisa ser afastada, e para isso teremos de ter eleições gerais com a maior urgência, antes que o caldeirão exploda e traga em seu bojo uma revolta popular.