Atípico, controverso e de muitas transformações: assim podemos descrever 2016 nos seus acontecimentos, que de alguma forma ficará marcado em nossas vidas. Na política partidária, 2016 foi a ano dos reveses inimagináveis, onde a matemática e os ilógicos não se entenderam, as probabilidades tiveram mais êxito que as exatidões numéricas e os improváveis aconteceram. No Brasil, afundado pela corrupção e pela pior crise econômica da história, o partido que se ergueu das promessas de acabar com a pobreza foi reduzido ao desprezo por boa parte da população brasileira, o País de uma democracia jovem não aprendeu a lição e depôs o segundo presidente na história republicana.
Nos EUA, a política liberal de Barack Obama ruiu com a eleição de Donaldo Trump, um ultraconservador de direta com políticas nacionalistas extremas, que pode levar a maior potência mundial à uma crise diplomática e ainda perder a posição para a forte e insustentável economia chinesa.
Não foram somente as lideranças políticas que protagonizaram em 2016, o clima também resolveu mostrar sua bipolaridade e causou grandes tragédias ambientais. Em janeiro, sob efeito do "El Niño", ocorreram inversões climáticas potencializadas em diversas regiões do Brasil, Estados Unidos e Caribe.
As caraterísticas tropicais do Brasil foram potencializadas em inundações históricas no interior de São Paulo. O rio das espumas brancas, na região de Lençóis Paulista, localizada no centro do Estado, se transformou em águas de lama, inundando de forma violenta a cidade, deixando um rastro de destruição. No Nordeste do Brasil a seca histórica prejudicou centenas de pequenos produtores rurais, aumentando em 5% a área de extensão do semiárido brasileiro. Na Flórida, o furacão "Matthew" devastou parte da costa Leste dos Estados Unidos e Caribe, que segundo os técnicos do "National Hurricane Center" (Centro Nacional de Furacões), passou cinco vezes mais violento em relação às observações iniciais, matando centenas de pessoas.
E quando pensávamos que tudo já estava em fase de passar, 2016 ainda aprontou mais uma: choramos a maior tragédia do esporte mundial, com a queda do avião da equipe brasileira de futebol de Santa Catarina, ocasionado por pane seca em decorrência, inicialmente, por falta de planejamento do voo. Realmente 2016 não foi um ano que vamos guardar com boas recordações, mas podemos aprender muito com tudo isso, sendo cidadãos mais conscientes e cobrando atitudes responsáveis.
Dedico este artigo à memória dos meus amigos de infância Branco e Chico, Anderson Donizete Lucas e Francisco Élio Brito da Silva, que partiram de forma inesperada em 2016. O primeiro na queda do avião da Chapecoense, na Colômbia, e o segundo na ponte que desabou sobre o rio Lençóis durante as inundações de janeiro no município de Agudos.