Não consigo me acostumar. Toda vez que vou a um restaurante e percebo um grupo de amigos ou um jovem casal ao celular, fico irritada. Tenho vontade de levantar, ir à mesa e tomar o aparelho das mãos deles e dizer: "Por favor, olhem-se, conversem entre si". E não. Não estou exagerando.
E não, não sou daquelas pessoas avessas à tecnologia. Precisamos dela para viver, para trabalhar. Elas, de fato, facilitaram a nossa vida.
Tenho 51 anos. Portanto, estou na faixa dos que cresceram sem celular. E estamos aqui, inteiros. Uso celular. Preciso dele para trabalhar. Não sei viver sem ele no meu dia a dia. Mas sei lidar perfeitamente com o fato de que ficar algumas horas sem ele nas mãos não mata.
E na minha casa é regra: celular na bolsa na hora em que sentamos para jantar ou saímos. No máximo, uma ou duas foto para registrar o momento e pronto! No começo, meus filhos reclamavam. Agora, percebo que eles próprios tomam a iniciativa de alertar aos amigos que "o momento e de confraternizar e interagir".
Outro dia, fui a um bar em São Paulo com uns amigos e gostei do copo que só para em pé se estiver apoiado no celular. Ou seja, ou você passa a noite tentando segurar o copo para mexer no celular ou o apóia no aparelho e conversa com quem está à mesa. E sei que há outras iniciativas do tipo por aí. Ainda não vi em Bauru, mas é uma boa maneira de fazer com que as pessoas voltem a interagir e a conversar. Aliás, penso que é tudo o que a humanidade precisa, hoje.