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Verão é o bicho!

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Alexandre Carvalho/Reuters
Telas nas janelas e portas ajudam muito na prevenção

Nesta época do ano, não somente o calor e a chuva forte são fontes de transtornos constantes. Justamente por conta da alta umidade e elevação de temperaturas, a proliferação das chamadas 'pragas urbanas' também aumenta, em um período que pode representar riscos ainda maiores, já que as crianças estão em férias e, portanto, passam maior tempo dentro de casa.

Entre a primavera e o verão, insetos como baratas, pernilongos, mosquitos, cupins, aranhas e os perigosos escorpiões encontram um ambiente propício para a reprodução. Muitas vezes sem predadores naturais em quantidade suficiente, eles invadem as residências em busca de alimento ou abrigo.

"Dentro da cidade, predadores como sapos e libélulas, por exemplo, são escassos", explica a bióloga Maricê Thereza Correa Domingues Heubel, professora da Universidade do Sagrado Coração (USC). Mais do que o incômodo, ela diz, a presença de pragas traz risco à saúde da população em razão das inúmeras doenças que podem provocar.

Na empresa de dedetização da qual Mauro César Cruz é sócio-proprietário, sete em cada dez pedidos de ajuda são para exterminar os temidos escorpiões. "É algo que ocorre em toda a cidade, independentemente de classe social, até porque a origem do problema pode estar no terreno ao lado", pontua ele.

Moradora dos Altos da Cidade, Maria Ângela Gonçalves Cabello, 69 anos, já sofreu com a entrada destes animais dentro de casa. Agora, é a vizinha quem está "à caça" dos bichos. Somente em uma semana, dois foram capturados. "A origem de tudo é a infestação de baratas de um terreno próximo. Os escorpiões se alimentam delas e vêm atrás", conta.

Por serem peçonhentos, a picada destes invertebrados pode levar até à morte. O mesmo vale para algumas espécies de aranhas, como é o caso da armadeira, conhecida por erguer suas patas dianteiras, quando em posição de defesa.

"Elas contudo, dificilmente entram nas casas. Quanto ao escorpião, o risco maior é para crianças pequenas, de até uns 4 anos. Mas, mesmo em adultos, o ideal é procurar ajuda médica, já que sempre existe o risco de alergias", observa Maricê.

FRÁGIL

Além de terem o organismo mais frágil, crianças costumam ter, naturalmente, mais contato com o chão. "E, além de estarem mais tempo em casa nesta época, as famílias tendem a deixar as janelas por mais tempo abertas, inclusive à noite, devido ao calor, o que permite a entrada de uma maior quantidade de insetos. É uma época complicada", admite a bióloga.

Assim como os animais venenosos, doenças como dengue, transmitida pelo Aedes aegypti, e leishmaniose, pelo mosquito palha, também são motivo de preocupação pelo risco à saúde pública. Baratas e as aparentemente inofensivas formigas, contudo, também merecem atenção porque podem contaminar alimentos.

"Ambas transportam bactérias em suas patas, que podem entrar em contato com o alimento. É um risco grande, principalmente para hospitais", comenta Maricê. Já os cupins podem trazer transtornos pelo poder de destruição de móveis inteiros e até de imóveis.

Busca por dedetização dobra com o calor já a partir da primavera

Proprietário de uma empresa especializada em dedetização, o técnico em controle de pragas Mauro César Cruz revela que a procura pelo serviço chega a dobrar entre a primavera e o verão, quando os dias de calor intenso são mais frequentes. Ele explica que o tipo de procedimento e produto, bem como o número de aplicações, varia de acordo com o inseto que se quer combater.

"As desinsetizações comuns, que abrangem aranhas, baratas e formigas, demandam uma única aplicação e, ao custo médio de R$ 300,00 a R$ 400,00, têm efeito prolongado por cerca de um ano. Já a desinsetização especial, que inclui também pulgas, carrapatos, traças, percevejos e escorpiões, precisa de duas a três aplicações", detalha.

Esta última, que conta com tecnologia de atomização elétrica - em que o produto fixa por meses nos locais em que é aplicado, custa entre R$ 400,00 e R$ 800,00 para imóveis de cerca de 300 metros quadrados. Quando o serviço abrange todas as paredes, teto, rede de esgoto, caixa de inspeção e a área externa do imóvel, o valor pode chegar a R$ 1,5 mil.

"Um detalhe importante é que dispomos de uma tecnologia própria para quem tem animais, idosos, crianças e pessoas alérgicas em casa. Embora não reste qualquer odor depois de duas horas, recomendamos que elas fiquem fora do imóvel pelo prazo de meio período a até 24 horas", acrescenta Cruz.

Prevenção

Segundo a bióloga Maricê Heubel, a melhor maneira de evitar visitas indesejáveis é a prevenção. Entre as medidas a serem adotadas, ela recomenda a limpeza constante de terrenos e quintais e o descarte de lixo no menor prazo possível. Mas, se o problema estiver em áreas vizinhas, os órgãos municipais competentes devem ser acionados para que os proprietários sejam autuados.

"O uso de telas nas portas e janelas é uma estratégia antiga, mas eficiente. Tampar ralos e frestas de portas também ajuda a bloquear a passagem de insetos como baratas e escorpiões", ensina. Já os inseticidas, ela lembra, são apenas paliativos e, para infestações mais graves, vale consultar uma empresa de dedetização.

"Há químicos e biólogos que trabalham com isso e podem indicar o procedimento mais adequado, de acordo com a necessidade de cada residência", indica.

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