| Miguel Filho/TV Câmara Bauru |
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| Rodrigo se emocionou ao final de sua apresentação, ontem |
No auditório do terceiro andar do Palácio das Cerejeiras, depois de ter gravado para emissoras de rádio e televisão, Rodrigo Agostinho conversa com o Jornal da Cidade, naquela que foi uma de suas últimas entrevistas na condição de chefe do Poder Executivo de Bauru. Está mais descontraído do que o habitual, ainda com o rosto vermelho por conta da homenagem prestada por seus secretários de governo. Toca seu telefone, cujo número é conhecido por quase toda a cidade. No outro lado da linha, um mendigo liga para pedir alguns trocados. Ele ri da cena, que, certamente, seria inusitada, caso fosse qualquer outro prefeito em seu lugar...
Além dos cabelos rebeldes, da mochila, do par de botinas e do crachá no pescoço, o carisma e a abertura para que qualquer um se aproximasse, reclamasse, pedisse, agradecesse ou entrevistasse foram as principais marcas da era do prefeito pop.
Longe do estereótipo do político populista, Rodrigo abusou do estilo “gente como a gente”, fazendo-se presente em praticamente todos eventos da cidade, indo até em “batizado de boneca”, como ironizava um antigo opositor.
Entre os servidores da administração municipal, a postura sempre foi a mesma. Chama a maioria pelo nome. Nessa sexta-feira (30), enquanto fazia confissões em ‘off’ ao repórter sobre a relação com alguns secretários e o tamanho de sua paciência no trato com vereadores e representantes dos mais diversos e conflitantes interesses, outro episódio impensável se não fosse Agostinho o prefeito: um jovem funcionário público adentra o auditório e pergunta se havia problema em tirar um cochilo [deitado no chão do local] enquanto a entrevista acontecia, já durante o usual horário de almoço.
“Claro! Sem problemas”, respondeu, aos risos. Quando saiu de lá, ainda foi conferir se o sono do rapaz transcorria bem.
O CHORO
| Priscila Medeiros/Divulgação |
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| Rodrigo Agostinho e os secretários municipais: Edmilson Dias, Maurício Porto, Célio Bucceroni, Vera Casério, Donizete do Carmo, Levi Momesso, Chico Maia, Fernando Monti, Darlene Tendolo, Marcos Garcia, Élson Reis, Everson Demarchi e Sidnei Rodrigues |
Com a desenvoltura que lhe é peculiar, Rodrigo havia, minutos antes, apresentado os principais feitos de suas administrações. Após segurar a onda por mais de uma hora, ao encerrar, foi às lágrimas, antes mesmo que sua secretária de Educação, Vera Casério, se levantasse para homenageá-lo, em nome de todos os colegas.
Ela recorreu a Gabriel Garcia Marquez (‘Não chore porque já terminou. Sorria porque aconteceu’), mas o desestabilizou de vez, quando escolheu suas próprias palavras. “Você foi o pilar disso tudo. Você nos ouviu, nos aceitou como somos e nos deu força para continuar a caminhar. Quando entrei aqui [em 2010], você era um menino cheio de esperanças. Preservou isso em seu coração, mas foi também nosso pai amigo. Te desejamos vida!”.
Titular do Bem-Estar Social, Darlene Tendolo lembrou da mãe do prefeito, Valéria Dalva de Agostinho, que morreu em julho de 2014, e afirmou que o cessante é amado pelas 102 mil pessoas pobres que vivem em Bauru.
Entregue à emoção, Rodrigo agradeceu a sua equipe, a imprensa e todos os servidores públicos, desejando, por fim, sorte a seu sucessor, Clodoaldo Gazzetta (PSD). Em seguida, foi confortado também por Edmilson Queiroz Dias (Planejamento), Maurício Porto (Jurídico), Célio Bucceroni (DAE), Levy Momesso (Administrações Regionais), Chico Maia (Agricultura), Fernando Monti (Saúde), Marcos Garcia (Finanças), Élson Reis (Cultura), Donizete do Carmos dos Santos (Funprev), Everson Demarchi (Administração) e Sidnei Rodrigues (Obras).
Aos 14 anos, o início como estagiário
Aos 39 anos, Rodrigo Agostinho trabalhou pela primeira vez na prefeitura há 25 anos, justamente a convite daquele que, a partir de domingo, o sucederá no comando do Palácio das Cerejeiras.
O ainda prefeitos conta que, na adolescência, adorava escrever cartas e, aos 14, redigiu uma endereçada ao então chefe do Executivo Tidei de Lima.
“Eu coloquei lá tudo o que achava que ele deveria fazer na área ambiental. Aquela carta virou um processo administrativo e chegou na mesa do Gazzetta, que era o secretário do Meio Ambiente na ocasião. Então, ele me chamou até lá e me convidou para ser seu estagiário. Fiquei um ano e meio trabalhando sem remuneração até que fui efetivado”.
Anos depois, os dois fundaram juntos o Instituto Vidágua. Nesse movimento, teve início a carreira política de Agostinho, que se elegeu vereador por dois mandatos e, em 2008, chegou à prefeitura, após um início desacreditado na corrida eleitoral.
Em 2012, reelegeu-se com 82% dos votos. Nas duas ocasiões, Gazzetta foi seu adversário nas urnas.
| Éder Azevedo/JC Imagens |
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| 2 de janeiro de 2009: Agostinho em seu 1.º dia como prefeito |
‘Se inchamos, foi na Saúde e na Educação’
Rodrigo Agostinho chamou a imprensa à Prefeitura Municipal para mostrar as principais realizações de cada secretaria e órgão da administração indireta. Ele mesmo preparou os quase 200 slides com base em relatórios redigidos por cada um dos integrantes do primeiro escalão do governo.
Fez questão de defender os setores mais problemáticos de sua gestão, lembrou do papel de alguns secretários que caíram ao longo do tempo e rebateu uma das principais críticas que recebeu, por ter triplicado os gastos com folha de pagamento e encargos: de R$ 10 milhões para R$ 30 milhões ao mês.
“A arrecadação subiu de R$ 362,4 milhões para 765 milhões. Isso foi possível graças a muito esforço, que tornou viáveis tantas das nossas realizações. Se inchamos a máquina, como gostam de falar, foi para ampliar e melhorar os serviços de Saúde e Educação.
CUTUCADA
O sucessor de Agostinho, Clodoaldo Gazzetta (PSD), e seu vice, Toninho Gimenez (PTB), assistiram à apresentação da manhã de ontem. A dupla promete promover ações para “destravar” a cidade nos primeiros 100 dias do próximo governo.
Ao comentar sobre esforços da gestão cessante nesse sentido, o ainda prefeito disparou. “Avançamos algumas coisas em quase oito anos, mas ainda há muitos desafios para os próximos 100 dias...”, cutucou.
| Priscila Medeiros/Divulgação |
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| A unidade passou a ter 474,56 metros quadrados de área total construída |
ÚLTIMA OBRA
E Rodrigo entregou sua última obra nesta sexta-feira (30). Junto do secretário municipal de Saúde cessante, Fernando Monti, e de demais profissionais da área, o prefeito inaugurou as obras de reforma e ampliação do prédio da UBS Jardim Europa. A unidade passou a ter 474,56 metros quadrados de área total construída.
O custo da obra totalizou R$ 219.112,07, sendo que a contrapartida da prefeitura foi no valor de R$ 6.000,00. Mesmo com a inauguração oficial, o atendimento da unidade segue suspenso até o dia 30. As atividades retornam no dia 2 de janeiro, das 12h às 17h. E, a partir de terça-feira, das 7h às 17h. A unidade fica na rua Hermes C. Batista, 1-64. Na fotografia, Monti, Rodrigo e Luciane Sabbagh, chefe da UBS reformada.



